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domingo, 8 de janeiro de 2023

Terroristas bolsonaristas invadem e depredam congresso, planalto e STF

Two months after Bolsonaro’s loss, his supporters are staging a major protest. (New York Times, 8 de Janeiro)
Supporters of Brazil’s former president, Jair Bolsonaro, stormed Brazil’s Congress and presidential offices on Sunday to protest what they falsely believe was a stolen election. It was the violent culmination of incessant rhetorical attacks by Mr. Bolsonaro and his supporters against the nation’s electoral systems.


Here’s what to know:

Thousands of protesters ascended a ramp to the roof of the congressional building in Brasília, the capital, while a smaller group invaded the building from a lower level, according to witnesses and videos of the scene posted on social media.
President Luiz Inácio Lula da Silva, who defeated Mr. Bolsonaro in October and took office on Jan. 1, was in São Paulo, and Congress was not in session. Both Congress and the presidential offices were largely empty on Sunday.
Thousands of protesters stood and shouted from atop the Congress building, in view of thousands more running over toppled fences to get to the presidential offices. Protesters complained of tear gas, while security guards stationed at Congress took cover behind the building.
The invasions capped months of protests by supporters of Mr. Bolsonaro, who have been camped outside military bases across the country, and had called on the armed forces to take control of the government and halt the inauguration of Mr. Lula.

segunda-feira, 26 de dezembro de 2022

Como diria o pastor Niemöller, "mas eu não moro em Brasília..."

Saiba quem é o bolsonarista que tentou explodir bomba na área do Aeroporto (Correio Braziliense, 25 Dez 2022)
Empresário bolsonarista que tentou explodir uma bomba na área do Aeroporto Internacional de Brasília, neste sábado (24/12), usou explosivos oriundos de garimpos e pedreiras no Pará. O homem de 54 anos se chama George Washington De Oliveira Sousa e veio do Pará para participar dos atos em frente ao Quartel General do Exército, em Brasília. Em depoimento na 1ª Delegacia de Polícia (Asa Sul), ele admitiu a motivação política do crime.

Bolsonarista tentou explodir bomba no Aeroporto para "chamar atenção ao movimento" (Correio BRaziliense, 25 Dez 2022)

A frente das investigações, o diretor geral da PCDF, Robson Cândido, confirmou durante coletiva de imprensa que o homem trouxe do Pará um fuzil, duas espingardas, pistolas, revolveres, munições e uniformes de soldados do Exército. "Ele confessou que tinha intenção de cometer um crime no Aeroporto, com objetivo de chamar atenção para o movimento a favor do atual presidente Jair Bolsonaro, que eles estão empenhado no QG.
'Sabia que daria merda ir a QG', diz filho de homem que plantou bomba no DF... (UOL, 25 Dez 2022)
O filho do bolsonarista George Washington de Oliveira Sousa, de 54 anos, que confessou ter montado um artefato explosivo numa área de acesso do Aeroporto Internacional de Brasília por motivações políticas, afirmou ao UOL que a família era a contra a mudança à capital federal para participar de atos com pautas antidemocráticas. Quando o meu pai avisou que iria participar dessas manifestações, imaginamos que daria errado. Eu sabia que ia dar merda.George Sousa Filho, 33, filho de homem preso por tentar acionar bomba do DF.

(prá quem não entendeu a referência: https://en.wikipedia.org/wiki/First_they_came_... )

domingo, 14 de novembro de 2010

Melhor que ser amigo do rei

Cotada para o ministério de Dilma Rousseff, a diretora da Petrobras Graça Foster foi às páginas deste domingo (14) em posição, digamos, incômoda. Em notícia veiculada na Folha, a repórter Fernanda Odila conta que Colin Vaughan Foster, marido de Graça, mantém negócios com a Petrobras. Chama-se C.Foster a empresa do cônjuge da ministeriável. Opera no ramo da tecnologia. Comercializa componentes eletrônicos.
 
Entre 2005 e 2007, a C.Foster firmou com a Petrobras um mísero contrato. A partir de 2007, os negócios se avolumaram. Naquele ano, por indicação de Dilma, Graça foi guindada ao posto de diretora de Energia e Gás da estatal petroleira. Desde então, a firma do marido dela assinou mais 42 contratos com a Petrobras, 20 dos quais sem licitação.

domingo, 7 de novembro de 2010

Faça o que eu digo, não faça o que eu faço

O que faltou na fala de Lula (Estadão, 6/11/2010):
Quaisquer que tenham sido os seus motivos, o PSDB e o então PFL ensarilharam as armas - a rogo de interlocutores do Planalto - quando o marqueteiro Duda Mendonça contou na CPI dos Correios, em agosto de 2005, que os R$ 10,5 milhões que cobrou por seus serviços na campanha petista de três anos antes foram pagos com dinheiro de caixa 2 em conta secreta no exterior.

Das evidências surgidas no escândalo do mensalão, nenhuma outra atingiu Lula tão frontalmente, e, ainda assim, a oposição "maneirou". Talvez tenha até feito a coisa certa, para evitar uma crise que no limite seria institucional. Seja como for, falta ao presidente autoridade política, que dirá moral, para pôr o dedo no nariz da oposição, acusando-a de uma conduta que foi, isso sim, dele, dos seus companheiros de legenda e das organizações a ela vinculadas. (...)

Outra falácia conveniente a que recorreu foi a de que "o Congresso é a cara, a síntese da sociedade". Todo Parlamento é uma das caras possíveis de uma nação. A face que prevalece resulta em ampla medida do sistema eleitoral. As suas regras podem ampliar ou, como no Brasil, restringir a representatividade - só 35 dos 513 novos deputados federais se elegeram com os próprios votos.
O escasso capital humano (Estadão, 7/11/2010):
O Brasil, oitava maior economia do mundo, empata com o Zimbábue quando se compara a escolaridade média - 7,2 anos - das pessoas com 25 anos ou mais. (...)

Entre 2004 e 2009, a proporção de pessoas com pelo menos 11 anos de estudos aumentou de 25,9% para 33%. A parcela da população ocupada com pelo menos o ensino médio completo aumentou de 33,6% para 44,1% nesse período. A mudança poderia ter sido muito mais ampla, se o governo tivesse dado mais importância à educação fundamental e menos ao objetivo - em grande parte demagógico - de alargar as portas de acesso a faculdades. (...)

Até há pouco tempo, a oferta de pessoal qualificado foi pelo menos suficiente para a construção de uma das maiores economias do mundo. Uma ampla parcela da população ficou para trás, com possibilidades muito menores de trabalhar produtivamente. Uma fração desses trabalhadores conseguiu ganhar dinheiro em serviços de baixa qualificação. Uma grande economia não pode depender desse tipo de atividade, frequentemente informal e até ilegal, para absorver a grande massa de mão de obra.


domingo, 31 de outubro de 2010

Mitificando o presente, distorcendo o passado

A miséria da política (Estadão, 30 de outubro de 2010):
A campanha oficial procurou pregar a mentira de que o governo FHC tencionava privatizar a companhia. Lorota de pernas curtas: como se não bastasse a suposta intenção jamais ter figurado em programa, discurso ou documento do governo anterior, há carta pública do ex-presidente ao Senado comprometendo-se com a permanência da Petrobrás em mãos do Estado brasileiro, sob o regime de competição regulada estabelecido em 1997. A companhia não apenas permaneceu sob controle estatal, como se tornou muito mais competitiva sob o novo regime.

Findo o monopólio da Petrobrás, mas assegurada a propriedade da União sobre o subsolo brasileiro, com mais competição, novas empresas e maiores investimentos, a participação do setor de petróleo e gás cresceu de 2% para 12% do produto interno bruto (PIB), gerando maior renda e mais e melhores empregos. Base sólida para o candidato do PSDB passar à ofensiva e perguntar o porquê de o governo atual querer mudar, para a exploração do pré-sal, um regime que se mostrou tão bem-sucedido. Quais as vantagens e os riscos de o Estado brasileiro ingressar no comércio de barris de petróleo, em lugar de arrecadar tributos? A quem poderia interessar a entrada do Estado num negócio pouco transparente que tanta margem oferece a ganhos ilícitos? A legislação atual já não permite, por simples decreto presidencial, capturar para o Estado brasileiro os ganhos extraordinários que possam advir da exploração do pré-sal? Por que, então, fazer uma mudança atabalhoada, em regime de urgência constitucional, sem tempo para que o Congresso Nacional e a sociedade pudessem conhecê-la e discuti-la?


sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Lula, na reta final

Os 10 piores momentos de Lula | OrdemLivre, 21/10/2010:
Nenhuma economia atual é totalmente livre nem totalmente estatizada. Impera em todos os países do mundo o intervencionismo, uma mistura de estado e mercado na economia. No entanto, sempre que o intervencionismo entra em crise, a culpa cai sobre o mercado. Ao Estado só cabe o papel de salvador da pátria. Quando defende essa dicotomia falsa, o presidente Lula colabora para que o desenvolvimento econômico brasileiro continue engatinhando. A evidência é clara: quanto mais estado, menor crescimento econômico.

A grande recessão de 2008 foi resultado de bancos centrais do mundo inteiro adotando políticas de crédito barato, o que descola o investimento privado da poupança real, e leva investidores a financiar projetos que só existem por causa dos juros artificiais do governo. Isso quando o governo não favorece certos projetos deliberadamente, como as políticas imobiliárias americanas.

O livre mercado, por definição, nega a intervenção do estado. Mas quem foi que disse que o mercado brasileiro quer ser livre? Pelo contrário, o Brasil tem uma tradição de chocadeira protecionista. As empresas escolhidas pelo governo são amamentadas com o crédito do BNDES, protegidas da competição externa por meio de tarifas e da interna por políticas de antitruste. Se enfraquecerem, levam uma injeção de subsídio e se quebrarem suas dívidas serão relativizadas.
Esse é apenas um dos momentos elegidos; há outros também, como a defesa não dos países, mas dos ditadores da Venezuela, Cuba e Irã. Há também uma cobertura interessante na The Economist (gracias, Daniel). Seguem os links abaixo.

Brazil's presidential election: Better late than never? (21/10/2010):
In one, the polls are overstating Ms Rousseff’s lead. She has gained all she can from Lula’s support, and it was not enough. Exposed as an un-Christian flip-flopper and shorn of the momentum that came from seeming inevitability, she will see her voters melt away.
Brazil's presidential election: Lula's legacy (30/09/2010):
Lula said then that in a second term his priority would be tax, political, labour and pension reforms. These are sorely needed: the tax system is multilayered and burdensome, politics prone to corruption and gridlock, labour laws rigid and anachronistic and pensions for public employees absurdly generous. Yet none of these reforms happened, despite (or perhaps because of) Lula’s soaring popularity.(...)

In August the PMDB’s leader, Michel Temer, who will be vice-president if Ms Rousseff is elected, told party members to campaign hard for her, saying that in return they would partake in what he described as the “sharing out of the bread”.
Brazil's presidential election: Second round, second thoughts?(21/10/2010):
Ms Rousseff and the ruling Workers’ Party (PT) want the state to play a bigger role in the economy. They are especially keen on that in the oil industry, but they also want to keep lending public money to big business to create national champions. In return, in some cases, they want more influence over boardroom decisions. It is hard to see them putting a stop to the inexorable growth of the public payroll, swollen by many PT appointees, and of the tax burden required to pay for it. (...)

There are two other reasons why Brazilians would do well to favour Mr Serra. The first is that Ms Rousseff is not Lula. She lacks his extraordinary political gifts and perhaps also his innate pragmatism. By contrast, although Mr Serra may be a poor campaigner, he has been an effective minister, mayor and governor. Second, although no political party has a monopoly when it comes to corruption, there are plenty of signs that the PT has become too cosy with power. After eight years under the PT Brazil would benefit from a change at the top.


terça-feira, 12 de outubro de 2010

Quando o PT vai tomar partido?

O partido que quer ser maior que a sociedade (Renato Lima no Ordem Livre):
O apoio do PT ao aborto não é matéria de notícia anônima (é fato comprovado), nem é sussurado por pessoas que se escondem. Portanto, não é boato.
Boato, na campanha presidencial, foi ter espalhado, em 2006, que Alckmin se eleito iria privatizar a Petrobras, o Banco do Brasil e outras estatais. Era informação sem confirmação: não estava em nenhum plano do partido do candidato e essas empresas não tinham sido colocadas no Programa Nacional de Desestatização que era comandado pelo BNDES quando o PSDB esteve no governo. Mesmo assim a informação correu publicamente. É a definição de boato.
Boato é dizer que, se eleita, a oposição vai acabar com o Bolsa-Família. Não importa que os programas sociais de transferência de renda com foco tenham sido criados no governo FHC e apenas reunidos sob um único nome no governo Lula. Mas a informação, falsa, é propagada contra a oposição para colocar os mais necessitados (quem recebe o Bolsa-Família) automaticamente contra uma alternativa de mudança democrática. É outra forma de boato interferindo no jogo democrático de se decidir quem é o melhor para governar o país.

vídeo via Imprensa Marrom

sábado, 9 de outubro de 2010

Semana de eleições no Brasil, desde o El País

Rousseff rechaza despenalizar el aborto en Brasil para no perder el voto cristiano · JUAN ARIAS - Río de Janeiro - 01/10/2010:
A 36 horas de las elecciones presidenciales brasileñas, la despenalización del aborto ha puesto en aprietos a Dilma Rousseff, la candidata propuesta por el presidente Lula da Silva. Su cambio de opinión en este tema, del que era una firme defensora, y los casos de corrupción que ha tenido que afrontar recientemente, amenazan con impedir una aplastante victoria en la primera vuelta.

Hace solo un año, la candidata del Partido de los Trabajadores era favorable a la despenalización del aborto. "Es una cuestión de salud pública", afirmó Rousseff a la revista Marie Claire. "Existe una cantidad enorme de mujeres en Brasil que mueren por abortar en circunstancias precarias".
Rousseff vuela hacia la presidencia de Brasil gracias al carisma de Lula · JUAN ARIAS - Río de Janeiro - 02/10/2010:
En la noche del jueves, ese debate, con una audiencia récord de cerca de tres millones, frustró a los 135 millones de electores, ya que los dos grandes contendientes, Dilma Rousseff, la candidata de Lula, y José Serra, el candidato más fuerte de la oposición, se ignoraron hasta el punto de no hacerse entre ellos una sola pregunta.

Ninguno de los temas candentes de la campaña: el aborto, los escándalos de corrupción en el Gobierno o las duras críticas del presidente saliente, Luiz Inácio Lula da Silva a los medios de comunicación, tres asuntos que le habían hecho perder seis millones de votos a Rousseff los últimos días, aparecieron ni una sola vez en los 100 minutos de debate.
Brasil contiene el aliento ante las elecciones de hoy · SOLEDAD GALLEGO-DÍAZ / JUAN ARIAS - Brasilia - 02/10/201:
Esa indefinida impresión de sentirse bien es la que hace que Lula deje la presidencia (no puede presentarse a un tercer mandato) con un 80% de popularidad y que sea su candidata, Dilma Rousseff, una antigua guerrillera marxista leninista, reconvertida en economista y luego en el equivalente a su jefe de Gabinete, quien tenga todas las posibilidades de ganar. (...)

El Brasil que deja Lula se siente optimista, pero sigue teniendo graves problemas. El primero es que mas del 40% de la población esta todavía en la pobreza más absoluta y sobrevive en buena parte gracias a las pequeñas subvenciones del Plan Bolsa Familia, destinado a lograr el objetivo de Hambre Cero. El segundo problema es la necesidad de mejorar rápidamente la calidad de la educación que reciben los hijos de esa nueva clase C, seguido muy de cerca por la lucha contra la corrupción, la mejora en las infraestructuras y la reforma fiscal.
Son quizás esos problemas y el convencimiento de que se ha dado con la fórmula para terminar resolviéndolos, los que han convertido el panorama brasileño es algo muy particular en América Latina: todo el espacio político esta ocupado por ofertas moderadas de centro-izquierda. La oposición que acude a las urnas esta representada por un político de larga tradición socialdemócrata, José Serra, y por una dirigente ecologista que formó parte de los gobiernos de Lula. Nadie en Brasil quiere estar ni en la derecha ni tan siquiera en el centro-derecha, lo que no quiere decir que la derecha no exista.
Victoria insuficiente de Rousseff ·SOLEDAD GALLEGO-DÍAZ / JUAN ARIAS - Brasilia - 04/10/2010:
La victoria de Dilma Rousseff en primera vuelta fue una apuesta personal mucho más de Lula que de la propia candidata o de su grupo político (PT). Lula eligió a una sucesora improbable, poco conocida, y se lanzó con todas sus fuerzas y su enorme popularidad (80%) en una campaña electoral agitada. La segunda vuelta será, sin duda, decepcionante para el presidente más popular de la historia de Brasil, que creyó poder traspasar directamente ese respaldo personal. El PT no ha conseguido tampoco imponer a sus candidatos a gobernador en So Paulo, Minas Gerais y Río, que son los tres Estados con más peso electoral del país.
Mandela sube al Corcovado · FRANCISCO G. BASTERRA - 02/10/2010:
Es cierto que Lula ha construido el despegue económico sobre las bases reformistas heredadas de su antecesor Fernando Henrique Cardoso. El ex presidente se queja de la mitificación de Lula: "Yo hice las reformas y él surfeó en la ola". Pero admite que "es un Lech Walesa que funcionó". Abandonó sus recetas izquierdistas y tuvo la sensatez de no considerar que con él comenzaba la historia. (...) El mito Lula debe recortarse con las sombras de su presidencia: la corrupción, la desigualdad en el reparto de la riqueza, el gran peso de la economía sumergida y el alto nivel de violencia. Con una política exterior desinhibida, con amigos en Teherán, La Habana y Venezuela, sin pedir permiso a Washington, ha compensado a sus bases más a la izquierda por las políticas liberales en lo económico.
Una seria administradora a la sombra de Lula · SOLEDAD GALLEGO-DÍAZ (Enviada especial) - Brasilia - 02/10/2010:
Cuando tomó posesión la llamó, para sorpresa de todos, para hacerse cargo de la cartera de Energía. Tres años después, en 2005, Dilma Rousseff fue elegida, también de forma inesperada, para ser jefe de su Casa Civil (una especie de ministerio de la Presidencia, que actúa más como centro de poder económico que político). En 2008, el mismo Lula la lanzó a la carrera presidencial como su heredera, tomando otra vez con el pie cambiado a quienes se sentían con más derecho a sucederle. (...)
Tal vez por eso contó siempre con el apoyo de Antonio Palocci, el primer ministro de Hacienda de Lula, artífice de su inesperada política de austeridad, que tuvo que salir del gobierno por un escándalo sexual y de soborno y que ahora, con Dilma como presidenta, prepara su regreso triunfal. ntre sus apoyos figura ahora también José Dirceu, a quien sustituyó, también por otro escándalo, en la Casa Civil.
Marina Silva, clave para el futuro de Brasil · SOLEDAD GALLEGO-DÍAZ / JUAN ARIAS | Brasilia - 04/10/2010:
Varios factores, según los analistas, han contribuido a aguar el sueño de Lula. Muchos de los votos que emigraron de la candidata oficial hacia Silva fueron votos de protesta por los escándalos de corrupción en la Casa Civil, que Dilma Rousseff presidió, y por los ataques de su tutor Lula contra los medios de comunicación, a los que llegó a calificar de "golpistas". (...)

Los resultados de las elecciones desmintieron también la tesis de los sondeos, según los cuales la oposición socialdemócrata, presidida por Serra, iba a acabar hecha trizas. (...)

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Dois artigos no Estadão sobre os camaradas de Lula

Quanto mais Estado, mais corrupção (Carlos Alberto Sardenberg, 20/09/2010):
Aliás, basta abrir as páginas de classificados da revista The Economist: toda semana aparecem editais oferecendo vagas de diretores e presidentes de companhias públicas em diversos países, sem restrição de nacionalidade para os candidatos. O Brasil, e especialmente no governo Lula, está no lado exatamente oposto. As nomeações são politizadas, cargos repartidos na base de apoio. Isso escancara as portas do "compadrio" e da pura e simples corrupção. (...)

Um diretor nomeado pelo partido tem compromisso com o partido e com os companheiros em geral. Note-se que o presidente Lula consagrou como correta a tese de que é preciso colocar os companheiros e aliados, por critérios políticos, nos postos de governo, nas agências reguladoras e nas companhias públicas. O compromisso com o partido ou com o presidente pode ser cumprido de maneira legal, mas mesmo assim causando danos.
O desmanche da democracia (editorial, 23/09/2010):
Mas as investidas de Lula não são um raio em céu azul. Desde o escândalo do mensalão, em 2005, ele invariavelmente acusa a imprensa de difundir calúnias e infâmias contra ele e a patota toda vez que estampa evidências contundentes de corrupção e baixarias eleitorais no seu governo. (...) A apropriação deslavada dos recursos de poder do Executivo federal para fins eleitorais, a imersão total de Lula na campanha de sua afilhada e a demonização feroz dos críticos e adversários chegaram a níveis alarmantes. (...)

As invectivas contra a imprensa, por exemplo, foram a senha para o PT e os seus confederados, como a CUT, a UNE e o MST, promoverem hoje em São Paulo um "ato contra o golpismo midiático". É como classificam, cinicamente, a divulgação dos casos de negociatas, cobrança e recebimento de propinas no núcleo central do governo.

Sobre isso, nenhuma palavra - a não ser o termo "inventar", usado por Lula no seu mais recente bote contra a liberdade de imprensa que, com o habitual cinismo, ele diz considerar "sagrada". O lulismo promove a execração da mídia porque ela se recusa a tornar-se afônica e, nessa medida, talvez faça diferença nas urnas de 3 de outubro, dada a gravidade dos escândalos expostos. Sintoma da hegemonia do peleguismo nas relações entre o poder e as entidades de representação classista, o lugar escolhido para o esperado pogrom verbal da imprensa foi o Sindicato dos Jornalistas.


quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Prá que conhecer as leis?


A cara do cara (Marco Antonio Villa, Folha) :
O Brasil é um país estranho. O TSE fez várias propagandas explicando ao eleitor quais são as funções dos deputados, senadores, governadores e do presidente. Contudo, ao relatar as principais atribuições do presidente, ocupou mais da metade do tempo dizendo que cabe a ele divulgar o país no exterior, viajar e buscar novos negócios. Curiosamente, nenhuma dessas funções fazem parte do artigo constitucional que regulamenta as atribuições presidenciais.

Ou seja, o TSE, que é presidido por um ministro do STF, desconhece qual o papel que deve ser exercido pelo presidente da República. Mas, a bem da verdade, o desconhecimento é mais amplo. O próprio presidente Lula tem demonstrado nesta campanha eleitoral que não sabe os limites estipulados pelo artigo 84, logo ele que foi deputado constituinte (mas que, junto com a bancada do PT, votou contra a aprovação do texto constitucional).
A OAB/SP como censora, a serviço do obscurantismo? (Renato Pacca, O Globo):
O artista Gil Vicente elaborou uma série de desenhos a carvão intitulada “Inimigos”, que será exposta na Bienal de São Paulo. Nas obras, o artista se autorretrata assassinando personalidades como Fernando Henrique Cardoso, Lula, George Bush, Bento XVI, Kofi Annan, Ariel Sharon, Ahmadinejad, entre outros. Confira as obras no site do artista. Pelo que se tem notícia, nenhum retratado reclamou. Mas se você achou as obras inusitadas, ainda não viu nada! Acredite se quiser, mas a OAB/SP pede a censura da exposição em uma inacreditável nota. (...)

Pior: o presidente da OAB/SP já comunicou os fatos ao Ministério Público de São Paulo, salientando que, em tese, as obras traduzem “apologia de crime”. Mas que crime? (...) Ora, os assassinatos retratados nas obras do artista não ocorreram. Não existe um fato criminoso que agora esteja sendo exaltado. Tampouco existe um “autor de crime”.

As obras são agradáveis? Depende do gosto pessoal. São polêmicas? Certamente. Fazem apologia do crime? Não. Trata-se de uma evidente provocação do artista e de uma crítica ao poder. O artista “assassina”, artisticamente falando, o poder constituído.
TV de Lula contrata por R$ 6 milhões empresa onde atua filho de Franklin (Estadão, 22/09/2010):
A Tecnet Comércio e Serviços Ltda. venceu, no penúltimo dia de 2009, a concorrência para cuidar do sistema de arquivos digitais da EBC, um dos grandes projetos do governo. E-mails da própria EBC obtidos pelo Estado mostram que o ministro Franklin Martins pediu "prioridade zero" para o assunto, embora pareceres feitos em dezembro alertassem quanto à falta de recursos orçamentários para o projeto. A EBC é a única emissora de televisão brasileira cliente da Tecnet na área digital.

O jornalista Cláudio Martins, filho do ministro Franklin, trabalha na Tecnet há pelo menos dois anos como representante comercial, segundo a própria direção da empresa. De acordo com o comando da Tecnet, ele é o responsável pelos negócios de software e tecnologia da empresa no exterior e com as afiliadas do grupo. (...) Além desse contrato, a Tecnet tem outros dois com a Caixa Econômica Federal, no valor de R$ 5,4 milhões, para prestar serviços de telemarketing.

A EBC foi criada em outubro de 2007 como um grande projeto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para criar uma TV Pública. O ministro Franklin Martins é quem comanda o setor. A relação entre EBC e a Tecnet desperta a atenção não só pelo fato de o filho do ministro trabalhar na empresa contratada pela pasta comandada pelo pai. O processo de concorrência é nebuloso.
(dicas do mestre Orlando Tambosi)

terça-feira, 21 de setembro de 2010

Jornalistas devem ter cuidado com as fontes, especiamente quando não conhecem o assunto

O El País costuma ter uma cobertura excelente dos tópicos que aborda, e apesar de não cair no conto do "isentismo" (a versão jornalística do "teach the controversy") não deixa que suas opiniões afetem a leitura. Mas creio que a jornalista Soledad Gallego-Díaz está pesando um pouco nos dois últimos artigos. Talvez ela deva diversificar mais suas fontes, dado que o que na reportagem do dia 20 aparecia como fato... :
Es en la calle donde José Serra ha perdido las elecciones frente a un presidente, Lula, que no es candidato, pero que actúa realmente como si lo fuera, y en televisión, donde Dilma ha demostrado que es algo más que la candidata de Lula.
...era na verdade opinião de petista (como relatado no artigo do dia 21):
"Es injusto que se diga que toda la campaña es Lula", se queja una colaboradora de Dilma. "El mérito de ella es muy grande: en los debates y en los espacios de televisión ha sabido demostrar que es seria, capaz, una alternativa creíble. Ha ganado algún debate con más del 56% de los espectadores consultados. Sin todo esto, el apoyo de Lula sería insuficiente", asegura. (...)

"Pero se equivocan quienes creen que será una marioneta, ni de Lula ni del PT", asegura su colaboradora.
Façamos de conta que os 56% não são apoiadores de Dilma, e que só lhe tem elogios aconteça o que aconteça.

A jornalista também comprou facilmente versões que lhe foram sopradas pelo PT no seu primeiro artigo: das críticas internas do partido, de que os dirigentes do PSDB estão mais interessados em Minas e SP do que na campanha presidencial (usando o velho recurso de colocar São Paulo contra Minas). Além de duas contradições no texto: 1) a jornalista diz que o erro de Serra foi apostar em uma campanha leve ("suave"), mas também diz que se equivocou ao lançar-se contra Lula; 2) diz que a derrota humilhante (!!) de Serra se dá mais por seus erros do que por acertos de Dilma - apesar de citar apenas o uso da imagem de Lula -, mas depois diz que a competição se dá nos comícios (onde Dilma tem a estrutura Lulista), na propaganda obrigatória (onde Dilma leva vantagem) e nos debates (onde Dilma faltou a quase todos).

Eu comuniquei um erro na reportagem (o nome de Alckmin está grafado "Geraldo Alckrim", duas vezes), mas ainda não corrigiram. E o segundo artigo está muito melhor, onde a jornalista tenta ao menos distinguir entre fato, versão e opinião. Confundir petista com "o povo" não dá.

Agora Erenice está livre prá seguir com seus negócios

Demitida da Casa Civil, Erenice mantém cargos no BNDES e na Eletrobras « Radar político (Estadão, 20/09/2010):
Quatro dias depois de ter pedido demissão da Casa Civil, Erenice Guerra mantém cargos no conselho da Eletrobras, da Companhia Hidro Elétrica do São Francisco (Chesf) e também no Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) – órgão que está na raiz do esquema de “lobby” e tráfico de influência montado por Israel Guerra que motivou a queda da ex-ministra.

Com salário de R$ 5.122 mensais para participar de uma reunião a cada três meses, Erenice Guerra ocupa uma das onze vagas no Conselho de Administração do BNDES, sob indicação do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, comandado por Miguel Jorge. (...)

Segundo reportagem da revista Veja, a Eletrobras concedeu, em 2008, patrocínio de R$ 200 mil à Racing Corsini, equipe de motovelocidade do piloto Luiz Corsini, que afirma ter pago R$ 40 mil a Israel Guerra como “taxa de sucesso” do negócio.

Mesmo depois da demissão da Casa Civil, Erenice Guerra também aparece como conselheira de administração da Eletrobras e da Chesf, com gratificação de R$ 3,8 mil para participar de uma reunião mensal.




segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Diz-me com quem andas...


E veja também a reação de Dilma à reportagem da Folha, sem dublê. Como conclui Da C.I.A.:
O modo como ela se comportou é duplamente útil: Primeiro vemos uma típica postura autoritária e ameaçadora contra um jornalista que provavelmente não é o responsável pela matéria e que dificilmente teria autoridade para responder pelo jornal. Segundo, por sua distorção dos fatos e confusão com os dados, fica mais claro por que esta gente odeia tanto a Imprensa: Eles mal sabem ler!





Alguns links sobre a urna eletrônica - e a ausência de prestação de contas

Estava lendo agora há pouco esse comentário na Techdirt, com uma lista de 25 links para reportagens anteriores do site sobre problemas comprovados em urnas eletrônicas (A Diebold é lider de falhas de segurança). No Brasil há um site especializado em colecionar artigos sobre a urna eletrônica, e há motivos para ser crítico ao sistema - ainda que ela fosse de fato inviolável, é fundamental que a urna permita auditoria independente. Me parece óbvio que gente de fora tenha dificuldade para alterar os votos - mas ainda assim deve ser fácil estragar todos os backups contidos na urna sem deixar rastros.

 Começo com o artigo da Wikipedia, que está bastante completo:
Em 25 de novembro de 2008, Especialistas em tecnologia dizem que urna eletrônica não é segura, em audiência pública da Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania da Câmara dos Deputados.

O blog de Silvio Meira, professor do Centro de Estudos e Sistemas Avançados do Recife foi local de um amplo debate sobre a insegurança da urna eletrônica, com a participação de Giuseppe Dutra Janino (Secretário de Informática do TSE), de representantes da Microbase e centenas de comentários.

As urnas eletrônicas brasileiras também não atendem às diretrizes da agência certificadora americana Election Assistance Commission, cuja norma - Voluntary Voting System Guidelines de 2007 - exige que máquinas de votar para serem credenciadas ofereçam uma forma de conferência do resultado por meio de Registros do Voto Independente do Software Conferido pelo Eleitor (Independent Voter-Verified Records - IVVR) como o Voto Impresso Conferido pelo Eleitor (Voter-Verified Paper Records - VVPR).

Com a implantação da votação eletrônica em todo o país, alguns grupos tem sugerido que as urnas eletrônicas brasileiras sejam equipadas com uma impressora para que se possa armazenar os votos em uma listagem e que fosse comparada com os dados armazenados magneticamente, a chamada materialização do voto. Entretanto, alguns especialistas em informática ainda insistem que as urnas eletrônicas em geral são veículo fácil de fraudes de difícil descoberta.(...)

Em resposta a um desafio proposto pelo TSE, nove equipes de hackers com um total de 38 especialistas inscritos, na sua maioria funcionários públicos atendendo convite do administrador eleitoral e dos quais apenas 20 compareceram, tentaram quebrar os mecanismos de segurança das urnas eletrônicas. O teste foi realizado em Brasília, entre 10 e 13 de novembro de 2009, tendo ocorrido um caso de sucesso parcial e de nenhum sucesso.

Porém, o TSE impôs uma série de restrições do que os hackers poderiam fazer, ignorando um cenário real onde um hacker pode agir utilizando engenharia social e modificação do hardware. A Comunidade Hacker considerou o teste falho apesar do "sucesso" proclamado pelo TSE e não descarta a possibilidade do sistema ser violado nas eleições.
Hackers acusam TSE de manipular desafio de urnas eletrônicas (Terra, 25/10/2009):
Hackers dizem que o desafio lançado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que pediu a piratas da internet de todo o País para que tentem fraudar o sistema de urnas eletrônicas é, na verdade, apenas uma forma de "provar" que o mecanismo eletrônico é inviolável. Segundo eles, o TSE manipula as regras do jogo, limitando os softwares que eles podem usar na tentativa de violar as urnas. O TSE afirma que "não pretende cercear nenhum investigador".

"A realidade é uma só. Eles, do TSE, não querem correr o risco. Por isso escolhem os softwares a serem usados. Fica complicado assim. Um software que é usado para 'crackear' e 'hackear' hoje custa em torno de R$ 30 mil. É quase impossível adquirir a licença de forma legal. Se pudéssemos usar (qualquer ferramenta) seria outra coisa e a realidade, outra. Com certeza a perícia forense nesses sistemas (ilegais) seria frágil", comenta o hacker Álvaro Falconi, moderador do fórum www.forum-hacker.com.br, grupo de discussão sobre a atividade na internet.

Entre os profissionais que trabalham para testar a segurança de sistemas informatizados, a preocupação com o desafio do TSE é que, em função de lidar com o Poder Judiciário, eles possam ser processados se tentarem violar as urnas eletrônicas utilizando softwares piratas.
(ou seja, os hackers só podiam usar softwares legais para não correrem o risco de serem presos...) A fraude da urna eletrônica (Paulo Gustavo Sampaio Andrade, Doutrina Jus Navigandi):
É inegável que a urna eletrônica evita a maioria das fraudes, principalmente aquelas amadorísticas, feitas com papel e caneta, nas quais urnas eram "engravidadas" com cédulas falsas, ou votos em branco eram desviados para certos candidatos. Contudo, a votação totalmente digital deixou abertas brechas para novos tipos de fraude, estas profissionais, com repercussão muito maior e, o que é pior, totalmente indetectáveis.

Ao votar, o eleitor vê na tela da urna o nome e o número do candidato, e depois confirma. Mas um programa malicioso escondido na própria urna pode fazer com que o voto guardado na "memória" da urna seja diferente do que foi visto na tela. Pode-se, por exemplo, fazer inserir nos programas da urna um comando para que, a cada quatro votos para um candidato, um seja desviado para outro candidato. Pior: este programa de desvio de votos pode ser programado para se autodestruir, sem deixar vestígios, às 17 horas do dia da votação, tornando inócua qualquer verificação posterior nos programas da urna.

E você sabia que, caso um partido político, por algum motivo, venha a pôr em dúvida o resultado de qualquer urna, é tecnicamente impossível fazer uma recontagem dos votos? O máximo que poderá ser feito é simplesmente imprimir novamente os dados que já foram impressos anteriormente. Ao contrário do voto convencional, no qual a fraude sempre deixava algum vestígio, o voto eletrônico permite a existência da fraude perfeita.

[Atualização do autor:] Em outubro de 2009, entrou em vigor a Lei 12.034/09, que exigirá a impressão do voto a partir de 2014.


domingo, 19 de setembro de 2010

A cada exadada, uma minhoca

Companheira Dilma, comissária Rousseff (Elio Gaspari na Gazeta Online de 18/09/2010):
Nomeada ministra de Minas e Energia, por Nosso Guia, [Dilma Rousseff] assistiu ao loteamento de sua pasta e a ida do engenheiro Silas Rondeau para a presidência da Eletronorte. (...) Em 2004, a ministra fritou o presidente da Eletrobras, Luiz Pinguelli Rosa, engenheiro nuclear, doutor pela UFRJ, com passagens por sete universidades estrangeiras. Para o seu lugar, turbinou Rondeau, que acabou substituindo-a no ministério. Em maio de 2007, um assistente do doutor foi preso pela Operação Navalha. Acusado pela Polícia Federal de ter recebido R$ 100 mil de uma empreiteira, Rondeau deixou o cargo. Denunciado por gestão fraudulenta e corrupção passiva, ele se tornou o sétimo ministro de Nosso Guia apanhado pelo Ministério Público.

Rondeau subiu na vida por conta da aliança política com José Sarney, Erenice foi para a Casa Civil com credenciais típicas do comissariado: a fidelidade ao aparelho petista e à comissária Rousseff. Juntas, deixaram as impressões digitais no episódio da montagem de um dossiê com as despesas de Fernando Henrique Cardoso no Alvorada.
Erenice planejava defender investigados por corrupção quando saísse do governo (Folha, 18/09/2010):
Na conversa interceptada pela polícia, porém, o ex-ministro [Silas Rondeau] tratava de uma terceira acusação: Rondeau havia sido denunciado pela Procuradoria da República ao Superior Tribunal de Justiça sob acusação de envolvimento em desvios de dinheiro de obras públicas.

No telefonema, Erenice procurou acalmar Rondeau. (...) A ligação partiu dela e foi feita do seu então gabinete na Casa Civil.(...)

Quando a conversa ocorreu, Erenice enfrentava a acusação de ter elaborado na Casa Civil um dossiê sobre o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso --documento que tinha como objetivo constranger a oposição e impedir a instalação da CPI dos Cartões Corporativos.

Posteriormente, a PF comprovou que a planilha de fato foi confeccionada dentro do Planalto e em formato atípico. A investigação, porém, ficou 15 meses suspensa e só foi retomada em março deste ano, com pedido de acareação e depoimentos do Ministério Público.
Governo Lula esvazia as agências reguladoras (Folha, 19/09/2010):
As agências reguladoras sofreram um "esvaziamento" sistemático nos últimos anos sob o governo Lula, informa Fernando Canzian em reportagem na Folha deste domingo.

O processo inclui o contingenciamento de mais de 80% das verbas que deveriam receber do Orçamento federal e diretorias vazias durante meses por falta de indicações de titulares pela Presidência. Quando ocorrem, muitas das indicações são claramente políticas, de pessoas sem experiência técnica ou prévia nas áreas.
(HT Josias de Souza)

O controle social da mídia em marcha acelerada

Em nome do oba-oba, Lula flerta com ‘Bolsa Viseira’ (Josias de Souza, 19/09/2010):
A chegada de Lula à Presidência, em 2003, produziu uma metamorfose. O ex-PT tomou aversão por CPI. E passou a odiar jornalistas. Receando provar do próprio veneno, o “novo” governo adotou a política da língua presa. Sob Lula, Brasília passou a viver uma fase de oba-oba.

Um período que não pode ser conspurcado pela desenvoltura de jornalistas indiscretos. Ir muito fundo na investigação de qualquer tema tornou-se um desserviço à causa da unanimidade. O repórter que pergunta demais é, agora, um chato a ser contido. Pelo menos até entender que a era do oba-oba extinguiu a velha dicotomia entre certo e errado. Agora só há o conveniente e o inconveniente. E a crítica, definitivamente, não convém. Sobretudo quando chega em ano de eleição. (...)

A mídia, antes sem importância, tornou-se irrelevante. Algo como 80% do eleitorado informa que Lula é um mito inatacável. Esquece-se, de resto, que é o governo, não os jornais, quem controla as máquinas de propaganda oficial e de investigação estatal.

É nulo o risco de o noticiário “de oposição” resultar em consequências indesejáveis. Por vias transversas, o petismo atingiu o sonho do controle da imprensa. No limite, sempre há a alternativa de contrapor aos “tanques” da mídia o modelo leninista. Bem verdade que, junto com ele, viriam a censura e a cadeia.

Mas quem se importa? O silêncio é preço módico quando o que está em jogo é a continuidade que leva à felicidade eterna e mantém a salvo o Brasil do oba-oba.


quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Extirpar o DEM da política ou livrar-se do PT por 30 anos

Claro que derrotar um partido sucessivamente não é a mesma coisa que eliminá-lo da política. Mas ainda que as duas expressões sejam igualmente infelizes - e a política brasileira tem mostrado uma espetacular propensão ao tu quoque mesmo quando se inova na baixaria - não é verdade que a frase de Jorge Bornhausen não foi contestada. Ela tem sido distorcida e repisada desde então, para se encaixar à narrativa que os revisionistas tentam impor (mesmo a Dilma já inventou que a frase original era "acabar com a raça"...). Seguem alguns artigos relevantes, da época.

Colunista condenado por crime de opinião (observatório da imprensa, 2/11/2006):
A expressão "raça" utilizada por ele gerou manifestações de repúdio no governo, no PT e em esferas da esquerda. Cartazes acusando o senador de racismo chegaram a ser distribuídos em Brasília. Diante da repercussão, o senador, que também é presidente do PFL, publicou um artigo no jornal Folha de S.Paulo, em 29 de setembro, em que tentava explicar o uso da expressão.
Emir, o mártir (VEJA de 22 de novembro de 2006) :
Sader escreveu um artigo no site da Agência Carta Maior, no qual chamou o senador de "racista" e "assassino", entre outras amabilidades. Bornhausen, então, o processou por injúria. No fim de outubro, o sociólogo foi condenado a um ano de detenção em regime aberto e a perder o cargo de professor da Universidade do Estado do Rio de Janeiro. Por ser réu primário, a pena foi convertida pelo próprio juiz em serviços comunitários. (...)

Como não estamos em Cuba, Sader, é claro, pode recorrer da sentença em primeira instância. Mas seus amigos e colegas de partido, para gáudio e orgulho do próprio interessado, partiram para a pressão sobre a Justiça, na tentativa de reverter a decisão no grito. Lançaram um manifesto com milhares de assinaturas e andam a escrever artigos indignados, numa prova impressionante de como essa raça tem tempo ("raça" na acepção nove do Aurélio, bem entendido, a mesma usada por Bornhausen).
Lula diz que sociólogo Emir Sader "ousou defender sua raça" (G1, 25/11/2006):
Ele foi convidado para compor a mesa dos trabalhos da reunião do Diretório Nacional da legenda que ocorre hoje. "A sociedade brasileira não pode aceitar que um cidadão se dê ao luxo de querer castigar um companheiro que ousou defender sua raça", disse Lula em discurso, ressaltando que é nas crises que se conhecem os amigos.

[Marco Aurélio] Garcia preferiu vincular a condenação de Sader ao período da ditadura militar.
Ou seja, Lula até endossou o uso do termo raça por Jorge Bornhausen (que afirmou que "a gente vai se ver livre dessa raça por pelo menos uns 30 anos" prevendo a derrota do PT em 2006 após mensalão, aloprados, etc.). Eu usaria a expressão "quadrilha", para ficar claro que se refere aos criminosos, mas tudo bem. Aliás, procurando mais informações sobre o caso, descobri como se pode usar seletivamente a popularidade para absolver políticos.

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

A res publica é minha

Pouco demais « Daniel Piza:
A reação do presidente Lula às críticas de seus opositores e de observadores independentes à violação do sigilo fiscal de tucanos e da família de José Serra, por funcionários da Receita comprovadamente filiados ao PT, só fez endossá-las. Afinal, Lula não reservou nem sequer uma linha do discurso para criticar os aloprados travestidos de servidores. Como presidente de uma nação democrática e não coordenador de uma campanha partidária, tem a obrigação não só de manifestar repúdio a um atentado contra os direitos civis, mas também de mandar que ele seja investigado e punido. Se fosse realmente contra a exploração eleitoral (de resto inútil), trataria de despartidarizar a questão.

O que fez foi exatamente o contrário. Nem é preciso ser um estadista para agir como deveria; basta ser um mandatário ciente de que o cargo é maior que a pessoa. Acontece que em muitos momentos de seus dois mandatos Lula se esqueceu de tão simples fato. Desde a estrela vermelha que mandou podar no jardim do Planalto até os sucessivos palanques aonde subiu ao lado da ministra nos últimos meses, ele sempre se achou acima do bem e do mal – e, quando houve algum mal, botou a culpa na “praxe”. Alguns dias atrás, apareceu com o boné do partido em ocasião oficial.


sábado, 11 de setembro de 2010

A brasileirização do Brasil

Médici, Lula e a tiriricarização da política « Marcos Guterman (Estadão, 10/09/2010):
O que aproxima Lula e Médici é um projeto de unanimidade, fundamentado na ideia de que é preciso união nacional para atingir o objetivo de transformar o Brasil numa grande potência. O resultado disso tudo, tanto nos anos 70 como agora, é o esvaziamento do discurso político, de que a candidatura de Tiririca é apenas seu mais símbolo mais grotesco.

Pior: a oposição é vista como algo danoso ao país. Médici dizia que era necessário “mobilizar a vontade coletiva para a obra do desenvolvimento nacional” e que, embora a unanimidade fosse algo “incompatível com o regime democrático”, o ideal era “compreender que a pátria é uma só” quando estivessem em jogo “os supremos valores da liberdade, do desenvolvimento e da segurança”. Já Lula é mais prático: chama os opositores simplesmente de “turma do contra, que torce o nariz contra tudo o que o povo conquistou nos últimos anos”, como se esses recalcitrantes não fizessem outra coisa a não ser atrapalhar a marcha brasileira rumo a seu destino manifesto. (...)

Naquela época, como hoje, havia delírios de grandeza em política externa. E, sobretudo, naquela época, como hoje, o presidente julgava que a popularidade era uma espécie de chancela automática para dizimar o contraditório e a própria essência da vida política, em nome do “interesse nacional”.
E se você pertence àqueles "intelequituais" que rechaçam qualquer comparação - obviamente, dois eventos históricos distintos não podem ser rigorosamente iguais - leia por exemplo este texto de Reinaldo Azevedo contestando críticas à comparação com o México.

Imagino o leão-de-chácara coletando as assinaturas

Folha.com - Poder - Servidora da Receita diz que Corregedoria a orientou a 'esquentar' violações - 10/09/2010:
A servidora Ana Maria Caroto Cano disse, em depoimento à Polícia Civil de São Paulo obtido pela Folha, que recebeu ordens da Corregedoria da Receita Federal para apagar vestígios de quebras de sigilo fiscal realizadas em seu computador de trabalho, na agência do fisco em Mauá (SP). Foi nesse escritório da Receita que foram violados os sigilos de cinco pessoas ligadas ao candidato a presidente José Serra (PSDB).

(...)

Ao fazer a acusação contra o fisco, a servidora admitiu que ela e seu marido, o contador José Carlos Cano Larios, cometeram o crime de forjar documentos. Por conta disso, Ana Maria, uma funcionária do Serpro cedida à Receita, foi presa pela polícia paulista.
Para saber como descobriram essa estória macabra, leia a reportagem acima e também o resumo no blog do Josias de Souza.

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