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sábado, 16 de agosto de 2014

Quem fará passeata por esses mortos?

Iraqi civilian death toll passes 5,500 in wake of Isis offensive | World news | The Guardian:

The violence in Iraq has killed more than 5,500 civilians over the first six months of the year, according to a report by the United Nations that documents the massive humanitarian toll of the Sunni militant offensive.

Estado Islámico ejecuta a más de 700 personas en Siria en 2 semanas:

Los yihadistas del Estado Islámico (EI) han ejecutado a más de 700 personas, en su mayoría civiles, durante las últimas dos semanas en el este de la provincia siria de Deir al Zur (noreste), según confirmó el Observatorio Sirio de Derechos Humanos (OSDH). (...) Además, el OSDH asegura haber podido documentar los nombres de decenas de esas víctimas y señala que cientos de los ejecutados por el EI fueron sacrificados después de sus familias, y les cortaron la cabeza para luego mostrarla en lugares públicos.

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quarta-feira, 30 de outubro de 2013

Suas definições de esquerda foram atualizadas!

PAC – Programa de Aceleração do Credo | Religiosamente - Folha de S.Paulo - Blogs
O governo Fernando Haddad (PT) fez um aceno aos religiosos na sexta passada, 25, nada por acaso o Dia do Pastor. Começou ali seu “PAC – Programa de Aceleração do Credo”, como bradava um líder evangélico no Salão Nobre da Câmara Municipal de São Paulo (...). O pacote de benesses incluiria abrandar a Lei do Psiu para cultos barulhentos (menos igrejas multadas) e facilitar construção e regularização de templos (mais igrejas liberadas).
La izquierda beata de América Latina | Internacional | EL PAÍS
Persignarse y dar avemarías es reacción común entre la mayoría de los presidentes identificados con la izquierda en América Latina cuando en sus países se invocan reformas vinculadas con derechos civiles que contrarían la tradición. En temas como la despenalización del aborto o del consumo de drogas blandas y el establecimiento del matrimonio homosexual, sus posiciones tienden al conservatismo, y el mensaje religioso es incorporado cada vez con mayor frecuencia en sus discursos políticos y en su argumentación. En el continente donde convive la mayor comunidad católica del mundo, la izquierda parece haberse convertido.

terça-feira, 12 de outubro de 2010

Quando o PT vai tomar partido?

O partido que quer ser maior que a sociedade (Renato Lima no Ordem Livre):
O apoio do PT ao aborto não é matéria de notícia anônima (é fato comprovado), nem é sussurado por pessoas que se escondem. Portanto, não é boato.
Boato, na campanha presidencial, foi ter espalhado, em 2006, que Alckmin se eleito iria privatizar a Petrobras, o Banco do Brasil e outras estatais. Era informação sem confirmação: não estava em nenhum plano do partido do candidato e essas empresas não tinham sido colocadas no Programa Nacional de Desestatização que era comandado pelo BNDES quando o PSDB esteve no governo. Mesmo assim a informação correu publicamente. É a definição de boato.
Boato é dizer que, se eleita, a oposição vai acabar com o Bolsa-Família. Não importa que os programas sociais de transferência de renda com foco tenham sido criados no governo FHC e apenas reunidos sob um único nome no governo Lula. Mas a informação, falsa, é propagada contra a oposição para colocar os mais necessitados (quem recebe o Bolsa-Família) automaticamente contra uma alternativa de mudança democrática. É outra forma de boato interferindo no jogo democrático de se decidir quem é o melhor para governar o país.

vídeo via Imprensa Marrom

sábado, 11 de setembro de 2010

A brasileirização do Brasil

Médici, Lula e a tiriricarização da política « Marcos Guterman (Estadão, 10/09/2010):
O que aproxima Lula e Médici é um projeto de unanimidade, fundamentado na ideia de que é preciso união nacional para atingir o objetivo de transformar o Brasil numa grande potência. O resultado disso tudo, tanto nos anos 70 como agora, é o esvaziamento do discurso político, de que a candidatura de Tiririca é apenas seu mais símbolo mais grotesco.

Pior: a oposição é vista como algo danoso ao país. Médici dizia que era necessário “mobilizar a vontade coletiva para a obra do desenvolvimento nacional” e que, embora a unanimidade fosse algo “incompatível com o regime democrático”, o ideal era “compreender que a pátria é uma só” quando estivessem em jogo “os supremos valores da liberdade, do desenvolvimento e da segurança”. Já Lula é mais prático: chama os opositores simplesmente de “turma do contra, que torce o nariz contra tudo o que o povo conquistou nos últimos anos”, como se esses recalcitrantes não fizessem outra coisa a não ser atrapalhar a marcha brasileira rumo a seu destino manifesto. (...)

Naquela época, como hoje, havia delírios de grandeza em política externa. E, sobretudo, naquela época, como hoje, o presidente julgava que a popularidade era uma espécie de chancela automática para dizimar o contraditório e a própria essência da vida política, em nome do “interesse nacional”.
E se você pertence àqueles "intelequituais" que rechaçam qualquer comparação - obviamente, dois eventos históricos distintos não podem ser rigorosamente iguais - leia por exemplo este texto de Reinaldo Azevedo contestando críticas à comparação com o México.

sábado, 4 de setembro de 2010

Moral elástica

Trecho do texto "Faca na mão, multiculturalismo no coração" [Diogo Costa no OrdemLivre.org]:
Não existem diferentes lógicas assim como não existem diferentes justiças ou diferentes verdades. E a verdade é que, se o assassinato de inocentes é um crime, uma violação de justiça para todos os humanos, logo será crime se for praticado no oeste europeu, no leste asiático, ou no centro-oeste brasileiro. Direitos humanos se aplicam a toda a humanidade, não apenas a crimes cometidos por ocidentais contra outras culturas, ou por maiorias contra minorias.

Drª. Neusa provavelmente acredita no progresso, que as transformações ocorridas no Brasil e no resto do mundo civilizado nos últimos 50 anos foram provavelmente positivas. Mas não acredita no progresso para os outros. Os outros devem permanecer exatamente como são no momento da observação do cientista social. A compreensão do valor da vida humana, da dignidade de cada pessoa, pode ser ensinada aos filhos da Drª. Neusa, mas não aos seus vizinhos étnicos. Eles não podem ter nenhum tipo de progresso moral, devem permanecer praticando os mesmos hábitos, trabalhando nas mesmas profissões, e morrendo das mesmas doenças. Quem lhes trouxer mudanças que ampliem sua expectativa de vida e sua capacidade de escolha será considerado um corruptor cultural.

O multiculturalismo da Drª. Neusa está protegendo a civilização indígena dos hábitos ocidentais da mesma forma que um muro de Berlim protegia os alemães orientais da liberdade ou a pobreza de Bangladesh protege seus habitantes da prosperidade.
Dica do De Gustibus, que recomendou também essa notícia do Estadão:
No dia seguinte à abertura oficial das conversas de paz entre israelenses e palestinos, a segurança foi reforçada em toda a cidade de Jerusalém, que recebeu mais de 120 mil fiéis muçulmanos para as rezas da última sexta-feira do Ramadã na Esplanada das Mesquitas, que ocorre também às vésperas do ano-novo judaico.

A tensão, acima do normal, justifica-se pela ameaça de grupos radicais palestinos de intensificar seus ataques para impedir o avanço das conversações. Na Faixa de Gaza, 13 milícias radicais - que incluem do braço armado do Hamas, o Ezzedine Al-Qassam, a grupos locais pouco conhecidos - divulgaram um documento conjunto no qual pregaram o aumento dos atentados contra israelenses.
Sobre as negociações, leia o comentário de Marcos Guterman:
O governo do Irã chamou de “traidores” os países árabes que estimularam e estão participando da retomada das negociações de paz entre Israel e palestinos. Ao mesmo tempo, o Hamas, associado de Teerã, anunciou que vai intensificar os ataques contra Israel, com ajuda de outros grupos terroristas, com a deliberada intenção de sabotar o diálogo. O Hizbollah, outro associado do governo iraniano, aplaudiu o atentado do Hamas que matou quatro colonos israelenses, entre eles uma mulher grávida, dizendo que “essa é a maneira de liberar a Palestina”.




domingo, 27 de junho de 2010

Um pouco menos de liberdade

Trechos de entrevista de Andrew Jennings à Flavia Tavares, do Estadão (via @everton137):
O senhor acompanhou a briga do técnico Dunga com a imprensa brasileira?
Não vou comentar o episódio porque não acompanhei de perto. Posso dizer que a imprensa inglesa e a da maioria dos países é puxa-saco. E sem razão para isso. A desculpa é que os editores têm medo de perder o acesso às seleções e à Fifa. Bobagem. Ora, eu fui banido das coletivas da Fifa sete anos atrás e ainda consegui escrever um livro e fazer várias reportagens. A imprensa deve atribuir as responsabilidades às autoridades. Se não fizer isso, é relações públicas. Tenho milhares de documentos internos da Fifa que fontes me mandam e não param de chegar. Por que só eu faço isso?
(...)
O que o senhor espera da Copa no Brasil, em 2014?
Há algumas semanas, o secretário-geral da Fifa, Jérôme Valcke, deu um piti público cobrando o governo brasileiro para que acelerasse as construções para a Copa. Estranhei muito, porque não imagino que o governo brasileiro se recusaria a financiar uma Copa. Vocês são loucos por futebol, estão desenvolvendo sua economia, têm recursos e podem achar dinheiro para isso. Uma fonte havia me dito que Valcke e Ricardo Teixeira tinham tirado férias juntos, estavam de bem. Então, o que está por trás dessa gritaria? É pressão para o governo brasileiro colocar mais dinheiro público nas mãos da CBF. Mundialmente, as empreiteiras têm envolvimento com corrupção. Dá para sentir o cheiro daqui.
La UE vigilará a los ciudadanos de opiniones radicales (via facebook):
El pasado 26 de abril, el Consejo de la Unión Europea reunido en Luxemburgo abordó el punto del orden del día titulado “Radicalización en la UE”, que concluyó con la aprobación del documento 8570/10.  La iniciativa forma parte de la estrategia de prevención del terrorismo en Europa, y se concibió inicialmente para grupos terroristas islámicos. Sin embargo [porém], el documento extiende la sospecha de tal forma y en términos [termos] tan genéricos que da cobertura a la vigilancia policial de cualquier individuo o grupo sospechoso [suspeito] de haberse radicalizado. Así, un activista de una organización civil, política o ciudadana, sin vínculos con el terrorismo, podría ser espiado en el marco de un programa que invita a investigar desde el “grado de compromiso ideológico o político” del sospechoso, hasta si su situación económica es de “desempleo, deterioro, pérdida de una beca o de ayuda financiera”. (...)

El programa completo de vigilancia está recogido [coletado] en un documento anterior, el 7984/10, titulado “Instrumento para almacenar datos e información sobre procesos de radicalización violenta”, de marzo de este año. Casualmente, a este texto se le dio carácter confidencial, y sólo se ha conocido gracias a que la organización de defensa de las libertades civiles statewatch.org ha tenido acceso a él y lo ha hecho [tornou] público. La ONG denuncia que este programa “no se dirige en primer lugar hacia personas o grupos que pretendan cometer atentados terroristas, sino a gente que tiene puntos de vista radicales, a los que se define como propagadores de mensajes radicales”.
EE UU [EUA] planta cara [enfrenta] a Marruecos y frena la expulsión de los cristianos:
Quedó así parada la que aparentemente era la tercera oleada [onda] de expulsiones de cristianos del país acusados oficiosamente de "proselitismo" y de "quebrantar la fe del musulmán", dos delitos recogidos en el código penal marroquí. Podrían ser juzgados [julgados] por ello, pero las autoridades marroquíes han querido evitarlo. Rabat prefirió desencadenar las expulsiones a partir del primer fin de semana de marzo, coincidiendo con la primera cumbre [reunião] entre la Unión Europea y Marruecos que se celebró en Granada. Desde entonces ha echado [expulsou] del país a más de un centenar de cristianos -la mitad de ellos norteamericanos- incluida, por ejemplo, la cúpula de la George Washington Academy, el colegio estadounidense de Casablanca.
OBS: Nos artigos em espanhol coloquei em destaque a tradução de alguns falsos cognatos.

sexta-feira, 23 de abril de 2010

prá relembrar um pouco Marina Silva

JC e-mail 3839, de 01 de Setembro de 2009. Índios atacam exploração apoiada por Marina:
Natura, que tem relações próximas com a senadora, é alvo de ação sob acusação de biopirataria; empresa nega apropriação indevida. Gigante dos cosméticos é suspeita de aproveitar para fins comerciais o fruto do murmuru, de conhecimento tradicional dos ashaninkas

Defendida pela senadora Marina Silva (PV-AC), a exploração comercial de um fruto típico do Acre gerou um processo judicial por biopirataria contra a Natura. A gigante do setor de cosméticos tem relações próximas com a pré-candidata do PV a presidente.
Folha Online - Pensata - Hélio Schwartsman - Ciência sob ataque - 31/01/2008:
Marina Silva tem, como cidadã, o direito de professar a fé que bem desejar. Mais até, não é porque se tornou ministra de um Estado nominalmente laico que precisaria deixar de comparecer aos cultos de sua igreja, a Assembléia de Deus. Ela, entretanto, avançou o sinal quando participou do 3º Simpósio sobre Criacionismo e Mídia, promovido pelo Centro Universitário Adventista de São Paulo, e, à saída, ainda deu uma entrevista na qual, no melhor estilo dos "neocons" dos EUA, sustentou que visões de mundo criacionistas devem ser ensinadas nas escolas, para que os alunos possam decidir por si mesmos.

Estamos aqui diante de dois problemas. Em primeiro lugar, Marina deveria ter-se recusado a participar do evento, pela simples razão de que não foi convidada para falar na condição de simples fiel da Assembléia, ou teóloga, mas sim por ser ministra do Meio Ambiente, ou seja, uma representante do Estado. E, nos termos do artigo 19 da Constituição, é vedado ao Estado "estabelecer cultos religiosos ou igrejas, subvencioná-los, embaraçar-lhes o funcionamento ou manter com eles ou seus representantes relações de dependência ou aliança". Essa, entretanto, é a falta menos grave, que seria facilmente perdoável, se a ministra não tivesse em suas declarações abraçado também a pedagogia ultraconservadora, que pretende transformar fatos comprováveis em comprovados em questões abertas a escrutínio religioso.
Ciência e Tecnologia - NOTÍCIAS - A ministra criacionista:
Respondendo às perguntas do blog de jovens adventistas, Marina disse que “é impossível crer em Deus sem acreditar que Ele criou todas as coisas. E, se nós não sabemos explicar, não devemos ter a pretensão de dizer que elas não existem. A fé é crermos mesmo sem entender (sic). No espaço da fé, a ciência tem todo o acolhimento. Eu gostaria que a fé tivesse o mesmo acolhimento da ciência”. Depois, ela afirmou que “não há demérito” no ensino do criacionismo. As duas filhas mais novas da ministra estudam em colégios adventistas, que ensinam o criacionismo.

Na gestão de Marina, ela contratou o pastor Roberto Firmo Vieira, da Assembléia de Deus, como consultor do ministério, por intermédio de um contrato mantido com o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud). Segundo o site Eco, Vieira usa a estrutura do ministério para cultos, alguns com a presença da ministra.
Marina Silva nega que tenha defendido o criacionismo - nacional - Estadao.com.br:
A senadora disse que foi mal compreendida após ser questionada sobre o fato de escolas adventistas incluírem no currículo o estudo do criacionismo. Ela destacou que, ao falar especificamente dessas instituições, declarou que os jovens poderiam fazer a escolha que julgarem mais sensata. "Eu nunca defendi o criacionismo", continuou a senadora. "Eu acredito em Deus e que Deus criou todas as coisas. Só isso."
(cabe um comentário aqui: essa é justamente a estratégia dos criacionistas, a chamada "ensine sobre a controvérsia")
Ministra Marina Silva se reúne com lideranças evangélicas | Notícias Gospel:
A frase da missionária e ministra de Meio Ambiente, Marina Silva, foi dita na manhã de ontem durante encontro com lideres evangélicos, no Inácios Restaurante, cujos convidados pertenciam há várias denominações.
Visite: Gospel, Noticias Gospel, Videos Gospel, Musica Gospel

A reunião foi além de um encontro político, na verdade foi um momento de reflexão a respeito do período em que passam o Estado e o país, período em que serão escolhidos os próximos representantes do povo, autoridades constituídas sobre a população.
Livros: A autoajuda verde de Augusto Cury - Edição 2130 - Revista VEJA:
No dia seguinte à festa promovida para sua filiação à nova legenda, a provável candidata do PV à Presidência não gostou nada de ler na imprensa que o psiquiatra e escritor best-seller Augusto Cury ajudara na preparação do discurso que ela fez – de improviso – na ocasião. Chegou-se a atribuir a Cury uma citação do poeta amazonense Thiago de Mello utilizada por Marina – "Não é um novo caminho, mas uma nova maneira de caminhar" (o equívoco é até compreensível: trata-se do tipo de banalidade pomposa que se encontra às dúzias em livros como Nunca Desista de Seus Sonhos, um dos sucessos de Cury). (...)

Nos encontros que antecederam sua filiação ao partido, Cury manifestou interesse em injetar no programa de governo essas suas ideias próprias que todo mundo tem. Quer atuar sobretudo nos projetos de educação: "Tenho sugestões importantes e defendo a realização de uma cirurgia nos currículos". Alguns exemplos "cirúrgicos": 10% do tempo de aula, em qualquer área, deveria ser dedicado à discussão de temas "divulgados pelos meios de comunicação" (categoria vaga e ampla, que daria aos alunos a oportunidade de travar instigantes debates sobre a morte de Michael Jackson ou o desaparecimento fajuto de Belchior). Outra sugestão revolucionária, já defendida em seu livro Pais Brilhantes, Professores Fascinantes: as cadeiras, nas salas de aula, devem ser dispostas em U em torno do professor. As fileiras convencionais seriam propícias ao autoritarismo dos mestres.
A imprensa que afaga e apedreja -- Por Júlio Ottoboni em 19/2/2008 no Observatório da Imprensa:
A incoerência federal está muito além do criacionismo de uma ministra, como mostrou o Estado de S. Paulo (13/2/2008), com a surpreendente declaração de Lula. "Não somos daqueles que defendem a Amazônia como um santuário da humanidade". Com certeza, mostrou toda sua sensibilidade quanto à preservação do complexo amazônico e seu apreço aos que lutam para manter a floresta em pé.


domingo, 18 de abril de 2010

O verdadeiro problema social, segundo ditadores

Hoje li duas notícias que se complementam, pelo exemplo de idiotice com que nós, humanos, temos que lidar. A primeira é essa:
O aumento de relações sexuais ilícitas é a causa do aumento dos terremotos, segundo o aiatolá Kazem Sedighi, imã das orações de sexta-feira em Teerã, citado neste sábado pelo jornal iraniano Aftab. (...)

Sedighi também afirmou que "um esforço coletivo é necessário" para solucionar os problemas da sociedade provocados pelo "aumento da idade do casamento e pelo número de divórcios".
Os "problemas da sociedade" referidos pelo caquético são esses:
Uma garota de 12 anos do Iêmen morreu três dias depois do casamento. Ela não estava preparada, fisicamente, para o sexo. O marido não considerou isso um obstáculo. A jovem noiva, Elham Mahdi, teve hemorragia interna e não suportou. (...)

É previsível que o choque da morte da menina de 12 anos apresse as mudanças. Será o segundo choque, na verdade. O primeiro veio com a atitude desconcertantemente rebelde de uma noiva de 10 anos, Najood Ali. (...) Noomi acabou encontrando uma defensora, a advogada Shada Nasser, e obteve o divórcio. Voltou à casa dos pais. Virou uma heroína entre as mulheres. (...)

A rebelião épica de Noomi trouxe para o centro das discussões, no Iêmen, a questão das jovens noivas. Mas não houve uma ação efetiva que livrasse da morte a noiva de 12 anos massacrada numa sessão de sexo da qual deveria estar protegida.
(via @rcalsaverini e @perestroika_dce).

domingo, 7 de fevereiro de 2010

O ceticismo questiona dogmas, não credos

Trechos de reportagem na revista da Agência FAPESP sobre o projeto temático “O significado filosófico do ceticismo”. O entrevistado é Plínio Junqueira Smith:
A posição cética, segundo Smith, corresponde a uma descrença, mas não propriamente ao ateísmo. “Na caracterização mais geral, o cético é aquele que suspende o juízo e não acredita em nada a priori nas questões filosóficas. Ele examina os dois lados da questão criticamente e não opta por nenhum deles. Essa posição tem consequências religiosas, já que não afirma a existência ou inexistência de Deus”, apontou.

O ceticismo, então, critica a capacidade da razão humana em estabelecer provas filosóficas. Ele se opõe, portanto, não à religião, mas ao dogmatismo. “Dogma, em grego, significa ‘acreditar’. Caracterizar alguém como dogmático não tem nenhum sentido pejorativo, mas apenas descritivo: dogmático é aquele que aceita uma doutrina filosófica qualquer”, disse Smith.

Pensadores como o britânico Richard Dawkins, que defende o ateísmo em seus livros, não são considerados céticos, de acordo com Smith. “Dawkins se caracteriza como dogmático ao defender a tese de que Deus não existe. O cético não admite essa doutrina, já que não são apresentadas provas da inexistência de Deus”, afirmou.

Um dos aspectos trabalhados pelo Temático consistiu em mostrar que o ceticismo é uma forma de empirismo. “Nem todo empirista é cético, pois o cético não crê na verdade das coisas. Mas em relação a teorias científicas, ele pode aceitar uma explicação científica como mais adequada que outras, no aspecto empírico. Isto é, ele não sabe se Deus existe. Mas admite que as explicações da física para a origem da matéria são muito mais plausíveis que os argumentos religiosos”, disse.


domingo, 20 de dezembro de 2009

Francisco J. Ayala, um Cientista

Há 200 anos nascia Charles Darwin, e há 150 anos ele publicava a "Origem" - o título completo é "Sobre a Origem das Espécies Através da Seleção Natural, ou a Preservação de Raças Favorecidas na Luta Pela Vida", e já explica bastante. Em celebração a isso, e já que é Natal, traduzo livremente uma entrevista que Francisco J. Ayala deu à publicação científica Current Biology (Current Biology, Volume 19, Issue 23, R1060-R1061, 15 December 2009 doi:10.1016/j.cub.2009.09.033). Francisco Ayala é professor da Univerisdade da Califórnia, trabalhou desde 1961 com Theodosius Dobzhansky, um dos pais da Teoria Moderna, e defende a compatibilidade entre religião e ciência (sendo ele próprio católico). Alguns trechos da entrevista:
Ciência e religião são compatíveis?
A evolução e crenças religiosas não precisam estar em contradição. Aliás, se ciência e religião são compreendidas corretamente, elas não podem estar em contradição porque se referem a assuntos distintos. Ciência e religião são como duas janelas distintas para se olhar o mundo. As duas janelas olham para o mesmo mundo mas mostram aspectos diferentes desse mundo. Contradições aparentes surgem apenas quando ou a ciência ou a religião, ou geralmente ambas, ultrapassam suas próprias fronteiras e invadem erroneamente o campo da outra.
O desenho inteligente (projeto inteligente?) pode ser ensinado nas escolas como uma alternativa à teoria da evolução?
O desenho inteligente não é uma teoria científica. Ele afirma, primeiro, que os organismos foram projetados para certas funções e modos de vida. Então ele adiciona que apenas um criador onipotente pode ser responsável por seu projeto funcional. A ciência propõe explicações sobre o mundo natural, explicações que são testadas por observação e experimentos. O desenho inteligente não propõe nenhuma hipótese científica que possa ser testada dessa forma (com exceção a algumas negações que se provaram falsas). O desenho inteligente pode ser considerado como teologia natural, que foi como William Paley o chamou em seu livro "Teologia Natural", de 1802. E poderia ser ensinado em aulas de história da religião, mas não em aulas de ciência porque não é científico. A teoria da evolução deve ser ensinada em escolas porque sem ela nada faz sentido em biologia.
Você tem dito que o desenho inteligente é incompatível com a crença religiosa em Deus: o que você quer dizer?
Uma dificuldade ao se atribuir o projeto dos organismos ao Criador é que imperfeições, disfunções e crueldade assolam o mundo animal. Considere a nossa mandíbula, por exemplo. Temos dentes demais para o tamanho dela, tal que o dente do siso deve ser removido e dentistas podem ter uma vida decente corrigindo os defeitos dos outros. Nós gostaríamos de culpar a Deus por essa mancada? Um engenheiro humano teria feito melhor. A evolução explica bem essa imperfeição. O tamanho do cérebro cresceu através de seleção natural no tempo em nossos antepassados. A remodelagem do crânio para acomodar o cérebro maior impôs uma redução da mandíbula, para que a cabeça do recém-nascido não seja grande demais para passar pelo canal vaginal. A consideração a seguir deve ser ainda mais chocante para o desenho inteligente. Cerca de 20% de todas as gestações humanas acabam em aborto espontâneo durante os primeiros dois meses de gravidez. Essa infelicidade quer dizer atualmente mais de 20 milhões de abortos espontâneos mundialmente por ano. Eles querem culpar Deus pelas deficiências no sistema reprodutivo humano? É Deus, de fato, um abortista em escala monumental?

Para mim, é inconcebível um Deus incapaz de "projetar" a teoria evolutiva, ou que queira nos enganar em seus modos (como os que sugerem que todos os fatos que corroboram com a evolução fazem parte na verdade de evidências "plantadas" por Deus - ou pelo Diabo - para nos iludir).

Todos sabemos que o desenho inteligente é só uma tentativa de "secularizar" o criacionismo, mas é divertido ver um diácono admitir o truque.

sábado, 7 de novembro de 2009

Acusado de adultério é apedrejado até a morte na Somália

Notícia da BBC Brasil:
Um homem acusado de adultério foi apedrejado até a morte nesta sexta-feira no sul da Somália acusado de adultério, segundo declarou o grupo islâmico que controla a região.

O grupo al-Shabab afirmou que Abas Hussein Abdirahman, de 33 anos, foi morto em um frente a uma multidão de 300 pessoas na cidade portuária de Merka.

De acordo com o grupo, a amante de Abdirahman também será apedrejada, mas apenas após ela dar a luz.

update: Corrigida a cacofonia (presente no original).


sábado, 23 de maio de 2009

Democracia boa tem, assim, a minha cara e Jezuis no coração

Trechos de Editorial do Estadão, comentando o vazio jurídico deixado pela revogação da Lei de Imprensa:
Para esses especialistas, outro grave problema causado pela revogação da Lei de Imprensa é a falta de limites para o chamado "arbitramento monetário" nos processos de indenização por danos morais. Eles receiam que oportunistas, alegando terem sido difamados e injuriados, exijam indenizações absurdas e os juízes, por falta de critérios objetivos, acabem acolhendo esses pedidos. Os especialistas também temem a prática, em larga escala, das intimidações com base na chicana jurídica de advogados, a exemplo do que aconteceu há alguns anos, quando uma determinada igreja passou a processar os jornais O Globo e Folha de S.Paulo em centenas de comarcas do interior espalhadas em todo o País.

Durante o julgamento da inconstitucionalidade da Lei de Imprensa, alguns ministros afirmaram que a decisão do STF obrigaria o Congresso a aprovar - em regime de urgência - uma lei de imprensa "nova e verdadeiramente democrática", para substituir a que foi revogada. Até agora, contudo, só dois parlamentares se dispuseram a assumir essa tarefa. E um deles, não por coincidência, é um dos dirigentes da igreja que vem se valendo da chicana jurídica para tentar intimidar jornais que eventualmente a critiquem.


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segunda-feira, 9 de março de 2009

Aprendendo com os criacionistas

Trecho de texto do professor Roberto Romano, comentando as cartilhas publicitárias travestidas de material escolar distribuídas no Pará:
1) Os governos totalitários da Alemanha nazista, da Itália fascista, da União Soviética comunista, usaram e abusaram da propaganda, então sem preocupações de simular didatismo. A lavagem dos cérebros infantís e juvenís foi brutal, sem desculpas.

2) Na América do Sul, na Argentina e no Brasil sobretudo, cartilhas "didáticas" foram impostas às escolas, sempre com louvaminhas aos ditadores Peron, Vargas e outros. A professora Maria Helena Capellato tem excelentes análises dos atos relativos à produção de cartilhas de endeusamento dos ditadores.

3) A ditadura militar empregou livros de "moral e cívica"para ensinar aos jovens a doutrina de segurança nacional, muito peculiar aos escritores como Golbery do Couto e Silva e outros luminares do regime.

4) A prefeitura de São Paulo, no governo Luiza Erundina, quando o Secretário de Educação era o Sr. Paulo Freire, fez concurso público no qual os livros do secretário figuravam na bibliografia básica.

5) A Governadora do Pará e seus auxiliares, portanto, sequer inovam. "Apenas" retomam o que fizeram Hitler, Mussolini, Stalin, Peron, Vargas, Freire.





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domingo, 27 de abril de 2008

Nietzsche, que companhia agradável




Citações aleatórias de Friedrich Nietzsche, toscamente traduzidas:

“A casual stroll through the lunatic asylum shows that faith does not prove anything.”

Um passeio casual pelo hospício mostra que fé não prova nada.

“There is always some madness in love. But there is also always some reason in madness.”

Sempre há alguma loucura no amor. Mas também há sempre alguma razão na loucura.

“You have your way. I have my way. As for the right way, the correct way, and the only way, it does not exist.”

Você tem o seu jeito. Eu tenho o meu jeito. Quanto ao jeito justo, o jeito correto, e o único jeito, esses não existem.


“"I have done that," says my memory. "I cannot have done that" -- says my pride, and remains adamant. At last -- memory yields.”


"Eu fiz aquilo", diz minha memória. "Eu não posso ter feito aquilo" - diz meu orgulho, e queda intransigente. No fim, a memória sucumbe.

sábado, 15 de março de 2008

Televangelistas partidários

Excelente comentário de Eugênio Bucci no Estadão:
Os processos de fiéis da Igreja Universal contra a Folha e a jornalista Elvira Lobato se revestem de extrema gravidade porque, embora tenham sua origem aparente na vontade de indivíduos isolados, resultam não apenas do que vem sendo chamado de articulação; resultam da conjugação de três campos distintos que, para o bem da democracia, não se deveriam confundir: a religião, os partidos políticos e as empresas de radiodifusão - tentáculos da pregação religiosa e paixões partidárias se mesclam num movimento de implicações comerciais. As linhas se cruzam a olho nu. Assim, membros de uma igreja - a Universal -, cujos dirigentes preferem filiar-se a um partido político específico - o Partido Republicano Brasileiro (PRB) -, ganham destaque na programação da Record se entram com ações contra veículos de comunicação, alguns deles concorrentes diretos da Record ou desafetos de dirigentes e simpatizantes do PRB.


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quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008

O "excesso de democracia" chega ao Brasil

Trecho de editorial do Estadão:
Se a igreja e o seu fantasticamente bem-sucedido CEO pedissem a abertura de processo contra o jornal e a jornalista, no foro apropriado, seria um caso legítimo de quid pro quo. Nessa hipótese, o presidente Lula estaria certo ao dizer que "a liberdade de imprensa pressupõe isso". Mas ele sabe que a liberdade de imprensa não pressupõe que a parte atingida responda com ações simultâneas em 20 Estados. "Isso" é uma tentativa torpe de amordaçar os meios de comunicação sob a capa de uma busca legítima de reparação pela via judicial.
Ora - mais uma vez a pergunta se impõe -, a quem o presidente pensa que engana? Ele e Edir Macedo são aliados que confraternizam ostensivamente. O braço político da Universal, o PRB, faz parte da coalizão lulista. A ele é filiado o vice José Alencar. E por aí se chega à essência da questão. A ameaça de fundo à liberdade de imprensa - e à democracia que, segundo Lula, a avalanche de ações retaliatórias "vai consolidando no Brasil" - reside na apropriação de um bem público, o espaço por onde trafegam os sinais de rádio e TV, por emissoras confessionais a serviço do interesse político de seus controladores.

Prá não mencionar outros gigantes Lilliputianos como o quase ministro Mangabeira Unger, o senador Marcelo Crivella (sobrinho do "bispo" Edir Macedo)...

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