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quarta-feira, 2 de agosto de 2017

Prá quem acredita que o governo, de repente, deixou de se preocupar com Ciência...

... ele nunca deu bola. Quem poderia adivinhar que a Ciência no Brasil está indo pro buraco, não é verdade? Relendo esse esquecido blog, não é de surpreender que o Brasil esteja em crise, e tem tudo prá piorar. Abaixo, algumas notícias sobre o contínuo descaso com o MCT:



O peso da tesoura | Revista Pesquisa Fapesp (Maio/2011)
No caso do Brasil, o orçamento do Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT) ficou em cerca de R$ 6,37 bilhões. Inicialmente, a verba prevista para a pasta era de R$ 8,1 bilhões, mas foram cortados R$ 713 milhões em emendas parlamentares, que atingiram principalmente projetos de inclusão digital, e R$ 353 milhões do orçamento direto. Outros R$ 610 milhões dos recursos dos fundos setoriais foram bloqueados para garantir recursos para o pagamento das dívidas do governo, expediente conhecido como contingenciamento. No pacote de cortes de R$ 50 bilhões no orçamento da União, justificado pela necessidade de cumprir metas fiscais e evitar o aumento da inflação, a redução no orçamento do MCT ficou em R$ 1,7 bilhão. O Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT), uma importante fonte de recursos do ministério, teve bloqueados 20% de seus recursos. Com isso, o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) perdeu R$ 430 milhões. A Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), agência do governo federal que financia projetos de inovação de empresas e universidades, perdeu R$ 1 bilhão.
Ajuste fiscal x 'pátria educadora': entenda os cortes anunciados pelo governo - BBC Brasil (Jan/2015)
O Ministério do Planejamento anunciou nesta manhã um corte provisório de R$ 1,9 bilhão por mês o que significaria uma economia anual de R$ 22,7 bilhões. Esses valores podem mudar após o Congresso aprovar o orçamento deste ano.
O contingenciamento anunciado hoje é resultado de um corte linear nas despesas de custeio consideradas não obrigatórias de todos os ministérios. Ou seja, a previsão inicial para esses gastos foi reduzida em um terço em todas as pastas. Como o Ministério da Educação é o que tinha o maior valor previsto, sofreu o maior corte R$ 7,042 bilhões.
Redução do orçamento do MCTI fica próxima de 25% | Agência Espacial Brasileira (Maio/2015)
O ministro do Planejamento, Orçamento e Gestão, Nelson Barbosa, anunciou na sexta-feira (22) os cortes nas contas públicas para o orçamento do ano. No total, o reajuste soma R$ 69,9 bilhões, com divisão da redução entre os 39 ministérios do Executivo, as emendas impositivas do Legislativo e os programas do governo federal. Para o Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), o corte foi levemente mais brando. A redução de gastos ficou próxima de 25%. A Lei Orçamentária Anual (LOA) previa R$ 7,311 bilhões para a pasta, mas o orçamento final ficou em R$ 5,467 bilhões.
Ciência brasileira entra em crise com perda de recursos (Agosto/2015)
A crise econômica está batendo com força à porta da ciência brasileira. Não bastassem os ajustes fiscais, que reduziram o orçamento do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) em 25%, e do Ministério da Educação (MEC) em 9%, o setor sofre desde 2014 com a perda de royalties do petróleo e com o saque de recursos destinados à pesquisa científica para o pagamento de bolsas do Ciência sem Fronteiras. Sem dinheiro em caixa, agências de fomento federais estão cancelando editais e atrasando o pagamento de milhares de projetos já aprovados no ano passado. (...)

O que mudou? A principal fonte de recursos para pesquisa no País é o Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT), um grande portfolio de fundos setoriais, dentre os quais o do petróleo (CT-Petro) costumava ser o maior de todos. A partir de 2014, pelas novas regras de distribuição de royalties do setor, os recursos da exploração do pré-sal que antes alimentavam o FNDCT passaram a fluir para outra conta, do Fundo Social, que não é dedicado à ciência. Com isso, o valor arrecadado pelo CT-Petro despencou de R$ 1,4 bilhão em 2013 para R$ 140 milhões em 2014 – e não deve chegar a R$ 30 milhões neste ano.
O valor total arrecadado pelo FNDCT em 2014 caiu 28% em relação ao ano anterior: de R$ 4,5 bilhões para R$ 3,2 bilhões; e mais de R$ 1 bilhão desse valor foi empenhado para o programa Ciência sem Fronteiras (CsF) — que, originalmente, deveria ser financiado com dinheiro novo. Lideranças científicas chegaram a descrever a decisão como uma “canibalização” do sistema nacional de ciência e tecnologia. Este ano, a história deve se repetir, com mais R$ 1 bilhão reservado no orçamento do fundo para o programa. Somados esses fatores, a lei de royalties e o CsF drenaram R$ 2,5 bilhões do FNDCT em 2014.
Folha de S.Paulo - Opinião - Corte no Ministério da Ciência e equívocos - 24/05/2012
No mesmo momento em que a administração federal cortava em 23% (R$ 1,5 bilhões) o orçamento do Ministério da Ciência e Tecnologia, era aprovado um programa de bolsas para o exterior, denominado Ciência sem Fronteiras, de R$ 3,2 bilhões.

Não é só o maior programa com recursos públicos do mundo. É, certamente, maior que todos os demais, de todos os outros países juntos. (...) Dos 700 mil estudantes estrangeiros em escolas e universidades americanas, apenas 4,6% são sustentados com recurso público de seus respectivos países.
Simultaneamente, o governo injeta uma verba adicional de R$ 6 bilhões na Finep, aparentemente para apoiar indústrias inovadoras e, especialmente, aquelas que atuam em áreas relevantes para o "pré-sal". Somados esses dois programas, temos um valor seis vezes maior do que o corte do Ministério da Ciência e Tecnologia. Podemos, pois, concluir que não foi por falta de recursos financeiros que houve o corte do orçamento do MCT -que, aliás, foi de 23%, enquanto a média nacional foi de pouco mais que 4%.

Gráfico retirado da reportagem da Folha, acima

sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

cientistas e políticos

Fishing for certainty -- Nature
When in 1995 I moved into policy-making, managing fisheries in the northeastern United States, I learned that advice comes from all directions. Scientists would present data with many caveats; others would give advice based mainly on opinion. Fishermen coming to the microphone in a public meeting might categorically state that the science was wrong, the rules wouldn't work and everyone would go out of business. Scientists tended to emphasize their uncertainty, and would be unwilling to speculate.

As scientists, we learn to analyse uncertainty and we explore decision-making in the light of that uncertainty. This is important, but we must also recognize that the precautionary approach will be adopted only slowly in policy-making. Uncertainty undermines political will in environmental decision-making. Officials are more likely to support a vociferous interest group that is apparently certain of the dire economic consequences of new restrictions, than scientists who advocate caution and prioritize the environment.

(uma anotação antiga que estava na lista de rascunhos)

quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

Mais sobre o caso Nicolelis

O Estadão tem uma nova série de artigos sobre o caso do favoritíssimo Nicolelis, que continua se recusando a oferecer sua versão ao jornal.

Organização do cientista receberá R$ 33,2 milhões do governo - Estadão

Um dos experimentos mais divulgados por Nicolelis sobre ICM foi realizado em janeiro de 2008, quando uma macaca caminhando sobre uma esteira no seu laboratório na Universidade Duke teria comandado os movimentos de um robô humanoide no Japão, com seus comandos cerebrais captados e transmitidos em tempo real via internet.

Os dados técnicos do trabalho, porém, nunca foram publicados em revistas científicas (apenas pela mídia), impossibilitando outros pesquisadores de examinarem os resultados de maneira independente.

O robô usado no Japão foi desenvolvido por uma empresa de robótica americana chamada Sarcos, que, dois meses antes do experimento, foi comprada por uma companhia maior, chamada Raytheon, que desenvolve uma série de tecnologias militares - entre elas, exoesqueletos para soldados de infantaria.

Nicolelis usa trabalhos antigos para mostrar nova produção de instituto - vida - ciencia - Estadão

Nicolelis foi procurado ontem via e-mail e telefone para comentar os dados, mas não respondeu. Desde domingo, o cientista tem se manifestado intensamente, mas apenas pelo seu Twitter. (...)
Uma análise criteriosa dos sete trabalhos listados ontem por Nicolelis indica que todos são resultados de pesquisas anteriores ao "racha", produzidas em sua maior parte pelos cientistas que deixaram o IINN-ELS e migraram para o Instituto do Cérebro (ICE) da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN).

Em seis anos, R$ 61,3 milhões - vida - ciencia - Estadão

A receita da AASDAP entre 2006 e 2011 foi de R$ 61, 3 milhões, dos quais R$ 19,7 milhões (32%) vieram de fontes públicas e R$ 41,6 milhões (68%), de privadas.

UFRN pagou R$ 540 mil por uso de laboratórios - vida - ciencia - Estadão

Seguiu-se uma briga pela posse e direito de uso dos equipamentos que ficaram dentro do IINN-ELS; comprados com recursos públicos. O Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) disse ao Estado que "os equipamentos comprados com projetos de pesquisa foram patrimoniados pela UFRN; sendo assim, esta questão da partilha está fora da competência do MCTI".

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

Instituto de Nicolelis enfrenta 'apagão científico', mas o dinheiro público está garantido


imagem do blog do Planalto

Instituto de Nicolelis enfrenta 'apagão científico' - Estadão

A Associação Alberto Santos Dumont para apoio à Pesquisa (AASDAP), entidade privada sem fins lucrativos que administra o IINN, presidida por Nicolelis, já tem garantido R$ 41,8 milhões em novos recursos do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) e suas agências para fins de pesquisa e educação científica, segundo um levantamento feito pelo Estado, com dados do Portal da Transparência do governo federal.

"Estamos pagando para ele fazer pesquisa nos Estados Unidos? É isso que queremos saber", questiona uma liderança da comunidade científica nacional. Nicolelis é professor titular da Universidade Duke, nos EUA, e não tem vínculo empregatício com nenhuma instituição de ensino e pesquisa no País. "A contribuição pessoal dele para a ciência brasileira é zero", diz a fonte, que pediu para não ter o nome revelado, por medo de represálias. "Quem produzia a ciência era o pessoal que foi embora."

Só o pedido de anonimato já diz sobre o feudalismo acadêmico de que sofre o Brasil...

Cientista fez fama no exterior e se aproximou de líderes do PT - Estadão

Desde que voltou a atuar no Brasil, dez anos atrás, para promover o projeto que resultou no Instituto Internacional de Neurociências de Natal (IINN), Miguel Nicolelis conquistou um status político superior ao de qualquer outro cientista brasileiro, apesar de não morar no País e não ter vínculo empregatício com nenhuma instituição pública de ensino e pesquisa.

Em 2008, assinou um artigo com o então presidente Lula e o então ministro da Educação, Fernando Haddad, na Scientific American, a mais conceituada revista de divulgação científica do mundo - algo inusitado, tanto do ponto de vista do cientista quanto dos políticos. O artigo falava sobre os avanços do Brasil na educação e fazia uma apresentação do projeto Câmpus do Cérebro, em Macaíba, descrito como o "mais abrangente programa de educação científica e tecnológica na história do Brasil".

Ministério dá R$ 33 milhões para projeto da Copa do Mundo - Estadão

O governo federal vai dar R$ 33,2 milhões para o projeto Andar de Novo, do neurocientista Miguel Nicolelis, que promete colocar um brasileiro paraplégico para caminhar e dar o chute inaugural da Copa do Mundo de 2014, usando uma veste robótica controlada pelo cérebro. Os recursos serão transferidos para a Associação Alberto Santos Dumont para apoio à Pesquisa (AASDAP), entidade privada sem fins lucrativos presidida por Nicolelis, via convênio com a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI).

Cientista optou por não falar - Estadão

Na quinta-feira à noite, Nicolelis respondeu ao pedido de entrevista por e-mail, com um único parágrafo de texto, dizendo estar ocupado demais para responder às perguntas. "Quem sabe numa outra oportunidade podemos conversar? Que tal assim? Podemos agendar para depois da abertura da Copa de 2014!", respondeu Nicolelis.

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

Japan Education Fair 2012 – Japanese Universities in USP

(recebi essa mensagem através de e-mail, mas como não achei um link ou um site com a divulgação do evento, reproduzo aqui o conteúdo da mensagem)



Evento: “Japan Education Fair 2012 – Japanese Universities in USP”

Data/horário: 22 de agosto de 2012 (4ª feira) – a partir das 10h

Local: Auditório Prof. Franscico Romeu Landi
Escola Politécnica da USP - Edifício Mário Covas Jr. - (Administração)
Av. Prof. Luciano Gualberto, travessa 3, número 380
Cidade Universitária – SP

Contato para informações: Consulado Geral do Japão em São Paulo
Tel.: (11) 3254-0100, ramais 522 e 353
E-mail: consuladojapao-sp@sp.mofa.go.jp

Resumo do evento:
Como fruto das recentes negociações entre os governos brasileiro e japonês, o Japão planeja receber cerca de 1.300 estudantes dentro do Programa “Ciências Sem Fronteiras”, nas modalidades de graduação, doutorado
e pós-doutorado (aulas em inglês), já a partir de 2013.

Em estágio de preparativos para essa concretização, as universidades japonesas e o MEXT (Ministério da Educação, Cultura, Esportes, Ciência e Tecnologia do Japão) decidiram realizar a “Japan Education Fair”, no dia 22 de agosto (4ª feira). Será um evento inédito que reunirá representantes de 10 universidades de ponta do Japão para divulgação de oportunidades de estudo a estudantes brasileiros, no âmbito do programa “Ciências Sem Fronteiras”.

Trata-se de uma oportunidade única para os estudantes brasileiros poderem conhecer melhor as universidades japonesas de renome mundial em desenvolvimento de tecnologia de ponta.

No início do evento, será ministrada uma palestra de apresentação geral das universidades e, em seguida, os representantes de cada universidade ficarão à disposição para consultas individualizadas a estudantes interessados.

O evento contará também com a honrosa presença do Vice Diretor-Geral para assuntos de Educação Superior do MEXT, Sr. Tomohiro Yamano, que acompanha a comitiva especialmente para a realização do presente evento.

Universidades presentes:
  • Hokkaido University
  • Tohoku University
  • University of Tsukuba
  • Shibaura Institute of Technology
  • The University of Tokyo
  • Waseda University
  • Yokohama National University
  • Nagoya University
  • Osaka University
  • Kyushu University
Veja a lista completa de universidades e áreas de pesquisa através do link: http://www.mext.go.jp/english/science_technology/1319964.htm

Conheça as universidades através dos portais: http://www.jasso.go.jp/links/links_sj_e.html e http://www.uni.international.mext.go.jp/

Observações:


Atenciosamente,
Eliana Junko Takara
Assessora Cultural
Consulado Geral do Japão em São Paulo

quarta-feira, 11 de julho de 2012

Entre a meritocracia e o aparelhamento -- artigo dos professores Luís Raul Weber Abramo e João Carlos Alves Barata na Folha

Folha de S.Paulo - Opinião - Tendências/Debates: Entre a meritocracia e o aparelhamento - 11/07/2012

A universidade tem uma missão tríplice: educar as novas gerações, produzir conhecimento e promover sua ampla difusão. Essa é a matriz do sucesso social, científico, cultural e econômico de todas as sociedades que alcançaram alto grau de desenvolvimento.

As universidades que cumprem essa missão não são "gratuitas": somente em 2011 o Estado de São Paulo gastou mais de R$ 3,7 bilhões com a Universidade de São Paulo. São os contribuintes de São Paulo que arcam com esses custos. Eles detêm o legítimo direito democrático de decidir como a USP e as demais universidades públicas estaduais devem ser dirigidas de modo a melhor servir-lhes.

Os pesquisadores da USP, que têm desempenhado um papel de enorme importância no desenvolvimento do Estado de São Paulo e do Brasil, defendem essa visão acadêmica da universidade pública e sua continuidade.

Porém, a exemplo de outras maiorias silenciosas, eles são bem menos estridentes que certos grupos de oportunistas acadêmicos que, ornados de uma pseudointelectualidade a reboque da militância político-partidária, se arrogam o direito de representá-los. Segundo essa militância, é a sociedade que deve servir aos seus interesses políticos e sindicais.

sábado, 30 de junho de 2012

O nonsense insustentável do Rio, artigo de Jagdish Bhagwati -- Jornal da Ciência

Jagdish Bhagwati no Jornal da Ciência (Artigo publicado originalmente no Valor Econômico)

A noção de que um grupo de ativistas nomeados por eles mesmos, em conjunto com alguns governos e agências internacionais, pode determinar o que uma empresa deve fazer em termos de RSE contradiz a noção liberal de que devemos defender a busca da virtude, mas não de uma forma particular. Em tempos em que o mundo enfatiza a importância da diversidade e da tolerância, é um atrevimento sugerir que as empresas deveriam padronizar a noção de como desejam promover o bem no mundo.

Artigo original: Rio's Unsustainable Nonsense

sexta-feira, 25 de maio de 2012

Corte de verba, código florestal -- artigos no JC

Corte no Ministério da Ciência e equívocos, artigo de Rogério de Cerqueira Leite
No mesmo momento em que a administração federal cortava em 23% (R$ 1,5 bilhões) o orçamento do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, era aprovado um programa de bolsas para o exterior, denominado Ciência sem Fronteiras, de R$ 3,2 bilhões. Não é só o maior programa com recursos públicos do mundo. É, certamente, maior que todos os demais, de todos os outros países juntos.
O também gigantesco programa de bolsas para o exterior da China, igualmente para 100 mil estudantes (denominado "100.000 Strong"), é inteiramente custeado por recursos privados, enquanto o brasileiro é mantido em 75% de seus custos por verba pública federal. Dos 700 mil estudantes estrangeiros em escolas e universidades americanas, apenas 4,6% são sustentados com recurso público de seus respectivos países.
Simultaneamente, o governo injeta uma verba adicional de R$ 6 bilhões na Finep, aparentemente para apoiar indústrias inovadoras e, especialmente, aquelas que atuam em áreas relevantes para o "pré-sal".
SBPC em Chapadinha: Aleixo defende racionalidade no veto do Código Florestal -- artigo de Viviane Monteiro para o Jornal da Ciência
Ao mesmo tempo em que defende a reversão do texto sobre as APPs, dentre outros pontos, Aleixo reconhece, também, a situação de produtores rurais que na década de 1970 receberam incentivos para ocupar e explorar a região Norte do País (Amazônia), pelo famoso programa "Integra para não entregar" que permitia desmatar até 80% das propriedades rurais. Agora, com as modificações da lei, querem cobrar a restauração dessas áreas. As estimativas publicadas na imprensa são de que, na década de 1970, as derrubadas atingiram 14 milhões de hectares, número que deve somar cerca de 70 milhões de hectares em anos mais recentes.
O cientista discorda da opinião do modelo de ambientalistas que querem que esses produtores rurais paguem pelo desmatamento estimulado por esse programa. "Existem produtores rurais que trabalham corretamente. E por essa razão não se pode generalizar no tratamento dado [no Código Florestal]. É preciso ter racionalidade", recomenda Aleixo.
No JC também tem outro artigo que chega a ser engraçado, o autor tentou juntar todas as referências acadêmicas que já havia ouvido falar, mas saiu só um ad hominem. (Aliás, será que ele leu mesmo algo daElinor Ostrom ou do Bjørn Lomborg?) Dá vergonha do que passa por conhecimento acadêmico no Brasil.

Qualquer um pode passar por sabichão

domingo, 29 de abril de 2012

Jovens conseguem conciliar ciência e religião, mas alguns aprendem mais tarde a serem ignorantes

Jovens brasileiros conciliam bem ciência e religião - vida - ciencia - Estadão

Só quando a evolução se aplica ao homem e à origem da vida, as respostas ficam divididas. Há um empate técnico, em 43%, entre aqueles que concordam e discordam que a vida surgiu naturalmente na Terra por meio de “reações químicas que transformaram compostos inorgânicos em orgânicos”. E também entre os que concordam (44%) e discordam (45%) que “o ser humano se originou da mesma forma como as demais espécies biológicas”. (...)

Uma pesquisa nacional realizada pelo Datafolha em 2010, com 4.158 pessoas acima de 16 anos, indicou que 59% dos brasileiros acreditam que o homem é fruto de um processo evolutivo que levou milhões de anos, porém guiado por uma divindade inteligente. Só 8% acreditam que o homem evoluiu sem interferência divina.

Biólogos querem reforçar ensino da evolução - vida - ciencia - Estadão

Em suas palestras, Eberlin diz que as evidências científicas corroboram perfeitamente os relatos bíblicos sobre a criação do universo e da vida, mesmo “quando dizem que homem foi feito do barro”. “Não temos acesso a Deus, mas temos acesso à sua obra”, diz.(...)

O que mais preocupa os evolucionistas é o fato de Eberlin apresentar o design inteligente como uma teoria científica válida, dizendo ter “provas” de que a vida foi criada por Deus e de que a evolução biológica não é viável. Uma argumentação que, segundo Salzano, dá força a segmentos religiosos que querem tornar o ensino do design inteligente obrigatório nas aulas de ciência ou cercear de alguma forma o ensino da própria evolução. “É uma atitude anticientífica.”

[obs: Fiquei na dúvida quanto à flexão do infinitivo do título. Alguém sabe? (sem chute que a correção não é democrática) ]

domingo, 22 de abril de 2012

Dadaísmo intelectual: universidades publicam mal. Talvez se as fizermos produzir patentes eu saio bem na foto.

Lembra-me a brilhante conclusão de que, ao observar crianças cada vez mais mal alfabetizadas e com defasagem matemática, deve-se expandir o leque de disciplinas holísticas (porque, afinal, as uvas estavam verdes).

Folha.com - Ciência - Governo ignora cientistas em debates importantes (entrevista da professora Helena Nader, presidente da SBPC) - 19/04/2012
A universidade até pode fazer patente, mas esse não é o seu papel. O grande produtor de patentes deve ser a iniciativa privada. A Capes [Coordenação de Pessoal de Nível Superior] hoje pontua programas de pós-graduação com patentes. Mas querer que a universidade se responsabilize por patentes é um erro, mesmo que sejam feitas em parcerias com empresas. Essas parcerias ainda são muito frágeis. (...) Hoje, um professor com dedicação exclusiva em uma universidade pode, pela legislação, dedicar um dia por semana para um projeto em parceria com uma empresa. Mas isso pode causar problemas no Ministério Público, que entende que ele está deixando de fazer pesquisa e ensino.
Essa é uma crítica a opiniões populistas, como por exemplo que "não podemos dar mais importância a uma publicação do que uma patente. Nós temos que dar importância à patente." Uma publicação permite que todos se beneficiem da descoberta, adicionando ao corpus acadêmico, enquanto uma patente é um monopólio artificial oferecido pelo governo. Ou, nas palavras de alguém que culpava as universidades pela falta de empreendedorismo brasileiro, "se você publica uma descoberta, você perde o direito de pedir uma patente." Dá prá ver que perigo seria se cientistas favorecessem patentes à publicações... sem falar que patente não é sinônimo nem indicador de inovação. Mas governos sempre irão preferir soluções fáceis e erradas, se puderem maquiar o problema.

E não se esqueça: se você não conseguir atingir seus objetivos, desista e invente um outro objetivo qualquer, dizendo que aquele outro não era mesmo importante.

Atualização (24 de abril de 2012): O sistema de atribuição de patentes sempre aumenta a possibilidade de patentes de acordo com a Lei de Parkinson, sem "freios e contrapesos". Dois artigos acadêmicos contestando a importância de patentes em ciência:
Joly Y, 2010. Open biotechnology: licenses needed. Nature Biotechnology 28(5): 417 -- 419 (doi:10.1038/nbt0510-417)
Pennisi E, 2009. Systematics Researchers Want to Fend Off Patents. Science 325 (5941): 664 (doi:10.1126/science.325_664)

domingo, 18 de março de 2012

Reputação é apenas um critério para determinar qualidade de ensino -- SABINE RIGHETTI na Folha de SP

Folha.com - Saber - Reputação é apenas um critério para determinar qualidade de ensino - 15/03/2012

A USP (Universidade de São Paulo) está entre as 70 instituições de ensino superior com melhor reputação no mundo, segundo ranking do THE (Times Higher Education) publicado em Londres. Estar entre as universidades com mais reputação, no entanto, não significa estar entre as melhores instituições de ensino superior internacionais.(...)
Na ponta do lápis, a reputação acadêmica vale 18% da nota total que cada universidade recebe na listagem geral e compõe a análise da "pesquisa acadêmica", ao lado de critérios como quantidade de artigos científicos publicados por professor. (...)

Em outras palavras: fica mais para o topo da lista [de reputação] as universidades que mais aparecem na mídia e que são mais procuradas pelos alunos internacionalmente. Nesse quesito, a USP vai bem: a universidade está em 20º lugar na listagem de universidades com mais visibilidade na internet, divulgada em fevereiro pela Webmetrics, empresa que analisa o tráfego na rede.

sábado, 25 de fevereiro de 2012

Governo esconde naufrágio de barco com 10 mil litros de óleo na Antártida

Governo esconde naufrágio de barco com 10 mil litros de óleo na Antártida -  Sergio Torres no Estadão

O naufrágio vem sendo mantido em sigilo tanto pela Marinha quanto pelos ministérios que integram o Programa Antártico Brasileiro (Proantar) – Meio Ambiente, Ciência e Tecnologia, Relações Exteriores e Minas e Energia e Defesa. Não houve vítimas no acidente.

O Brasil é signatário de tratados de preservação ambiental na Antártida e, portanto, se comprometeu a não poluir o continente.(...)

As observações feitas após o naufrágio por um robô de inspeção submarina mostraram que o diesel não vazou, para alívio dos profissionais da estação e do governo brasileiro, preocupado com a repercussão internacional que um derramamento de poluentes na Antártida pode representar. (...)

Caso o diesel vaze, o acidente com a chata poderá ser interpretado pela comunidade internacional como um desrespeito ao protocolo, por falta de planejamento e pelo uso de processo tido como obsoleto.

via Blog do Josias

sábado, 21 de janeiro de 2012

Um professor com doutorado não ajuda muito, quando alunos mal sabem ler

Profunda escassez de doutores -- Correio Braziliense (publicado no Jornal da Ciência)
"No Brasil, cerca de 70% dos doutores estão na educação e 11% na administração pública. Mudar esse quadro é um dos maiores desafios para o desenvolvimento da economia do país", ressalta Glaucius Oliva, presidente do CNPq. A virada tão necessária, porém, terá de começar na base da pirâmide, pois, mesmo com os avanços no combate à evasão escolar e com os investimentos em novas universidades públicas e em programas de bolsas para estudos no exterior, o Brasil ostenta 60% de analfabetos funcionais, pessoas que sabem ler, mas têm dificuldades para interpretar um texto.
"Esse é um dos motivos para tanta evasão nas universidades e para o deficit de profissionais que a economia tanto necessita" destaca Guimarães, da Capes. Nos cursos de engenharia, por exemplo, 65% dos alunos matriculados desistem no meio do caminho por não conseguirem acompanhar as aulas.
E aliás, a reserva de mercado para os doutores é incentivo para que os alunos sigam na carreira, mesmo que sigam ignorantes (imprimir diploma é barato e gera dividendos políticos; manter qualidade e estimular o mérito só gera benefícios a longo prazo). Enquanto outros, sem medalhas mas talvez com mais preparo e experiência profissional, não possam competir. Mais um dado, mostrando onde está o problema:
"O balanço foi produzido pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep). Em 2010, a soma de despesas dos três níveis de governo - municípios, estados e União - totalizou R$ 17.972 por estudante de nível superior. O gasto na educação básica ficou em R$ 3.580."
Também me lembrou por exemplo este artigo, de onde extraí o gráfico comparando recém-formados que decidiram ser professores com os recém-formados em geral:


Nota SAT em habilidades verbais e matemática de professores certificados -- recém-graduados em curso superior --  dos EUA, por área.
As linhas horizontais pretas indicam a média de todos os graduados (ou seja, inclui aqueles que foram para outras áreas que não o magistério).

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Currículo, a Constituição da educação -- artigo de João Batista Araújo Oliveira

Currículo, a Constituição da educação Estadão

O que é um currículo? Um documento que diz o que o professor deve ensinar, o que o aluno deve aprender e quando isso deve ocorrer. Em outras palavras, conteúdo, objetivos (o termo da vez é expectativas de aprendizagem), estrutura e sequência. Para que serve um currículo? Primeiro, para assegurar direitos: o currículo especifica o que o aluno deve aprender. É um instrumento de cidadania fundamental para garantir equidade e os direitos das famílias. Segundo, para estabelecer padrões, ou seja, os níveis de aprendizagem para cada etapa do ensino: atingir esses níveis é o dever, que cabe ao aluno. Terceiro, para balizar outros instrumentos da política educativa, como avaliações, formação docente e produção de livros didáticos, instrumentos essenciais em qualquer sistema escolar. Os currículos, sozinhos, não mudam a educação.

terça-feira, 29 de novembro de 2011

Artigos sobre Educação -- analfabetismo, democracia seletiva do movimento estudantil, e o papel das universidades

Trechos de artigos lidos recentemente sobre educação (destaques meus)

Primavera dos 'sem-partido'? (Estadão)

Duas conclusões decorrem destes fatos: 1ª) o direitismo, ou ao menos o apartidarismo, já é reconhecido como força pelos estudantes das principais universidades brasileiras; 2ª) é tempo de os líderes dessas novas chapas exporem, à face do mundo inteiro, seu modo de ver, seus fins e suas tendências. (...)

O Estadão.edu conversou com líderes de três chapas que se dizem apartidárias: Vitor Colares, tesoureiro do DCE da PUC Minas; Davi Brito, presidente da Aliança Conservadora, da UnB; e Vinicius do Carmo, candidato a presidente do DCE da USP pela chapa Reação. Em comum, todas as chapas deles se dizem 'apartidárias' e todas são tidas como 'de direita' por chapas adversárias. A estudante Natália Pimenta, filha do político Rui Costa Pimenta, do PCO, escreveu um artigo em que defende que a direita não pertence ao movimento estudantil. "Na UnB, onde uma direita inimiga do movimento estudantil ganhou as eleições, cabe à esquerda romper com esse simulacro de DCE e construir uma outra organização. Não há convivência possível", afirma.

Alunos decidem que DCE da USP terá eleições em março (Estadão)

A eleição estava prevista para os dias 22 a 24 de novembro. A decisão de adiá-la, tomada no dia 17 por assembleia com 3 mil estudantes, foi tachada de golpe pela chapa Reação (...)

Os líderes dos CAs decidiram que a comissão gestora terá a mesma configuração da comissão eleitoral encarregada das eleições que foram adiadas em termos da distribuição de vagas entre as áreas de Humanas, Exatas e Biológicas.  (...) Em votação, ficou decidido que as vagas serão preenchidas pelos alunos das faculdades de Química e Matemática, deixando de fora a Escola Politécnica. A participação do centro acadêmico da Faculdade de Economia e Administração (FEA) também foi posta em votação. (...) O placar ficou em 12 a favor, 14 contra e 8 abstenções, reprovando a entrada da FEA.

Nota da SBPC sobre o incidente dos estudantes da USP (Jornal da Ciência)

Defender o uso de drogas de forma livre dentro do campus significa pedir regime de exceção aos valores pelos quais lutamos - fumar maconha ainda é crime neste País, e o campus da USP, assim como os campi de qualquer Universidade Brasileira, não podem ser tratados como zona livre enquanto esta lei vigorar. (...)
A liberação da maconha e a presença da polícia no campus são debates legítimos a serem travados com a participação de toda a comunidade acadêmica numa discussão ampla e democrática, não impingidos pela força e pela violência. 

Faltam ideias na batalha da USP (Folha)

Três professores da USP levantaram na sexta-feira, em artigo para a Folha-papel (...), a tese de que polícia e ideias são absolutamente incompatíveis.(...) Se fosse verdade, a universidade teria sido irrelevante para a sociedade durante todo período ditatorial, que durou longos 21 anos. Não foi, felizmente não foi. Ao contrário, a universidade foi importante coadjuvante na batalha pela redemocratização. (...)

Os três ilustres acadêmicos [d]izem: "Não é crível que aquela que chamam de maior universidade da América Latina não possa, a partir de estudos dos maiores especialistas nas diversas áreas do conhecimento, várias ligadas à segurança pública, resolver o seu próprio problema de segurança".

Nesse ponto, estou de pleno acordo, mas me pergunto: por que, até agora, a USP foi absolutamente incapaz de resolver o problema de sua própria segurança e/ou de fornecer subsídios para a segurança pública do resto do país? Esteve permanentemente cercada de "agentes com potencialidade repressiva"? Ou pura e simplesmente fracassou na sua missão de "gestação de ideias", como confessam implicitamente os autores do artigo?

A USP e a corrosão do caráter (Jornal da Ciência)

Antes de ser um cidadão, o sujeito pertenceria à sua "comunidade", cujas causas importam mais do que as coletivas. (...) A identidade maior deixa de ser a cidadania e se transfere para instâncias que defendem particularidades. (...) A corrosão do caráter é potencializada quando os grupos e indivíduos assumem o perfil da militância. O militante padrão, por mimetismo, sacrifica normas éticas, sociais e políticas em proveito de seu movimento, visto por ele como a fonte última dos valores. Todos os demais âmbitos seriam movidos por interesses escusos. (...)

Aqui, longe de permanecerem distantes e hostis aos poderes públicos, lutando contra eles na concorrência para dominar indivíduos e grupos, movimentos sociais mantêm excelentes tratos com os governos e Parlamentos. Eles sabem aplicar ventosas nos cofres estatais (as ONGs...) de modo a expandir suas forças, mas guardam a retórica contrária ao Estado. A busca de verbas põe a militância ao dispor de partidos políticos hegemônicos. O militante exerce seu fervor de tal modo que, em pouco tempo, pratica o que suas doutrinas condenavam ou condenam. (...)

Militantes fazem sua revolução em escala micrológica contra o reitor, mas os dirigentes nacionais do movimento estudantil negociam apoio aos donos do poder, os verdadeiros soberanos.

A crise na USP (Jornal da Ciência)

O mais simples é eliminar o segundo turno e passar a decisão para o colégio amplo. Ou, mais radicalmente, seguindo o que a lei federal faculta, instituir uma eleição direta na qual os votos dos professores pesem 70%, ficando funcionários e alunos (e talvez ex-alunos) com 30%. Mas a representação sindical e a dos alunos querem bem mais que isso, o que apavora os bons pesquisadores, receosos de que a universidade seja tomada por micropartidos políticos. (...)

A USP, Unesp e Unicamp não precisam ir a cada mês pedir dinheiro ao governo. As universidades federais, sim. Daí, também, que no período democrático nunca um reitor paulista tenha declarado apoio a um candidato a governador ou presidente. Já a grande maioria dos reitores federais é induzida a apoiar o candidato do PT, como se viu em 2006 e 2010. (...)

Os defensores da eleição direta querem democratizar esse poder. Mas, numa boa universidade, o poder é menos que a autoridade: o respeito que alguém conquista por sua qualidade ética ou, no caso, científica. Não há nomeação ou eleição que confira autoridade. Disputar o poder é perder o que é próprio de uma boa universidade.

]Cremesp critica decisão do MEC de autorizar 3 cursos (Estadão)

Uma notícia publicada no site do Ministério da Educação na sexta-feira, 18, informa sobre a redução de vagas em 16 cursos de Medicina mal avaliados pela instituição, mas não conta a história toda. Na mesma sexta-feira em que divulgou no Diário Oficial da União a extinção das 514 vagas, o MEC autorizou a criação de três cursos de Medicina - em Barretos, Franca e São Paulo - totalizando 220 vagas.

Produção científica depende de investimento em educação básica, dizem especialistas (Jornal da Ciência)

O investimento na educação básica - educação infantil, ensino fundamental e médio - desde a infraestrutura ao preparo e salários dos professores, deve se tornar prioritário no Brasil, pois é ali que a educação científica é central. (...)
Nesse sentido também opinou a diretora da Fundação de Amparo à Pesquisa do Amazonas, Maria Olivia Simões. Para ela, não é possível a um país fazer inovações científicas na educação superior se há lacunas na educação de base. A ciência, disse ainda, está intimamente ligada à educação de qualidade, e sem ela, não há inovação nem desenvolvimento sustentável no País.

Inovação ou morte (Estadão)

Na Espanha, a situação tem muito a ver com produtividade, com reformas no mercado de trabalho. Há um aspecto positivo e um negativo nisso. O negativo é que não há mais recursos para cobrir todas as necessidades das futuras gerações. O positivo é a chance de estimular nos jovens o espírito empreendedor, de que você deve garantir sua educação, sua saúde, sem confiar no Estado-Pai. Estimular o empreendedorismo e a inovação, para encontrar soluções sustentáveis.

Alunos analfabetos (Jornal da Ciência)

Constatou-se que 43,9% dos alunos são deficientes em leitura e 46,6% em escrita. Ou seja, são semialfabetizados. Não captam o significado do que leem e redigem uma simples carta com graves erros de sintaxe e concordância. Quanto à leitura, quase metade (48,6%) dos alunos da rede pública correspondeu ao resultado esperado. Na rede de escolas particulares, o desempenho foi bem melhor: 79%. (...)

O que demonstra falta de método de alfabetização, embora esta seja a nação que gerou Paulo Freire. Uma criança que, aos 8 anos, tem dificuldade de leitura e escrita sente-se incapaz de lidar com os textos de outras disciplinas escolares, o que prejudicará seu aprendizado.

(eu diria que é justamente a devoção a Paulo Freire a culpada pela falta de inovações educacionais -- aliás nem precisa inovar, é só ver o que dá certo em outros lugares; e garanto que não é um discurso de lutas de classes, é só hard work)

Analfabetismo cai, mas ainda chega a 28% em cidades do Nordeste (Estadão) 

Embora a taxa de analfabetismo na população com 15 anos ou mais de idade tenha caído de 13,63% em 2000 para 9,6% em 2010 na média do país, nas menores cidades do Nordeste, com até 50 mil habitantes, ela ainda atinge 28% das pessoas nessa faixa etária. Além disso, nesses municípios a proporção de idosos que não sabiam ler e escrever chegava a 60%.

Um grito de socorro (Jornal da Ciência)

Perdidos num cipoal de teorias, em grande parte estéreis e mal interpretadas, os cursos de formação acabam passando ao largo do desenvolvimento das competências básicas de um professor. Os jovens educadores saem das faculdades sem dominar o conteúdo que vão ensinar, os melhores métodos para o trabalho com esses conteúdos, e sem desenvolver as habilidades de organização do tempo e do espaço, bem como aquelas referentes às relações interpessoais e às dinâmicas de funcionamento de grupos.

José Joaquin Brunner: A expansão do ensino superior na América Latina (Simon's Site)

Un simple ejercicio permite apreciar que entre las casi 4 mil universidades iberoamericanas, sólo 62 (menos de un 2%) se aproximan a la noción de una research university por el volumen de su producción científica medida bibliométricamente; un segundo grupo, de tamaño similar (69 universidades), puede calificarse como compuesto por universidades con investigación. (...)
Lo que molesta y alborota a veces a quienes se identifican con los ideales y valores de la universidad humboldtiana (...) es la pérdida del aura que rodeó a la educación superior al comienzo de los tiempos modernos. (...) [T]ambién las universidades han visto esfumarse su prestigio tradicional bajo la marea de la masificación y con su progresiva desvinculación de las redes del poder, la riqueza y la influencia. (...)
Ortega y Gasset, sin ir más lejos, daba por misión central a la universidad no la investigación, sino asegurar la enseñanza superior, profesional, del hombre medio y situarlo culturalmente a la altura de los tiempos. Resumía su propuesta así: “Hay que hacer del hombre medio un buen profesional. Junto al aprendizaje de la cultura, la universidad le enseñará, por los procedimientos intelectualmente más sobrios, inmediatos y eficaces, a ser un buen médico, un buen juez, un buen profesor de matemáticas o de historia”. (...)
En América Latina el panorama de la educación superior se asemeja hoy más a aquellas ciudades aluvionales que de pronto aparecen en la región -improvisadas, irregulares, ruidosas, heterogéneas, inmaduras, donde conviven opulencia y pobreza, edificios de lujo junto a favelas, espíritu comercial y utopías anacrónicas, corrupción y burocratismo- que a una bien organizada república de las letras o a cualquiera otra entidad orgánica, rodeada de aura tradicional.

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Não sei o que eles querem dizer, mas os números estão aí.

Trecho de um texto do Vladimir Safatle, cometido na Folha de SP:
Mas, vejam que engraçado, segundo a QS World University Ranking, os Departamentos de Filosofia e de Sociologia da USP estão entre os cem melhores do mundo, isso enquanto a própria universidade ocupa o 169º lugar. Ou seja, se a USP fosse como dois dos principais departamentos da FFLCH, ela seria muito mais bem avaliada.
Errado. De acordo com esse ranking a USP ocupa a posição geral 169, mas está entre as cem melhores em todas as cinco grande áreas. Como pode?
É porque um ranqueamento apenas compara os scores (maior ou menor) dos componentes. Só com o ranqueamento por disciplina não dá prá saber o ranqueamento total. Por exemplo se 3 escolas A, B e C são comparadas, e a "nota" de cada uma em português/matemática é 5/1 para A, 1/4 para B e 2/2 para C. C vai ser a segunda colocada em cada disciplina, mas a terceira no geral -- se somarmos a pontuação teremos 6 para A, 5 para B e 4 para C. E isso assumindo que todas as universidades tenham indicadores para todas as áreas (e.g. um instituto de Tecnologia pode não ter as áreas de Humanas...).

E no caso citado pelo Safatle é ainda pior porque os indicadores usados são distintos para a universidade e para cada unidade. Isso porque a avaliação depende do objetivo do ranqueamento (quais universidades são melhores para um aluno ou para um pesquisador, por exemplo), e dos dados disponíveis (por exemplo algumas unidades possuem mais informações que outras). Assim, os indicadores usados para dar "nota" aos Departamentos  são diferentes dos indicadores usados para avaliar a a USP como um todo. Nem vou entrar nos méritos do ranking em si, que sempre devemos desconfiar (no caso, eles usam muito enquetes, que avalia mais o "branding" do que a qualidade).

Há muito mais a ser criticado no texto dele, mas esse erro crasso foi o que me assustou.

terça-feira, 18 de outubro de 2011

Asneira acadêmica do dia

Jornal da Ciência, 17/10/2011:

"A legislação pode decidir sobre uma porção de coisas, mas cabe a ciência mostrar o que está ou não errado", disse Goldemberg.

Hum, e esse sapato azul com blusinha amarela, está certo ou errado? E jogar um gordinho no trilho filosófico, pode? E uma pena de quatro anos por fumar um baseado, tá errado? E se fosse só uma multa?

Explico a piada: a Ciência (epistemologia) não substitui a Filosofia (ética, estética,..), e nem a filosofia, sozinha, bastaria para uma legislação ser criada. Essa hubris de alguns acadêmicos só ajuda a desmoralizar a Ciência.

sábado, 1 de outubro de 2011

A cruzada contra as ciências, de Orlando Tambosi

Já faz um bom tempo que quero escrever uma resenha do livro A cruzada contra as ciências (quem tem medo do conhecimento?), do qual tenho a honra e o privilégio de ter uma cópia autografada (obrigado, professor!). Há muito tempo não lia um livro em português, e a leitura deste foi uma agradável surpresa (outra recomendação são os guias politicamente incorretos).

Como não terei tempo tão logo, fiquem com uma amostra no texto "As diferenças históricas entre ciência e tecnologia", no blog do professor Tambosi.

sexta-feira, 24 de junho de 2011

Cobertura científica pelos jornais brasileiros: uma vergonha

Uma propaganda disfarçada de reportagem na Folha, intitulada "Glicemia baixa sem insulina "não é milagre", diz especialista":
"É isso mesmo... O diabetes tipo 2 tem cura", avalia de maneira serena e confiante Gabriel Cousens, autor do livro "A Cura do Diabetes pela Alimentação Viva" . Com um programa de 21 dias, o médico afirma que a vida dos pacientes que se empenharam no projeto e seguiram à risca os procedimentos foi transformada. Basta seguir a dieta elaborada por ele ao longo de anos de pesquisas, estudos e resultados mais do que satisfatórios para sentir a diferença em pouco tempo.
Ainda que tivesse cura, não é esse charlatão que teria a resposta, muito menos baseada em dietas milagrosas. Para saber sobre o perigo que esse charlatão representa (e que a Folha endossa vergonhosamente), basta ler este post do sempre atento Orac, ou este post do PalMD no Denialism Blog. Indo à página do enganador, Qpodemos saber quais são suas qualificações:
Doctor Sir Gabriel Cousens M.D., M.D.(H), D.D. (Doctor of Divinity), Diplomate of American Board of Integrative Holistic Medicine, Diplomate Ayurveda, visionary mystic, physician of the soul (...) Dr. Cousens functions as a rabbi, holistic physician, the leading live-food medical expert in the world, and according to the New York Times: "the fasting guru and detoxification expert". He is also a psychiatrist, family therapist, Ayurvedic practitioner, homeopath, acupuncturist, medical researcher, and an ecological leader.
Há alguma curanderia em que o sujeito não se ache um expert?

Isso sem falar nas clássicas reportagens "descoberto o gene disso e daquilo", publicações dúbias (legítimamente publicadas mas que não se sustentam) e algumas que não estão erradas mas que contradizem outras sem haver menções entre elas. Não farei generalizações acusatórias. Posso imaginar várias situaçôes em que parece não haver opções (competir com a internet é difícil, temos prazos, não somos pagos para criticar o material, etc.), e tampouco tiro a conclusão fácil de que a grande mídia <inclua acusação ideológica aqui>. Mas devemos assumir a responsabilidade em educar e informar, ainda que nos custe mais do que a simples tradução.

A falha não está apenas em dar destaque a impostores (virar notícia, em si, já é uma vitória para eles), particularmente na seção de Ciências, mas em reproduzir bovinamente todas as mentiras sem nenhuma tentativa de contestação. E não é o único exemplo da Folha de SP sendo incapaz de reproduzir uma reportagem criticamente.

Leilão na Suíça vende pele do abominável homem das neves:
O abominável homem das neves está na Suíça, ou ao menos uma parte dele, já que uma estranha pele durante anos atribuída ao temível Yeti foi vendida nesta quarta-feira em Genebra por cerca de 12 mil euros.
'Menino magnético' fica famoso na Croácia por atrair metais:
Um menino croata de apenas seis anos de idade parece ter a capacidade de atrair objetos metálicos, como se fosse um super-herói dos quadrinhos.(...) Além de seus supostos poderes magnéticos, Ivan também teria uma incrível capacidade de regeneração. (...) Ivan teria ainda o poder de curar outras pessoas.
Psicólogo usa biologia para ajudar ricos de 30 anos que não conseguem paquerar:
A maioria dos pacientes, em busca de apoio emocional, frequenta o lugar por um ou dois anos --uma consulta por semana a R$ 260 cada (mas diz que faz por menos se a pessoa não puder pagar). Amélio, que não gosta de ser comparado com o consultor amoroso do filme "Hitch", é também professor do Instituto de Psicologia da USP, com especial interesse em psicologia evolutiva. Seu curso "Relacionamento amoroso: teoria e pesquisa" é uma das mais disputadas em épocas de matrícula.



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