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terça-feira, 10 de janeiro de 2017

Escreveu textão a respeito? Então é porque manja mesmo!

Crítico da criminalização e guerra às drogas, o titular da Vara de Execução Penal do Tribunal de Justiça do Amazonas é doutor pela USP e uma referência quando o assunto é sistema penitenciário (escreveu três livros sobre o tema, além de um sobre política de drogas) e já fez inúmeras palestras a respeito.

Se dar palestra e escrever livro fosse indicador de relevância, o Bill Dembski seria biólogo respeitável. Aliás, mais adiante, a "referência" ainda declara humildemente:
Minha tese é uma tese de doutorado de Direito na USP. Então é uma ciência, é uma tese aprovada com louvor, com professor alemão, espanhol na banca, em que eu defendo minhas posições jurídicas – não são posições políticas nem nada – de que os autos de prisão em flagrante por tráfico de drogas têm inúmeras nulidades. Então, quando eu analiso um auto de prisão em flagrante, analiso com base no que estudei cientificamente. 

domingo, 14 de dezembro de 2014

Dois textos sobre as palavras perdendo o sentido para ideologias

Tiranicídios | Dicta & Contradicta:

No livro Abuse of language, Abuse of power, o filósofo alemão Josef Pieper demonstra como o abuso da linguagem usada então não mais para comunicar, mas para a manipular – por meio de propaganda, livros, progamas de TV, reportagens etc. – as opiniões e sentimentos das pessoas. Quando nos referimos aos mass media, à indústria do entretenimento, “não estamos transitando por um território neutro, separado da realidade política e intitulado, digamos, ‘a imprensa’ ou ‘o meio cultural’, ou ‘o universo literário’, como for. O discurso público, a partir do momento que se torna neutro em relação a um padrão estrito de verdade, torna-se, por sua própria natureza, apto a servir de instrumento nas mãos de qualquer governante a fim de promover todo tipo de planos de poder. O discurso público separado de todo padrão de verdade cria, na medida em se torna prevalente, uma atmosfera de prostração e vulnerabilidade epidêmicas à ascensão do reinado de um tirano.”[6]

When Austerity Isn't Austere by Theodore Dalrymple, City Journal Autumn 2014:

But by using the word “austerity,” I convince myself that I am really making a huge sacrifice, beyond which no one can reasonably expect me to go. Indeed, I am already suffering horribly from my austerity, for I really like Meursault with my scallops. But is forgoing it really “severe self-discipline, abstinence, asceticism”?

Analogies, by definition, are inexact, and household accounts are not the same thing as national accounts. Nevertheless, to call a reduction of excess government spending “austerity” seems to be, in essence, a lie designed to give the impression that government spending has been cut to the bone. Perhaps it ought not to be cut to the bone, and perhaps it would be unwise to try to do so; but that is another question entirely.

Mas como disse Seth Barron, "Progressives like to think big. Working out the details is usually someone else’s problem."

terça-feira, 4 de novembro de 2014

O moinho de vento da vez -- ou de como meus colegas estão perdendo a noção de proporção

Imagem adorada pelas esquerdas. Das que batem paus e flashs. (autor da imagem aqui)

Graças a um novo tipo de jornalismo engajado, tenho visto uma movimentação bem triste na minha timeline (twitter e facebook), do pessoal assustado com o que seria o avanço de uma extrema-direita. Fiquem tranquilos, ela não existe senão nos fringes onde sempre existiram. E como passaram a cobrar das 'lideranças da oposição' uma resposta, esquecendo-se contudo de acompanhar ditas respostas, juntei algumas aqui:
Reportagem da Folha de S.Paulo (com manchete mentirosa, aliás):
Questionado sobre as manifestações em favor do impeachment da presidente Dilma Rousseff e o resultado das urnas, Aécio disse que os atos políticos não têm o seu apoio e são condenados pelo PSDB –especialmente os que defendem intervenção militar no país. Segundo o tucano, há pessoas "infiltradas" nos atos políticos para tentar associá-los à oposição.
(...)
Novos eventos de pedido de impeachment da presidente Dilma foram marcados nas redes sociais para o feriado de Proclamação da República, no dia 15, em São Paulo, no Rio e em Brasília. O evento está sendo convocado por dois grupos. Um deles é puxado pelo deputado federal eleito Eduardo Bolsonaro (PSC-SP) e por Paulo Batista, que foi candidato a deputado estadual pelo PRP. O outro é organizado pelo empresário Marcello Reis. Ambos dizem não ser responsáveis pelos pedidos de intervenção militar na última manifestação. "Lógico que tem um grupo que quer intervenção militar, mas não somos um deles", afirmou.
Alckmin diz que não se pode 'aceitar' defesa de intervenção militar - Política - Estadão:
O governador Geraldo Alckmin (PSDB) disse nesta segunda-feira, 3, que as manifestações em favor da intervenção militar, feitas no protesto de sábado na Avenida Paulista, são inaceitáveis.
Máquina de difamação petista engana até tucanos | Rodrigo Constantino - VEJA.com:
Ela diz com todas as letras que eu sou líder de uma direita que quer os militares no poder. É uma acusação muito séria. É uma calúnia, uma difamação. Eu desafio a ex-vereadora a mostrar um só indício de que eu peço intervenção militar no país hoje. Jamais defendi algo do tipo. Jamais preguei isso. E não sou líder de nada, apenas alguém apartidário que ousa pensar por conta própria e não teme a patrulha ao dizer o que pensa.
Andrea Gouvêa Vieira, não satisfeita de mentir em sua página, foi até a minha repetir que eu não a represento. Nunca tive a pretensão de representar todos. Dou voz aos meus pensamentos, que por acaso representam o de milhares de pessoas, vide as curtidas e comentários.
Defendo a democracia republicana com claros limites constitucionais ao poder Executivo e divisão de poderes, uma economia de mercado com liberdade para a iniciativa privada, o estado de direito e a propriedade privada.
Comentário de Olavo de Carvalho (Facebook):
Não peço intervenção militar nem acredito nela. (...)
Uma coisa e entender que, moralmente, os militares teriam a obrigação de intervir. Outra coisa é acreditar que eles o farão, e uma terceira coisa é pedir que o façam.
Dá prá juntar muito mais, mas não tenho muito tempo a perder com essa discussão. No fim vocês estão atacando moinhos de vento, e fico triste que vocês caiam nessa, de uma hora prá outra (OK, influenciados por repórteres sem escrúpulos). E fico um pouco puto também porque eu, que estou sem tempo e acho a discussão ridícula, tenha que gastar os três minutos necessários prá achar as declarações acima. É complicado ficar exigindo explicação de quem a gente não acompanha ou conhece -- essa é a situação perfeita pra se criar um strawman. Criacionistas são experts nessa arte. Se vocês querem saber a opinião do Huguinho ou do Zezinho, vocês terão que fazer o esforço de ler e acompanhar o Huguinho e o Zezinho (ou perder os 3 minutos, como eu fiz).

Gostaria, porém, de ver a mesma cobrança com seus ideólogos de estimação. A diferença é que, se de um lado, o PSDB e que tais logo rejeitam e desautorizam seus idiotas, as esquerdas acolhem e defendem os seus -- vide criminosos julgados, corruptos pegos no ato, exageros de manifestantes e até os discursos oficiais. Os idiotas da esquerda oferecem perigo bem mais real (por número, influência, e proximidade do poder) do que os da direita. Se você insiste em dividi-los assim.

Agora é hora de interpretações caridosas, não de homens-de-palha.
Essa é a diretiva oficial do partido, não de um extremista. Imagina a grita se um PSDB da vida comemorasse seus bandidos? (imagem daqui)

domingo, 10 de novembro de 2013

Brazilian rage at NSA was the sincerest form of flattery

Many people applauded the strong words Brazilian president Dilma Roussef directed at the US, but we should not forget that actions speak louder. And when politics is involved, we can give up any hope of coherence.
Brazil orders Google to hand over Street View data (here you can find the news in portuguese)
Brazilian judges have given US Internet search giant Google until Saturday to turn over private data collected through its Street View program, press reports said Thursday.
Bill Would Allow Brazil to Decree Local Internet Data Storage
Brazil is pushing ahead with legislation that would force global Internet companies such as Google and Facebook to keep data on Brazilian users inside the country, despite opposition from the companies and in Congress. A draft bill made public on Tuesday would grant President Dilma Rousseff decree powers to order companies to set up data centers in Brazil to store personal information on their users as a way of curbing U.S. spying.
The Statesman: Rousseff wants Web servers to be housed in Brazil
President Dilma Rousseff met earlier this week with the Bill's sponsor, Deputy Alessandro Molon of the governing Workers Party, and asked that he insert language into the Bill that would force Internet companies to keep their servers on Brazilian soil if they want to do business in the country, the lawmaker's office said. That would force companies to follow Brazilian privacy laws for the information on those servers.
A Molon spokesman, who would not allow his name to be used because he wasn't yet authorised to speak on the matter, said the legislator and his team were ironing out the exact language to be included in the Bill. The president’s office confirmed that Ms Rousseff met with Molon and Communications Minister Paulo Bernardo Silva on Tuesday, but referred all questions about the meeting to the legislator and the minister. After hours calls to the ministry rang unanswered.
Brazil Wants National 'Antisnoop' Email
The Brazilian government asked Correios (the Brazilian mail agency) to develop a national email system. Scheduled to be launched in the second half of 2014, it will be aimed at commercial security against "snooping." The plan is to create a Brazilian alternative to the popular Hotmail, of Microsoft, and Google's Gmail. The agency had been working on an electronic mailing system for commercial purposes which would include a delivery certification when read by the addressee. (...)
"When I send you an email and I want nobody to snoop. Last year, the U.S. made 311 requests (to companies). They aren't working in the retail market," Brazil's Communication Minister Paulo Bernardo told Folha. "It's necessary to encourage a safer email service." After the cases of espionage by the American government became public, Brazil's Communication Ministry requested the project be expanded into a national service. The government believes that the current services have proved to be vulnerable since Edward Snowden disclosed secret National Security Agency (NSA) documents, showing that American companies are obliged to supply their users' data.
Report - Brazil Monitored French Spies
Brazil's intelligence agency monitored French spies it suspected of involvement in the 2003 explosion at a satellite launch base, the Folha de S. Paulo newspaper said Tuesday, though it was finally determined they played no role. (...) When the explosion occurred, killing 21 engineers and technicians, suspicion fell on the French. Citing unnamed sources, the newspaper said the agency known as ABIN carried out at least three operations against what it called a "network of spies" from France's foreign intelligence agency and its activities in the French-Brazilian Technical and Scientific Cooperation Center and in Brazil's National Space Research Institute. But it said no evidence of sabotage was found and the explosion finally was blamed on poor maintenance and mechanical failures.
Report - Brazil Spied on Embassy Personnel
The Brazilian government confirmed Monday that its intelligence service targeted U.S., Russian, Iranian and Iraqi diplomats and property during spy activities carried out about a decade ago in the capital Brasilia. (...) Brazil's Institutional Security Cabinet, which oversees the Abin intelligence service, said in an emailed statement that all the operations cited in the Folha report "follow Brazilian law for the protection of national interests." (...)
In Monday's statement, Brazil's Institutional Security Cabinet said it planned to prosecute anyone who may have leaked the documents to the Folha newspaper. (...) The Folha report detailed at least 10 intelligence operations carried out in Brasilia in 2003-04, just as former President Luiz Inacio Lula da Silva was settling into office.
Other targets included diplomats from the Russian, Iranian and Iraqi embassies, who were followed and photographed as they came and went from embassies and official residences. In particular, Abin was interested in Russian officials involved in negotiating arms deals in Brazil, and followed Iran's ambassador to Cuba as he visited Brazil.
Brazil Says It Spied on U.S. and Others Inside Its Borders
Still, the report focuses new attention on Abin, an agency that has drawn scrutiny for being caught by surprise by the huge street protests that shook Brazilian cities in June and for quietly ousting an agent suspected of passing secrets to the Central Intelligence Agency. Active intelligence officials have also publicly criticized the agency for prioritizing surveillance of Brazilian social movements. (...) Brazilian intelligence officials insisted in their statement that Abin’s operations were intended to defend “national sovereignty.” Referring to the revelations in the newspaper report, they also said that the leaking of classified material was illegal and that those responsible for doing so would be held accountable under Brazilian law.
Abin espionou jornalistas durante governo Lula (in portuguese only. Iit describes how the Brazilian inteligence agency has been purportedly used to spy journalists and media companies since 2004. This other commentary raises the possibility of the spying in Brasil being much more widespread, waiting for another Snowden to uncover it):
Um documento da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), que descreve detalhes de uma queda de braço travada entre um agente e seus superiores durante o governo Lula, tem valor histórico inestimável. Esse documento, hoje arquivado, é a evidência oficial mais forte até aqui de algo que agentes confidenciavam a jornalistas, mas não podiam provar: o governo Lula espionou a imprensa. O texto revela que houve uma “Operação Mídia”, ação clandestina de espionagem de jornalistas e donos de empresas jornalísticas. VEJA teve acesso ao documento de seis páginas no qual o tenente-coronel André Soares revela a existência da operação ilegal.
So, to "counter" international spying what Ms. Roussef and her government propose is to force internet companies to store data in Brazil (it wouldn't prevent said data from being also under NSA's reach, in the US) and to create a governent e-mail system (we know our data would be safe with them, right?). To me it looks like they are just seizing the moment to implement their own surveilance under the guise of "protection against international interests", their favorite enemy. The Brazilian government  has indeed a very poor relation with individual freedoms, being one of the worst offenders against google for instance (see below, or twitter info) and having a strong tendency to prohibit whatever might be considered offensive -- which encourages people to be offended very easily.
Some more links below.
Battle Over Biographies Rages in Brazil
Now, Veloso is taking a shellacking from the press and his fan base alike, who say he's endorsing censorship by leading the defense of a wide-ranging law that allows Brazilians to block or pull from the shelves any biographical work about them that was created without their consent.
With Brazil's publishers mobilizing to repeal the restrictions, Veloso, romantic crooner Robert Carlos and other singers who became famous under the dictatorship have banded together to defend the 2003 law, which empowers Brazilians to quash works they consider attacks on their "good name or respectability."
That means objections by a biography's subject are enough to get the books removed or even keep them from reaching stores, with many publishers not printing a book if it's not explicitly endorsed by a subject. The law also applies to films and other media, though the debate and legal actions have focused on books. Critics say it is possibly the most extreme law regulating privacy and intellectual property among democratic nations.
Why the NSA Watches Brazil
Not coincidentally some of the world's least free countries are President Rousseff's most important foreign-policy partners. In a September Miami Herald column titled "Why We Spy on Brazil," Cuban-born writer Carlos Alberto Montaner transcribed a conversation with an unnamed U.S. ambassador. The diplomat explained: "The friends of [Lula], of Dilma Rousseff and the Workers Party are the enemies of the United States: Chavist Venezuela, first with (Hugo) Chávez and now with (Nicolás) Maduro; Raúl Castro's Cuba; Iran; Evo Morales' Bolivia; Libya at the time of Gadhafi; Bashar Assad's Syria." He also noted that "in almost all conflicts, the Brazilian government agrees with the political lines of Russia and China." The Brazilian relationship with Cuba is especially troubling. Instead of showing solidarity with Cuba's victims of oppression, the diplomat noted, "former president Lula da Silva often takes investors to the island to fortify the Castros' dictatorship. The money invested by the Brazilians in the development of the superport of Mariel, near Havana, is estimated to be $1 billion."
Press Freedom in Brazil: Sound the Alarm
The recent increase in acts of censorship of and violence against journalists in Brazil underscores a disturbing trend of government apathy. While Brazilian journalists are being threatened, beaten, and even killed, Brazil’s leaders offer their condolences but do little to rectify the problem, sometimes even contributing to it. In more than 70 percent of the murders of journalists in Brazil in the past 20 years, the killer walked away without a jail sentence.[23] This troubling level of impunity could lead to self-censorship by frightened reporters, and demonstrates just how little has been done to protect journalists. Brazil’s press is still relatively free, especially compared to some of its neighbors, but Brazilian supporters of press freedom should definitely begin sounding the alarm.
Google transparency report about Brazil:

Why Rio’s ‘Favelas’ Disappeared On Google Maps
In the run-up to the 2014 World Cup and 2016 Olympic Games, Brazilian tourist boards and Rio’s city hall have been keen to maintain a squeaky-clean image not only in the real world but the digital one as well. So much so, that they asked Google to remove the word “favela” from its city maps. The term itself means slum or shantytown in Portuguese. Hundreds were previously identified as such on maps, but are now labeled as “morros” or hills. Officials believe the change will reduce the prominence given to the favela communities, which they said were given greater importance on maps than conventional neighborhoods like Humaita and Cosme Velho.
Brazil | Freedom House
In late 2012 and early 2013, a spate of legal cases concerning intermediary liability drew worldwide attention to Brazil’s internet policies. In September 2012, a Brazilian electoral court issued arrest warrants for two senior Google Brazil executives, Edmundo Luiz Pinto Balthazar and Fabio Jose Silva Coelho, for failure to remove content prohibited under electoral law. The executives were accused of violating a vague provision that bans campaign material which “offend[s] the dignity or decorum” of a candidate.
(Ups, postei por engano aqui -- esse post deveria aparecer no meu outro blog, que é em inglês. Mas vou deixá-lo aqui, assim mesmo, perdoem-me...)

segunda-feira, 5 de agosto de 2013

A nova elite

Emir Sader – R$1,6 mil reais por minuto! | Reaçonaria

Emir Sader é filósofo e petista histórico. Já colaborou com a elaboração de planos de Governo e documentos oficiais do PT. É próximo de Lula. Emir foi contratado pela EBC (Empresa Brasileira de Comunicação, a responsável pela TV Brasil) e, neste mesmo período, preparou um livro sobre o PT no poder. Seu prestígio é tão grande que Lula e Dilma compareceram ao lançamento do livro. Bem perto dessa data o contrato Emir- EBC foi extendido. (...)
A atualização do contrato de Emir Sader faz com que ele ganhe, por 1 ano, o total de R$279 mil.

Quem são os anarquistas de preto que vandalizam SP (via prof. Orlando Tambosi):

Apesar da presença de menores de idade, a ampla maioria dos encapuzados é composta por jovens na faixa dos 20 anos, estudantes universitários de cursos como História e Ciências Sociais - da pública USP às particulares PUC, FMU e FAAP. São brancos e de classe média, com alguma familiaridade com pensadores da esquerda política - a lista de detidos inclui um professor universitário. Usam calças e casacos pretos. A indumentária também inclui lenços no rosto, mochilas nas costas e tênis, embora alguns prefiram um calçado mais forte: “Cara, estou sem meu coturno hoje”, disse um manifestante em tom de preocupação, na noite de quinta-feira.

Filho de ditador gasta em compras o dobro da dívida com o Brasil (via O Implicante):

Para o clã Obiang, a anistia financeira do Brasil não tem qualquer significado, além de uma espécie de aval político a uma ditadura contestada na ONU e sob investigação em tribunais da Europa e dos Estados Unidos. Para os Obiang, uma quantia de R$ 27 milhões (valor da dívida com o Brasil) é dinheiro de bolso. Teodorín, filho mais velho e virtual sucessor do ditador, gastou o dobro disso numa única noitada de compras na Christie’s, em Paris. Foi durante o leilão da extraordinária coleção de arte de Yves Saint Laurent e Pierre Bergé, em 2009 - informou o Departamento Antilavagem do Ministério das Finanças da França em relatório aos juízes parisienses Roger Le Loire e René Grouman.

Foro de Sao Paulo: um "debate" jornalistico - Olavo de Caevalho vs Breno Altman

Com toda a evidência, as respectivas “ideologias de classe”, no caso, não correspondem à posse ou falta de posse dos meios de produção. Estão sociologicamente invertidas. Mas no Brasil de hoje isso é normal entre intelectuais de esquerda (e suponho que o sr. Altman se creia um deles): sendo incapazes de discernir sua própria posição de classe, e sentindo-se inibidos de perguntá-la ao papai ou à mamãe, encontram alívio de tão angustiante desorientação inventando estereótipos amáveis e detestáveis e os vestem em quem bem desejem, acreditando que com isso estão fazendo análise sociológica.
É assim que os pés-rapados da blogosfera se transmutam na “burguesia” e os potentados da Folha e da Petrobrás no povão oprimido. A resposta do sr. Altman vale o que vale o seu conhecimento das classes sociais no Brasil.

terça-feira, 16 de julho de 2013

Churnalismo contra o CM

(Hoje o assunto é mais pessoal, dado que é uma reportagem completamente irresponsável sobre o Curso de Ciências Moleculares, onde me formei e virei hominho.)

Leio, no que parece ser um dos piores casos recentes de churnalismo, a seguinte passagem:
Ele havia sido convocado a tentar entrar na "graduação secreta" da USP. Secreta porque, apesar de existir há 23 anos, a formação de ciências moleculares não aparece no manual de vestibulandos da Fuvest.
Mas aí, ao baixar o manual da FUVEST 2013 (PDF) , eis que lemos na página 79 (85a folha):

clique na imagem

Basear toda uma reportagem numa premissa falsa é ruim o suficiente. Mas os erros e deturpações deliberadas vão além. O repórter entrevista, além do coordenador do curso, apenas alunos desistentes (jubilados?) e reprovados no exame -- que obviamente terão uma visão parcial e azeda sobre o curso. Tenho certeza que esses "alunos anônimos" não existem (exceto se ele chama de "alunos" a ex-alunos desiludidos). Outras mentiras:
Um dos imbróglios era a rigidez da grade curricular. Quando Fernando se recusou a fazer uma matéria, teve de se submeter a um "tribunal" de professores. Acabou absolvido --permitiram que ele terminasse o curso.
Não há rigidez da grade: no ciclo avançado os alunos podem escolher qualquer curso, de graduação ou pós,  passando por cima dos pré-requisitos. Se o assunto foi parar na comissão (o "tribunal", que nada mais é que a reunião semestral de professores e representantes de alunos), então o que aconteceu provavelmente foi reprovação em uma matéria: a novilígua jornalística diz que o sujeito "se recusou" a realizar uma disciplina do ciclo básico.
Agregou-se à carga draconiana um desafio físico: a sala oficial está em reforma, então cada matéria é dada num prédio da USP.
 Sim, e cada matéria compreende a manhã ou a tarde -- IB, ICB ou IQ pela manhã e IME ou IF pela tarde, que não é diferente do ciclo avançado onde cada matéria é em uma unidade da USP. E que é o mesmo "desafio físico" de escolher um lugar prá almoçar.

Sem dizer que o curso não é "de elite" ou "para a elite". E que não precisa ser convidado -- no meu tempo, a professora Regina Markus ia de Instituto a Instituto, dando palestra aos bixos e falando do curso. E que sempre se pode voltar ao curso de origem sem problemas, sem traumas e sem depressão -- fora o stress legítimo que qualquer aluno passa nessa fase de sua vida. Crescer é complicado, estudar e se dedicar a qualquer curso cansa e deprime, não precisa culpar o Ciências Moleculares. Tenho vários amigos que preferiram deixar o curso -- sem stress, sem nóias e sem amargor -- e seguiram felizes como sempre foram.

Em tempo: obviamente esse post não faz parte de uma crítica generalizada à mídia -- como bem disse um amigo, a Folha não perde para grandes jornais internacionais em qualidade, e tenho jornalistas favoritos ali. Justamente por isso critico (como sempre) os maus jornalistas, para que a imagem desse veículo não seja prejudicada. Assim como na Ciência, há que defender o jornalismo inclusive dos jornalistas.

(Agradeço à lista de discussão do CM pelas informações, em especial ao BlueWhale, ao Eris e ao Bobs :)

Outras reportagens sobre o CM:
Um Nobel na USP? (Superinteressante)
Fábrica de gênios? (Cásper Líbero)
Um curso sem limites (Jornal da USP)
Vinte anos de Curso de Ciências Moleculares, minha primeira Alma Mater (Minuto de Ciência)

Atualização 2013.07.17: todos os manuais da FUVEST que eu busquei aleatoriamente tem sim informação sobre o curso, desde 1994.
Manual da FUVEST 2010 -- PDF (pág 71)
Manual da FUVEST 2007 -- PDF (pág 57)
Manual da FUVEST 2000 -- PDF (pág 64)
Manual da FUVEST 1995 (pág 4)
Manual da FUVEST 1994 (pág 5)

Atualização 2013.07.22: Alunos e professores do CCM respondem à reportagem: http://www.cecm.usp.br/carta-folha.html

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Ensine como se faz, Lula! Mostra tudo!

Uma das características de uma república bananeira é a completa falta de correlação entre o que os políticos dizem e o que implementam na prática. E Lula é um mestre na arte de agradar a platéia, mesmo que tenha que defender uma idéia e seu oposto - a claque nunca questiona a incoerência. Por isso não me espantei ao ler essa declaração dele hoje, defendendo Assange:
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse nesta quinta-feira que deveria haver protesto contra a prisão de Julian Assange, proprietário do site WikiLeaks, que vem vazando documentos diplomáticos.(...)

"Vamos fazer o primeiro protesto então contra a liberdade de expressão na internet porque o rapaz estava colocando lá apenas o que ele leu. E se ele leu é porque alguém escreveu. O culpado não é quem divulgou, mas quem escreveu a bobagem. Então, que fique aqui meu protesto", afirmou o presidente.
Em uma república decente começaríamos observando a defesa de um protesto contra a liberdade de expressão - mas da boca de Lula é bonitinho, é pós-moderno. Lula também já foi avisado que a prisão de Assange não está relacionada ao seu trabalho no Wikileaks (ainda que seja legítimo questionar a coincidência).

É óbvio que Lula quer faturar politicamente com a situação (e nada fatura mais que atacar os EUA ou outras estórias David-Golias), mas ainda assim é muito estranho vê-lo descrever o trabalho de Assange como "desnudar a diplomacia, que parecia inatingível", "colocando a nu um trabalho menor que alguns embaixadores fizeram"... então por que o Brasil continua tão opaco, com uma burocracia tão cara, com tanta censura, após oito anos de luz? E por que ele critica cada vez que alguém divulga as bobagens ditas por seus companheiros? Desnude o Estado, Lula! Dispa o Brasil! Fica aqui o meu protesto.

Seguem alguns recortes de notícias em que pensava enquanto lia as declarações.

Lula: conteúdo vazado por Wikileaks é 'insignificante' (Estadão, 30/11/2010):
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva minimizou a divulgação de telegramas da diplomacia norte-americana pelo site Wikileaks, que aponta corrupção no governo brasileiro. "Eu acho que as coisas que vi são insignificantes que não merecem ser levadas a sério. Na verdade não sou obrigado a acreditar num telegrama do embaixador americano", disse Lula, em entrevista realizada depois de visitar as obras da usina hidrelétrica de Estreito, no Maranhão.
Tribunal Militar libera à Folha acesso a processo de Dilma (Folha Online, 16/11/2010):
O jornal havia protocolado no tribunal mandado de segurança para ter respeitado o direito constitucional de poder acessar os documentos. O presidente do STM, Carlos Alberto Soares, ao negar acesso, por duas vezes, alegou que queria evitar uso político dos documentos.

Em nova sessão marcada por discussões, dez ministros do tribunal votaram pela liberação do acesso. Para eles, trata-se de um "processo histórico", por isso o veto configurava censura e ia contra a liberdade de imprensa. Somente o relator do mandado de segurança, Marcos Torres, votou contra. Segundo ele, o jornal, ao consultar os documentos, iria invadir a intimidade e a privacidade da presidente eleita.
 Presidente Lula critica vazamento de informações da Polícia Federal (Folha Online, 29/05/2007):
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou na noite desta terça-feira o vazamento de informações de investigações da Polícia Federal. Durante abertura do 24º Congresso Brasileiro de Rádio Difusão, em Brasília, Lula defendeu a liberdade de imprensa e garantiu que as operações da PF continuarão.

"Nós ficaremos muito mais tranqüilos se não permitir que um processo vaze para alguém antes de ser concluído, criando uma imagem negativa da pessoa", afirmou.
Opinião de Lula sobre presos cubanos desencadeia críticas (iG, 10/03/2010):
O presidente desqualificou as greves de fome dos presos políticos cubanos e os comparou aos detentos de penitenciárias brasileiras. "Temos que respeitar a determinação da Justiça e do Governo cubanos. A greve de fome não pode ser um pretexto para libertar as pessoas. Imaginem se todos os delinquentes presos em São Paulo fizessem um jejum para pedir libertação", disse. (...)

Algo parecido ocorreu durante a visita do presidente a Cuba há duas semanas. O encontro coincidiu com a morte de Zapata, que fez uma longa greve de fome e que também havia pedido que Lula interferisse por ele. Embora tenha lamentado a morte do dissidente, Lula disse que não recebeu nenhum pedido da oposição e manteve silêncio perante o presidente cubano. Raúl Castro disse que Zapata não era mais que um "delinquente comum" e culpou os EUA pela sua morte.
Governo quer barrar divulgação dos gastos do cartão corporativo da Presidência (Folha Online, 06/02/2008):
Os ministros Dilma Rousseff (Casa Civil), Franklin Martins (Comunicação Social) e Jorge Félix (Gabinete de Segurança Institucional) afirmaram nesta quarta-feira que estão convencidos de que uma eventual CPI dos Cartões Corporativos no Congresso não pressionará o governo federal a revelar dados considerados sigilosos. Eles convocaram uma coletiva para reiterar a necessidade de manter secretas as informações que tenham como objetivo a segurança do presidente da República, do vice e de seus familiares.(...)

A crise envolvendo os cartões corporativos do governo começou no dia 23 de janeiro, quando a Folha publicou uma reportagem informando que os cartões, indicados para gastos como a compra de material, prestação de serviços e diárias de servidores em viagens, foram usados em 2007 para pagar despesas em loja de instrumentos musicais, veterinária, óticas, choperias, joalherias e em free shop.
Confecom quer ressuscitar Conselho Nacional de Jornalismo (Estadão, 16/12/2009):
A 1ª Conferência Nacional de Comunicação (Confecom) decidiu ressuscitar a proposta de criação do Conselho Nacional de Jornalismo (CNJ). A Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) havia tentado aprovar o CNJ durante o primeiro governo de Luiz Inácio Lula da Silva, mas a proposta foi rechaçada sob o argumento de que era um forma de o governo controlar os meios de comunicação.
Para Palocci, PNDH erra ao propor controle da mídia (Estadão, 01/03/2010):
Único a defender a continuidade do governo Lula, com uma eventual vitória da pré-candidata do PT, ministra Dilma Rousseff (Casa Civil), o deputado federal Antonio Palocci Filho (PT-SP) minimizou a importância de projetos do governo federal, como o Plano Nacional de Direitos Humanos (PNDH-3) e o próprio plano de governo de seu partido. "Eu não vejo necessidade de uma ação governamental junto à imprensa em defesa dos direitos humanos, porque a nossa Constituição já fala sobre isso. O jornalista ou o dono de um veículo de imprensa deve respeito à Constituição, como todo cidadão", disse Palocci. "Eu não quero condenar o PNDH, mas não concordo com a forma como foi colocada essa questão", conclui o deputado.
Dirceu: Brasil tem ‘excesso de liberdade’ de imprensa (blog do Josias de Souza, 15/09/2010):
As palavras de Dirceu não deixam dúvidas quanto à presença dele na definição dos rumos do PT e no dia-a-dia da campanha de Dilma Rousseff. Para ele, o jogo da sucessão de Lula está jogado. Acha que, sob Dilma, o PT terá mais peso do que teve nas gestões de Lula. (...) Entre as reformas que julga pendentes, listou a demcoratização dos meios de comunicação. Acha que há “excesso de liberdade” de imprensa no país, "abuso do poder de informar".
Vice-presidente do PT defende regulamentação(Estadão, 9/12/2010):
O vice-presidente nacional do PT, deputado estadual Rui Falcão (SP), disse ontem que o avanço da democracia no País acabará provocando um debate nacional sobre a necessidade de regulamentação dos meios de comunicação. (...)

"Até o Judiciário hoje tem controle externo, após muito debate. Por que o único poder sem controle, sem regulamentação, há de ser o dos meios de comunicação?", perguntou Falcão. Para o vice-presidente do PT, a falta de regulamentação acaba provocando irresponsabilidades: "Em vários países do mundo não existe liberdade de expressão como há hoje no Brasil, muitas vezes beirando a irresponsabilidade."

A mim me parece que o wikileaks é oposição (e deve ser tratado como tal). Dessas que o Lula sempre diz que atrasam o país.

domingo, 31 de outubro de 2010

Mitificando o presente, distorcendo o passado

A miséria da política (Estadão, 30 de outubro de 2010):
A campanha oficial procurou pregar a mentira de que o governo FHC tencionava privatizar a companhia. Lorota de pernas curtas: como se não bastasse a suposta intenção jamais ter figurado em programa, discurso ou documento do governo anterior, há carta pública do ex-presidente ao Senado comprometendo-se com a permanência da Petrobrás em mãos do Estado brasileiro, sob o regime de competição regulada estabelecido em 1997. A companhia não apenas permaneceu sob controle estatal, como se tornou muito mais competitiva sob o novo regime.

Findo o monopólio da Petrobrás, mas assegurada a propriedade da União sobre o subsolo brasileiro, com mais competição, novas empresas e maiores investimentos, a participação do setor de petróleo e gás cresceu de 2% para 12% do produto interno bruto (PIB), gerando maior renda e mais e melhores empregos. Base sólida para o candidato do PSDB passar à ofensiva e perguntar o porquê de o governo atual querer mudar, para a exploração do pré-sal, um regime que se mostrou tão bem-sucedido. Quais as vantagens e os riscos de o Estado brasileiro ingressar no comércio de barris de petróleo, em lugar de arrecadar tributos? A quem poderia interessar a entrada do Estado num negócio pouco transparente que tanta margem oferece a ganhos ilícitos? A legislação atual já não permite, por simples decreto presidencial, capturar para o Estado brasileiro os ganhos extraordinários que possam advir da exploração do pré-sal? Por que, então, fazer uma mudança atabalhoada, em regime de urgência constitucional, sem tempo para que o Congresso Nacional e a sociedade pudessem conhecê-la e discuti-la?


sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Direita, esquerda, não são substitutos para o raciocínio

Econosheet: A esquerda mitomaníaca:
Isso não é uma classificação do que o autor acha que é direita e esquerda, é do que ele acha que são o bem e o mal. O problema é que ele é de esquerda e sofre de uma patologia comum a vários esquerdistas (e alguns direitistas): achar que aqueles que concordam com ele são os bons e que os que discordam são os maus. Quando essa idéia ganha força, o que se faz é mandar os maus pro paredão, os pensamentos deles são ruins demais pra continuar existindo. Já viram essa história antes?
(HT Claudio Shikida)

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Diz-me com quem andas...


E veja também a reação de Dilma à reportagem da Folha, sem dublê. Como conclui Da C.I.A.:
O modo como ela se comportou é duplamente útil: Primeiro vemos uma típica postura autoritária e ameaçadora contra um jornalista que provavelmente não é o responsável pela matéria e que dificilmente teria autoridade para responder pelo jornal. Segundo, por sua distorção dos fatos e confusão com os dados, fica mais claro por que esta gente odeia tanto a Imprensa: Eles mal sabem ler!





sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Dois textos de Renato Pacca

Incoerência Ambulante:
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou os peritos do INSS que estão em greve e reivindicam redução da jornada de trabalho para 30 horas semanais. Em tom irônico, disse que acha "muito engraçado" que no Brasil as pessoas queiram trabalhar menos. Segundo ele, "virou mania" querer trabalhar 30 horas e logo todos "vão querer ganhar sem trabalhar".

Ocorre que o presidente acaba de sancionar a Lei n o12.317, de 26 de agosto de 2010, fixando a duração do trabalho do assistente social em exatas 30 horas semanais, o que nos faz lembrar a época em que o Congresso Nacional votou a derrubada da CPMF e Lula buscou inspiração na obra de Raul Seixas para justificar sua súbita e apaixonada defesa da contribuição que outrora tanto criticou.

Ao criticar os peritos do INSS em greve pela jornada de 30 horas semanais, cinco dias após ter sancionado a lei que garante o mesmo direito aos assistentes sociais, o presidente revela-se mais preocupado com os danos que possam ser causados à imagem de seu governo do que com a coerência de ideias.
Protogenes se retratou...:
Na entrevista à Caros Amigos, Protógenes contou que prendeu um rapaz que transportava dinheiro do Paraguai e o depositava em contas CC5, destinadas a remessa de valores ao exterior. Segundo o delegado, ele só foi liberado porque o então presidente do Banestado, Reinhold Stephanes, teria pago uma fiança de R$ 500 mil. “Aí comprovei que estava no esquema”, disse.

Pois é. Stephanes levou o caso à Justiça Criminal e recentemente o assunto terminou em retratação. Protógenes afirmou que tinha “conhecimento parcial dos fatos” quando acusou o ex-ministro. “Se as afirmações prolatadas de qualquer forma atingiram a honra do Sr. Reinhold Stephanes, esta não foi a sua intenção”, diz Protógenes referindo-se a si mesmo em terceira pessoa. Em carta, assinada no dia 26 de julho, ele afirma que, ao esclarecer os fatos mais tarde “pôde constatar não ter o Sr. Reinhold Stephanes participado de nenhuma forma deles”.


quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Extirpar o DEM da política ou livrar-se do PT por 30 anos

Claro que derrotar um partido sucessivamente não é a mesma coisa que eliminá-lo da política. Mas ainda que as duas expressões sejam igualmente infelizes - e a política brasileira tem mostrado uma espetacular propensão ao tu quoque mesmo quando se inova na baixaria - não é verdade que a frase de Jorge Bornhausen não foi contestada. Ela tem sido distorcida e repisada desde então, para se encaixar à narrativa que os revisionistas tentam impor (mesmo a Dilma já inventou que a frase original era "acabar com a raça"...). Seguem alguns artigos relevantes, da época.

Colunista condenado por crime de opinião (observatório da imprensa, 2/11/2006):
A expressão "raça" utilizada por ele gerou manifestações de repúdio no governo, no PT e em esferas da esquerda. Cartazes acusando o senador de racismo chegaram a ser distribuídos em Brasília. Diante da repercussão, o senador, que também é presidente do PFL, publicou um artigo no jornal Folha de S.Paulo, em 29 de setembro, em que tentava explicar o uso da expressão.
Emir, o mártir (VEJA de 22 de novembro de 2006) :
Sader escreveu um artigo no site da Agência Carta Maior, no qual chamou o senador de "racista" e "assassino", entre outras amabilidades. Bornhausen, então, o processou por injúria. No fim de outubro, o sociólogo foi condenado a um ano de detenção em regime aberto e a perder o cargo de professor da Universidade do Estado do Rio de Janeiro. Por ser réu primário, a pena foi convertida pelo próprio juiz em serviços comunitários. (...)

Como não estamos em Cuba, Sader, é claro, pode recorrer da sentença em primeira instância. Mas seus amigos e colegas de partido, para gáudio e orgulho do próprio interessado, partiram para a pressão sobre a Justiça, na tentativa de reverter a decisão no grito. Lançaram um manifesto com milhares de assinaturas e andam a escrever artigos indignados, numa prova impressionante de como essa raça tem tempo ("raça" na acepção nove do Aurélio, bem entendido, a mesma usada por Bornhausen).
Lula diz que sociólogo Emir Sader "ousou defender sua raça" (G1, 25/11/2006):
Ele foi convidado para compor a mesa dos trabalhos da reunião do Diretório Nacional da legenda que ocorre hoje. "A sociedade brasileira não pode aceitar que um cidadão se dê ao luxo de querer castigar um companheiro que ousou defender sua raça", disse Lula em discurso, ressaltando que é nas crises que se conhecem os amigos.

[Marco Aurélio] Garcia preferiu vincular a condenação de Sader ao período da ditadura militar.
Ou seja, Lula até endossou o uso do termo raça por Jorge Bornhausen (que afirmou que "a gente vai se ver livre dessa raça por pelo menos uns 30 anos" prevendo a derrota do PT em 2006 após mensalão, aloprados, etc.). Eu usaria a expressão "quadrilha", para ficar claro que se refere aos criminosos, mas tudo bem. Aliás, procurando mais informações sobre o caso, descobri como se pode usar seletivamente a popularidade para absolver políticos.

domingo, 12 de setembro de 2010

O verdadeiro monopólio das comunicações

Senado: 32% dos parlamentares têm concessões de TV ou rádio - Já voto: O Globo:
Além da TV Senado, 32% dos senadores brasileiros tem outras formas de comunicação: concessões de TV e rádio. São 26 dos 81 parlamentares, sendo 15 deles de estados nordestinos, cinco da Região Norte, três do Sudeste, dois do Centro-Oeste e um do Sul. (...)

Para o cientista político Eurico de Lima Figueiredo, professor da UFF, o Nordeste é mais sucetível a esse tipo de prática por ser uma região em que os políticos são menos vigiados pelos cidadãos, que sofrem com os piores índices sociais do Brasil. Figueiredo aponta a prática como uma nova modalidade do velho coronelismo e seus currais eleitorais
Está claro que apontar um "monopólio" dos meios de comunicação é uma bobagem: há várias empresas, em várias mídias, competindo entre si. O problema mesmo é a troca de favores entre as empresas (quaisquer, não apenas de comunicação) e o governo, que de fato reduz a competição. O exemplo mais claro é a milionária e inútil EBC - a TV Lula, que surgiu como alternativa a um monopólio inexistente, mas na prática é a expressão última em escala nacional desse coronelismo criticado no texto.

sábado, 4 de setembro de 2010

Moral elástica

Trecho do texto "Faca na mão, multiculturalismo no coração" [Diogo Costa no OrdemLivre.org]:
Não existem diferentes lógicas assim como não existem diferentes justiças ou diferentes verdades. E a verdade é que, se o assassinato de inocentes é um crime, uma violação de justiça para todos os humanos, logo será crime se for praticado no oeste europeu, no leste asiático, ou no centro-oeste brasileiro. Direitos humanos se aplicam a toda a humanidade, não apenas a crimes cometidos por ocidentais contra outras culturas, ou por maiorias contra minorias.

Drª. Neusa provavelmente acredita no progresso, que as transformações ocorridas no Brasil e no resto do mundo civilizado nos últimos 50 anos foram provavelmente positivas. Mas não acredita no progresso para os outros. Os outros devem permanecer exatamente como são no momento da observação do cientista social. A compreensão do valor da vida humana, da dignidade de cada pessoa, pode ser ensinada aos filhos da Drª. Neusa, mas não aos seus vizinhos étnicos. Eles não podem ter nenhum tipo de progresso moral, devem permanecer praticando os mesmos hábitos, trabalhando nas mesmas profissões, e morrendo das mesmas doenças. Quem lhes trouxer mudanças que ampliem sua expectativa de vida e sua capacidade de escolha será considerado um corruptor cultural.

O multiculturalismo da Drª. Neusa está protegendo a civilização indígena dos hábitos ocidentais da mesma forma que um muro de Berlim protegia os alemães orientais da liberdade ou a pobreza de Bangladesh protege seus habitantes da prosperidade.
Dica do De Gustibus, que recomendou também essa notícia do Estadão:
No dia seguinte à abertura oficial das conversas de paz entre israelenses e palestinos, a segurança foi reforçada em toda a cidade de Jerusalém, que recebeu mais de 120 mil fiéis muçulmanos para as rezas da última sexta-feira do Ramadã na Esplanada das Mesquitas, que ocorre também às vésperas do ano-novo judaico.

A tensão, acima do normal, justifica-se pela ameaça de grupos radicais palestinos de intensificar seus ataques para impedir o avanço das conversações. Na Faixa de Gaza, 13 milícias radicais - que incluem do braço armado do Hamas, o Ezzedine Al-Qassam, a grupos locais pouco conhecidos - divulgaram um documento conjunto no qual pregaram o aumento dos atentados contra israelenses.
Sobre as negociações, leia o comentário de Marcos Guterman:
O governo do Irã chamou de “traidores” os países árabes que estimularam e estão participando da retomada das negociações de paz entre Israel e palestinos. Ao mesmo tempo, o Hamas, associado de Teerã, anunciou que vai intensificar os ataques contra Israel, com ajuda de outros grupos terroristas, com a deliberada intenção de sabotar o diálogo. O Hizbollah, outro associado do governo iraniano, aplaudiu o atentado do Hamas que matou quatro colonos israelenses, entre eles uma mulher grávida, dizendo que “essa é a maneira de liberar a Palestina”.




sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Fashionable Nonsense

Trechos de resenha escrita por do Roberto Fernández sobre o livro "Imposturas Intelectuais", de Sokal e Bricmont:
Os cientistas Alan D. Sokal (Universidade de Nova Iorque) e Jean Bricmont (Universidade Católica de Lovaina, Bélgica) sustentam que intelectuais de renome, associados à corrente convencionalmente conhecida como “pós-modernismo”, têm incorrido sistematicamente em “abusos reiterados de conceitos e termos provenientes das ciências físico-matemáticas”, a ponto de constituírem verdadeiras imposturas intelectuais. Podem ser identificados quatro tipos de abusos:
  1. “Falar abundantemente de teorias das quais se tem, no máximo, uma vaga idéia”;
  2. “Importar noções das ciências exatas para as ciências humanas sem dar a menor justificação empírica ou conceitual”;
  3. “Exibir uma erudição superficial ao jogar, sem escrúpulos, termos especializados na cara do leitor, num contexto em que eles não têm pertinência alguma”; e
  4. “Manipular frases desprovidas de sentido e se deixar levar por jogos de palavras”.
(...)
Os exemplos no livro falam por si. Para alguém com uma mínima formação científica, sugerem diversas questões para debate. Será que o hiato entre as “duas culturas” de Snow foi ampliado ou fossilizado? Será que todo um setor da intelectualidade, cuja atividade se baseia no discurso, nas argumentações teóricas, no confronto de pontos de vista, está perdendo a capacidade de compreender o método científico submetido ao controle inexorável dos experimentos? Será que a analogia injustificada e as “provas” por combinação de frases sugestivas são uma metodologia aceitável nas humanidades? Será que os argumentos baseados na precedência, inerentes às pesquisas nas humanidades, degeneraram-se num princípio de autoridade que acha os erros de Hegel mais confiáveis que 150 anos de desenvolvimento matemático? (Não é isso uma regressão aos tempos em que, quando as observações discrepavam da doutrina de Aristóteles, se preferia esta última?) Ou será que um verdadeiro menosprezo pela lógica e pelos desenvolvimentos científicos tem sido instalado em estratos visíveis da intelectualidade, perpetuado por círculos nos meios de comunicação inclinados a modas ou não qualificados e amparado na falta generalizada de formação científica, na indiferença (próxima ao pedantismo dos próprios cientistas) e numa tradição humanista de tolerância e não comprometimento, que deixa nas mãos do tempo a depuração do que vale?
Eu recomendo fortemente a leitura desse livro (leia a resenha também). Eu li a versão americana, chamada "fashionable nonsense", que foi extraviada na minha mudança - juntamente com todos os meus livros de filosofia da ciência...

O prof. Alan Sokal mantém uma lista de debates de quando publicaram o embuste e o livro - há também vários outros artigos interessantes.



sexta-feira, 16 de julho de 2010

Está fácil divulgar press release, difícil é o leitor conseguir avaliar



Blog do Planalto desafia legislação eleitoral e divulga realizações de Lula - Folha, 16/07/2010:
Mantido pela Secretaria de Comunicação da Presidência, o Blog do Planalto divulga obras e realizações do governo Lula no período em que a legislação restringe publicidade institucional.

Temas como a expansão de benefícios sociais para as mulheres e a massificação de acesso ao financiamento habitacional se misturam à defesa dos discursos do presidente no diário virtual, hospedado no portal da administração e abastecido por funcionários públicos.
Carta sobre descriminalização da maconha divide neurocientistas - G1, 15/07/2010:
Uma carta que pede a discussão da descriminalização do uso recreativo da maconha assinada por quatro neurocientistas brasileiros dividiu opiniões entre os pesquisadores da área. Dos quatro signatários, três são membros da diretoria da Sociedade Brasileira de Neurociências e Comportamento (SBNeC). Nesta quinta-feira (15), a entidade divulgou uma nota esclarecendo que o documento não é representativo de toda a SBNeC.

“A carta foi originalmente escrita por diretores, mas ela não fala em nome de toda a SBNeC”, afirmou o presidente da entidade, Marcus Vinícius Baldo, da Universidade de São Paulo, ao G1. (...)

O neurocientista Jeferson Cavalcante, da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), discorda da iniciativa. “Aos cientistas cabe apenas dar os fatos, não opinar sobre o que a sociedade deve fazer. Uma coisa é mostrar os efeitos da maconha no cérebro. Isso é o aspecto científico. Mas há um aspecto social e cultural envolvido nessa questão também”, acredita.

O presidente da SBNeC diz respeitar a opinião dos quatro signatários da carta, mas discorda da “dimensão que essa história tomou”. “A discussão extrapolou as balizas científicas e adquiriu uma cor ideológica que de forma alguma tem o apoio da SBNeC. Com isso eu não concordo”, afirma Marcus Vinícius Baldo.


segunda-feira, 14 de junho de 2010

Lula diz que quem faz dossiês são "os outros"

Folha Online - Blogs - Josias de Souza:
Curioso, muito curioso, curiosíssimo. Recrutados por Ricardo Berzoini, os “aloprados” de 2006 integravam um tal núcleo de “inteligência” da campanha de Lula. Os “neo-aloprados” de 2010 frequentavam a equipe de comunicação do comitê de Dilma, em fase de reestruturação. Se quiser ser tomado a sério, Lula terá de trazer aos holofotes algo além de desconversa.


quarta-feira, 12 de maio de 2010

Antropólogos que preferem um carteiraço a argumentos?

No Jornal da Ciência está publicada uma nota da  Associação Brasileira de Antropologia (ABA) contra uma reportagem da Veja. Um trecho da nota:
A linguagem utilizada é unicamente acusatória, servindo-se extensamente da chacota, da difamação e do desrespeito. As diversas situações abordadas foram tratadas com extrema superficialidade, as descrições de fatos assim como a colocação de adjetivos ocorreram sempre de modo totalmente genérico e descontextualizado, sem qualquer indicação de fontes. (...)

Ao menos no que concerne aos indígenas as matérias elaboradas pela Veja, apenas requentam informações velhas, descontextualizadas e superficiais, assumindo as características de uma campanha, orquestrada sempre pelos mesmos figurantes, que procuram pela reiteração inculcar posturas preconceituosas na opinião pública. (...)

Numa análise minuciosa desta revista, realizada em seu site, o jornalista Luis Nassif fala de uma perigosa proximidade entre lobistas e repórteres nas revistas classificadas como do estilo "neocon".
E um trecho da reportagem da Veja:
A maioria desses laudos é elaborada sem nenhum rigor científico e com claro teor ideológico de uma esquerda que ainda insiste em extinguir o capitalismo, imobilizando terras para a produção.
Leiam, e tirem suas conclusões. Prá mim, falta muita leitura e interpretação de texto para quem escreveu essa nota de repúdio. Por exemplo, ao criticar o tom acusatório do outro, não é producente acusar sem provas também.

Há também erros primários de interpretação, como dizer que "90% estariam em mãos de indígenas, quilombolas e unidades ambientais" quando a reportagem claramente diz "[s]e a conta incluir também os assentamentos de reforma agrária, as cidades, os portos, as estradas e outras obras de infraestrutura, o total alcança 90,6% do território nacional". Ou
Subtítulos como "os novos canibais", "macumbeiros de cocar", "teatrinho na praia", "made in Paraguai", "os carambolas", explicitam o desprezo e o preconceito com que foram tratadas tais pessoas.
Quando a revista está comprovando (sim, com dados e entrevista) que esses indivíduos são, sim, falsos índios, e a defesa dos índios de verdade depende dessa distinção básica. Não há preconceito algum em dizer que o Sr. José Ailson da Silva, o "novo canibal", já se declarou pataxó, e depois tupinambá (extintos há 400 anos, segundo a Veja) ao ser rechaçado pelos pataxós de verdade. No afã de defender o Sr. José (que, diz a revista, vive do roubo e invasões) e quem queira imitá-lo, a ABA banaliza e ataca os pataxós. Na reportagem há também um impressionante caso descrito no quadro "Não basta ser negro", mostrando como os direitos das minorias são desrespeitados para favorecer as minorias com pedigree, "engajadas". As críticas da revista ao menos são consistentes com os dados expostos. O que não quer dizer que os dados sejam verdadeiros, mas ainda não vi contestação nem na excelente oportunidade dada à ABA.

Em resumo: a Veja ataca, sim, alguns antropólogos, que mostra-se na reportagem são incompetentes. A ABA, em vez de expurgar esses maus pesquisadores (ou mostrar que estão corretos) os defende dizendo que "[o]s profissionais que realizam tais tarefas foram todos formados e treinados nas universidades e programas de pós-graduação existentes no país", e ataca a revista. Ou seja, um ad hominem e um argumento de autoridade. Essa declaração não pode ser interpretada exatamente como um elogio às instituições de ensino. A ABA faria muito melhor se contestasse os dados, não as intenções. Essa é uma prerrogativa da revista de que não gozam os cientistas. Não enquanto cientistas, talvez como ideólogos...



terça-feira, 4 de maio de 2010

Leituras da Semana

Especial: A indústria da demarcação de terras - Edição 2163 - Revista VEJA:
Os laudos antropológicos são encomendados e pagos pela Fundação Nacional do Índio (Funai). Mas muitos dos antropólogos que os elaboram são arregimentados em organizações não governamentais (ONGs) que sobrevivem do sucesso nas demarcações. A quantidade de dinheiro que elas recebem está diretamente relacionada ao número de índios ou quilombolas que alegam defender. Para várias dessas entidades, portanto, criar uma reserva indígena ou um quilombo é uma forma de angariar recursos de outras organizações estrangeiras e mesmo do governo brasileiro. Não é por outro motivo que apenas a causa indígena já tenha arregimentado 242 ONGs. Em dez anos, a União repassou para essas entidades 700 milhões de reais.
De Tegucigalpa a Teerã – Sem entender do assunto, brasileiros debatem política externa « Gustavo Chacra:
Este debate sobre política externa é positivo e nos abre para o mundo. Claro, temos que ouvir besteiras homéricas, já que pessoas com pouca experiência internacional escrevem sobre o assunto. Vemos situações bizarras de criticarem iranianos e israelenses sem jamais terem postos os pés no Oriente Médio e, acreditem, terem conversado com um muçulmano ao vivo. Generalizam “os muçulmanos” e insistem em criticar a religião islâmica, os persas e os árabes (muitas vezes cristãos), além, claro, do tradicional anti-semitismo, existente bem antes de política externa ganhar espaço no Brasil. Ou, como no caso da administração brasileira e da maioria dos órgãos de imprensa, de chamar de golpe a deposição do presidente hondurenho, prevista na Constituição daquele país.
Honduras e o conceito “flex” de democracia | Marcos Guterman:
O presidente Lula acha “precipitado” que se aceite o retorno de Honduras à comunidade internacional. Para ele, segundo seu porta-voz, reconhecer o governo de Porfírio Lobo agora seria “criar precedente perigoso para eventuais e futuros regimes de exceção” na América Latina. Para lembrar: Porfírio Lobo foi eleito depois que Manuel Zelaya foi removido do poder por tentar mudar a Constituição, com a ajuda do venezuelano Hugo Chávez, para se perpetuar no poder. (...)

O mesmo zelo, no entanto, não é observado quando se trata de Cuba, que não é um “futuro regime de exceção” na América Latina, mas sim uma antiqüíssima ditadura – que, no entanto, goza de profunda admiração de Lula. Enquanto as decisões internas em Honduras não são consideradas válidas pelo governo brasileiro, as decisões internas em Cuba – como perseguir dissidentes – são vistas como um problema exclusivamente cubano.
O silêncio é menos absurdo do que o som da insensatez | Augusto Nunes - VEJA.com:
Acampados nas colunas dos grandes jornais, os profetas da imprensa não se rendem. A tribo previu a rendição sem luta de José Serra, a ruptura entre o governador paulista e Aécio Neves, a deserção de Tasso Jereissati, a aparição de rachaduras na aliança entre o PSDB, o DEM e o PPS, a reedição em escala ampliada do espetáculo da incompetência política apresentado em 2002 e 2006. (...)

Como se não fosse possível, enfim, diagnosticar a cada discurseira um caso incurável de indigência intelectual. “Ela precisa concluir o raciocínio”, descobriu Lula na semana passada. O problema é bem mais grave. Só pode ser concluído o que começa, e Dilma Rousseff é incapaz de articular um raciocínio lógico. É aceitável que Lula não saiba disso: ele não conseguiria enxergar diferenças entre um Franklin Roosevelt e um Evo Morales. É compreensível que o rebanho engula Dilma sem engasgos: os devotos do Mestre engoliram até José Sarney fantasiado de homem incomum. O espantoso é o engajamento na farsa dos colunistas videntes.
Rodrigo Constantino: A Influência de Lula:
Hitler, aquele que ajudou a fundar o Partido dos Trabalhadores na Alemanha, aquele defensor do nacional-socialismo, aquele que contava com um marqueteiro profissional para enganar o povão, aquele que conquistou amplo apoio popular com sua retórica sensacionalista e antiliberal, enfim, aquele mesmo que foi responsável pelo Holocausto, já foi o “homem do ano” desta mesma revista [Time]. Além dele, outro que consta na lista é Aiatolá Khomeini, que foi o vencedor em 1979. Uma turma influente, sem dúvida. Mas ninguém diria que a influência foi positiva! Ou quase ninguém...

Para piorar a coisa, está na mesma lista deste ano a ex-candidata Republicana Sarah Palin. Sim, essa mesmo, que foi ridicularizada pela esquerda toda – não sem boa dose de razão.
Correção: Serra não comparou fumantes a ateus, diz agência RBS - O Globo:
O "Jornal de Santa Catarina", do grupo RBS, corrigiu nesta segunda-feira informação errada divulgada sobre a visita do ex-governador José Serra, pré-candidato do PSDB à Presidência, ao estado para participar do Congresso Internacional dos Gideões Missionários, no sábado à noite. Diferentemente do que divulgou a agência RBS - e foi publicado em diversos veículos, inclusive no GLOBO --, Serra não se referiu a fumantes como pessoas "sem Deus". Na verdade, o discurso do tucano não relacionou diretamente o fumo com a religião.

Chamou-me a atenção nesse "erramos" d'O Globo um comentário que dizia "Como leitor do Globo desde que me entendo por gente e do Globo On Line desde 2001, percebo com facilidade que esta matéria foi arquitetada para promover essa declaração típica de clichê do Serra". Se entendi direito, a notícia mentirosa (da qual o Serra não vai se livrar tão cedo) é na verdade uma manobra insidiosa para aumentar a popularidade do candidato? Realmente, para alguns é mais fácil ajustar a realidade à sua teoria do que o oposto...




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