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sexta-feira, 2 de janeiro de 2015

O impeachment de Dilma -- artigo de Elton Flaubert na Amálgama

O impeachment de Dilma | Amálgama:

Afinal, o que foi o mensalão? Um golpe de Estado. Em português claro: o governo comprava sua base parlamentar, criando um Legislativo paralelo que aprovava seus projetos, dando-lhe poder político ilimitado. Assim, interditava-se a democracia ao acabar com os checks and balances, a tripartição de poderes e o poder soberano do voto.

De onde vinha o dinheiro para as propinas? Era dinheiro público vindo do Banco do Brasil ou de empréstimos fraudados feitos pelo Banco Rural ao PT e à SMPB de Marcos Valério, que se encarregava de lavar o dinheiro para pagar propinas aos parlamentares, dívidas da campanha de 2002 do PT, e abastecer campanhas eleitorais do PT e de seus aliados. Em suma, o mensalão foi o golpe de um partido na democracia feito por “marginais no poder”, na expressão do ministro Celso de Mello.

Fica claro então que não se tratava de corrupção banal, de apenas enriquecimento ilícito de pessoas que se corromperam, mas de corrupção com uma dimensão política, que servia a um projeto de poder e não só de governo.

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domingo, 14 de dezembro de 2014

Dois textos sobre as palavras perdendo o sentido para ideologias

Tiranicídios | Dicta & Contradicta:

No livro Abuse of language, Abuse of power, o filósofo alemão Josef Pieper demonstra como o abuso da linguagem usada então não mais para comunicar, mas para a manipular – por meio de propaganda, livros, progamas de TV, reportagens etc. – as opiniões e sentimentos das pessoas. Quando nos referimos aos mass media, à indústria do entretenimento, “não estamos transitando por um território neutro, separado da realidade política e intitulado, digamos, ‘a imprensa’ ou ‘o meio cultural’, ou ‘o universo literário’, como for. O discurso público, a partir do momento que se torna neutro em relação a um padrão estrito de verdade, torna-se, por sua própria natureza, apto a servir de instrumento nas mãos de qualquer governante a fim de promover todo tipo de planos de poder. O discurso público separado de todo padrão de verdade cria, na medida em se torna prevalente, uma atmosfera de prostração e vulnerabilidade epidêmicas à ascensão do reinado de um tirano.”[6]

When Austerity Isn't Austere by Theodore Dalrymple, City Journal Autumn 2014:

But by using the word “austerity,” I convince myself that I am really making a huge sacrifice, beyond which no one can reasonably expect me to go. Indeed, I am already suffering horribly from my austerity, for I really like Meursault with my scallops. But is forgoing it really “severe self-discipline, abstinence, asceticism”?

Analogies, by definition, are inexact, and household accounts are not the same thing as national accounts. Nevertheless, to call a reduction of excess government spending “austerity” seems to be, in essence, a lie designed to give the impression that government spending has been cut to the bone. Perhaps it ought not to be cut to the bone, and perhaps it would be unwise to try to do so; but that is another question entirely.

Mas como disse Seth Barron, "Progressives like to think big. Working out the details is usually someone else’s problem."

domingo, 16 de novembro de 2014

Editorial no Estadão sobre os presidentes envolvidos com a Operação Lava Jato

Crime de responsabilidade - Opinião - Estadão:

De fato, está registrada no Diário Oficial da União a prova documental da conivência de dois presidentes da República com a corrupção na Petrobrás. É um escândalo de dimensões mastodônticas que envolve todas as diretorias operacionais da estatal, dezenas de executivos de empreiteiras e outro tanto de políticos de praticamente todos os partidos mais importantes da base governista no desvio de recursos estimados em pelo menos uma dezena de bilhões de reais.

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terça-feira, 4 de novembro de 2014

O moinho de vento da vez -- ou de como meus colegas estão perdendo a noção de proporção

Imagem adorada pelas esquerdas. Das que batem paus e flashs. (autor da imagem aqui)

Graças a um novo tipo de jornalismo engajado, tenho visto uma movimentação bem triste na minha timeline (twitter e facebook), do pessoal assustado com o que seria o avanço de uma extrema-direita. Fiquem tranquilos, ela não existe senão nos fringes onde sempre existiram. E como passaram a cobrar das 'lideranças da oposição' uma resposta, esquecendo-se contudo de acompanhar ditas respostas, juntei algumas aqui:
Reportagem da Folha de S.Paulo (com manchete mentirosa, aliás):
Questionado sobre as manifestações em favor do impeachment da presidente Dilma Rousseff e o resultado das urnas, Aécio disse que os atos políticos não têm o seu apoio e são condenados pelo PSDB –especialmente os que defendem intervenção militar no país. Segundo o tucano, há pessoas "infiltradas" nos atos políticos para tentar associá-los à oposição.
(...)
Novos eventos de pedido de impeachment da presidente Dilma foram marcados nas redes sociais para o feriado de Proclamação da República, no dia 15, em São Paulo, no Rio e em Brasília. O evento está sendo convocado por dois grupos. Um deles é puxado pelo deputado federal eleito Eduardo Bolsonaro (PSC-SP) e por Paulo Batista, que foi candidato a deputado estadual pelo PRP. O outro é organizado pelo empresário Marcello Reis. Ambos dizem não ser responsáveis pelos pedidos de intervenção militar na última manifestação. "Lógico que tem um grupo que quer intervenção militar, mas não somos um deles", afirmou.
Alckmin diz que não se pode 'aceitar' defesa de intervenção militar - Política - Estadão:
O governador Geraldo Alckmin (PSDB) disse nesta segunda-feira, 3, que as manifestações em favor da intervenção militar, feitas no protesto de sábado na Avenida Paulista, são inaceitáveis.
Máquina de difamação petista engana até tucanos | Rodrigo Constantino - VEJA.com:
Ela diz com todas as letras que eu sou líder de uma direita que quer os militares no poder. É uma acusação muito séria. É uma calúnia, uma difamação. Eu desafio a ex-vereadora a mostrar um só indício de que eu peço intervenção militar no país hoje. Jamais defendi algo do tipo. Jamais preguei isso. E não sou líder de nada, apenas alguém apartidário que ousa pensar por conta própria e não teme a patrulha ao dizer o que pensa.
Andrea Gouvêa Vieira, não satisfeita de mentir em sua página, foi até a minha repetir que eu não a represento. Nunca tive a pretensão de representar todos. Dou voz aos meus pensamentos, que por acaso representam o de milhares de pessoas, vide as curtidas e comentários.
Defendo a democracia republicana com claros limites constitucionais ao poder Executivo e divisão de poderes, uma economia de mercado com liberdade para a iniciativa privada, o estado de direito e a propriedade privada.
Comentário de Olavo de Carvalho (Facebook):
Não peço intervenção militar nem acredito nela. (...)
Uma coisa e entender que, moralmente, os militares teriam a obrigação de intervir. Outra coisa é acreditar que eles o farão, e uma terceira coisa é pedir que o façam.
Dá prá juntar muito mais, mas não tenho muito tempo a perder com essa discussão. No fim vocês estão atacando moinhos de vento, e fico triste que vocês caiam nessa, de uma hora prá outra (OK, influenciados por repórteres sem escrúpulos). E fico um pouco puto também porque eu, que estou sem tempo e acho a discussão ridícula, tenha que gastar os três minutos necessários prá achar as declarações acima. É complicado ficar exigindo explicação de quem a gente não acompanha ou conhece -- essa é a situação perfeita pra se criar um strawman. Criacionistas são experts nessa arte. Se vocês querem saber a opinião do Huguinho ou do Zezinho, vocês terão que fazer o esforço de ler e acompanhar o Huguinho e o Zezinho (ou perder os 3 minutos, como eu fiz).

Gostaria, porém, de ver a mesma cobrança com seus ideólogos de estimação. A diferença é que, se de um lado, o PSDB e que tais logo rejeitam e desautorizam seus idiotas, as esquerdas acolhem e defendem os seus -- vide criminosos julgados, corruptos pegos no ato, exageros de manifestantes e até os discursos oficiais. Os idiotas da esquerda oferecem perigo bem mais real (por número, influência, e proximidade do poder) do que os da direita. Se você insiste em dividi-los assim.

Agora é hora de interpretações caridosas, não de homens-de-palha.
Essa é a diretiva oficial do partido, não de um extremista. Imagina a grita se um PSDB da vida comemorasse seus bandidos? (imagem daqui)

quinta-feira, 28 de novembro de 2013

Para os amigos, tudo. Para os inimigos, a lei.

O Centro de Tradições Nordestinas (CTN), entidade sediada em São Paulo, terá de devolver R$ 4,8 milhões aos cofres públicos em razão do mau uso do dinheiro que recebeu do Ministério da Ciência e Tecnologia, em 2006, para desenvolver um projeto no Pará. O CTN é administrado pela família Abreu, uma das donas do Hotel Saint Peter, em Brasília, novo local de trabalho do ex-ministro José Dirceu, caso ele receba a autorização da Justiça. O CTN foi fundado pelo presidente do PTN, José Masci de Abreu, e é presidido pela filha dele, Renata Abreu. A entidade e o partido têm a mesma sede administrativa, em SP. O irmão de José de Abreu, Paulo Masci de Abreu, é filiado ao PTN e aparece na sociedade do Saint Peter.
Emissora de TV do futuro chefe de Dirceu foi beneficiada pela Anatel
O futuro chefe do ex-ministro José Dirceu, o empresário Paulo de Abreu, foi beneficiado nesta semana com uma medida do governo aprovada mesmo contra relatórios elaborados por técnicos. Abreu ganhou o direito de transferir antenas da Top TV --uma de suas emissoras-- do município de Francisco Morato para a avenida Paulista, em São Paulo.
Dono do hotel Saint Peter, que contratou Dirceu sexta-feira, e de várias rádios e TVs, ele é filiado ao PTN, integrante da coligação da presidente Dilma Rousseff em 2010.
Cabe lembrar que a versão duplipensante de imparcialidade nos obriga a buscar um escândalo na oposição para cada escândalo que atinja os partidos governistas, de forma que alguma parametrização, por mais tosca que seja, os iguale. Isso explica o desespero em emplacar essa outra notícia (note os partidos envolvidos, aliás) como mais relevante, e vale até forjar headline para incluir desafetos.

Update 2013.11.29: Meu comentário acima não foi muito claro. É óbvio que esse caso do helicóptero deve ser apurado, e aliás o caso é ainda pior do que pareceu a princípio, evolvendo, como sói, grana dos pagadores de impostos. Minha crítica é tentar associar os escândalos a adversários políticos enquanto objetivamente ainda não há tal conexão. O que sobra são conjecturas e fraudes de documentos e notícias.

Alguns escândalos possuem um matiz partidário, outros não; alguns estão associados objetivamente a políticos graúdos, outros não.  Devemos criticar e exigir dureza a todos, dentro de nossas possiblidades e disposição. Ademais, há partidos mais impudicos que outros em forjar, mentir e reescrever a história; há partidos que afastam e há os que afagam seus delinquentes (exemplo1, exemplo2, exemplo3, exemplo4, exemplo5). Não podemos atribuir a mesma confiança a todos, mesmo devendo desconfiar sempre. A tal isonomia implica em não ver a cor ideológica dos meliantes -- enquanto o que temos assistido é à tentativa de pintar equitativamente os escândalos entre os partidos. Há quem antes busque a ideologia do criminoso para só então se posicionar quanto ao crime. E quando o argumento não convence, gritam "tu quoque!". A patrulha faz parte do discurso hegemônico.

E por último, dois trechos de um discurso do Lula, no 3o congresso do PT, em 2007:
"E o mais importante: nenhum petista tem que ter vergonha de defender um companheiro” 
“Ninguém tem mais autoridade moral, ética e política do que o nosso partido”.

sábado, 24 de agosto de 2013

Ainda os médicos cubanos

Eu já havia comentado mês passado sobre as condições análogas às de escravo a que seriam submetidos os médicos cubanos no Brasil. Para refrescar a memória, recomendo ler o post mais uma vez. Agora que o governo resolveu levar a cabo esse absurdo, coleto mais alguns links abaixo. Mais absurdo ainda são os ditos liberais/progressistas que se calam frente a esse acordo, dizendo "ah, mas precisamos de médicos" -- como quem diz, "ah, mas precisamos de roupas baratas" ou "ah, mas precisamos de cana". Um exemplo da ginástica pode ser lido aqui e aqui. Parabéns por defenderem o simulacro de capitalismo selvagem que alhures atacam! É absurda também qualquer discriminação pessoal quanto aos estrangeiros -- já basta a que os governos lhes impõem. Seguem os links (com destaques meus em negrito):

Durante missão na Bolívia, médicos cubanos seguiram cartilha ditatorial

Dividido em onze capítulos, o grau de detalhamento do Regulamento Disciplinador chegava ao nível de dizer o que os cubanos deveriam fazer caso começassem algum relacionamento amoroso com uma nativa. A título de curiosidade: obrigava os cubanos a informar às autoridades o relacionamento. Além disso, a parceira deveria estar ciente do pensamento revolucionário das missões cubanas — e concordar com ele.

Os profissionais também estavam proibidos de sair de casa após às 18 horas sem autorização prévia do chefe imediato. Para conseguir o aval, eles deveriam informar aonde iam, se estariam com colegas cubanos ou com nativos e qual a finalidade da saída. Os médicos eram proibidos de ingerir bebidas alcoólicas em lugares públicos, fora algumas poucas exceções: festividades cubanas, aniversários coletivos, despedidas de outros colaboradores e outros. 

De acordo com a cartilha, os cubanos não poderiam participar de atos públicos para os quais não fossem convocados. Estavam também proibidos de falar com a imprensa sem autorização prévia, de pedir dinheiro emprestado aos bolivianos e de manter amizade com outros cubanos que tivessem abandonado a missão.

Professor cubano da USP esmiúça em artigo o modelo de ‘exportação’ de médicos de Havana

Eis algumas das observações do professor (Juan López Linares, cubano naturalizado brasileiro):

1. Levando adiante o plano de importar médicos cubanos, o governo brasileiro teria de se entender com o regime de Havana, não com os profissionais. “Isso significa, na prática, que mais de 50% do salário pago pelas autoridades brasileiras” não chegaria aos bolsos dos médicos. Serviria “para alimentar a ditadura cubana.”

2. O salário mensal de um médico em Cuba, escreve o professor Juan, “não supera os R$ 100”. Por isso, eles consideram o trabalho no estrangeiro, mesmo quando prestado na África, “um sacrifício desejável.”

3. Cuba impõe aos médicos que envia ao estrangeiro um leque de suplícios baseados num vocábulo: não. Os doutores não podem viajar, não estão autorizados a participar de congressos, não podem tomar parte de movimentos políticos, não isso e não aquilo. O desrespeito às proibições sujeita os infratores a uma punição draconiana: retornar a Cuba.

4. “A experiência mostra que uma parte não desprezível dos médicos termina ‘fugindo’ dessa situação mediante o casamento com um cidadão local ou a emigração para um terceiro país”, escreveu o professor Juan.

5. Juan diz dar razão às entidades médicas brasileiras quanto à exigência de submeter os médicos cubanos ao teste de conhecimentos profissionais, o Revalida. As estatísticas do exame, informa o doutor, indicam que “somente 20% dos médicos formados em Cuba passam nas provas” –a cifra inclui os brasileiros que estudam em Havana. Gente indicada “pelos partidos políticos favoráveis ao regime dos Castros.”

PT abre pré-seleção para bolsas deMedicina em Cuba

A Secretaria de Relações Internacionais do PT está organizando o processo pré-seletivo dos bolsistas que estudarão na Escola Latino-Americana de Medicina em Cuba. Desde 1999, o governo cubano oferece estas bolsas através de várias organizações brasileiras, entre as quais o PT.  (...)

O PT lembra que este é um processo pré-seletivo. A seleção final será feita pelo governo cubano. Ou seja, a pré-seleção relaciona as pessoas que serão submetidas ao processo seletivo final caso o governo cubano realmente ofereça bolsas em 2006 e caso o número de bolsas seja equivalente ao número de pré-selecionados. Os pré-requisitos definidos por Cuba (os dois primeiros) e pelo PT (os dois últimos) para participar da pré-seleção são os seguintes:

- ter no máximo 25 anos no momento de iniciar o processo seletivo;

- ter concluído o ensino médio (ou equivalente), com obrigatoriedade das matérias de Biologia, Física e Química em todos os anos;

- ter estudado todo o período escolar em escola pública;

- ter no mínimo 2 (dois) anos de filiação partidária e apresentar carta de recomendação de instância partidária, ou seja, setorial, diretório ou comissão executiva de âmbito municipal, estadual ou nacional. Não se trata de recomendação de um membro da instância, mas sim aprovada em reunião da instância partidária.

Médicos cubanos sem direitos básicos: onde está a gritaria dos progressistas? | Construindo pensamentos

Não deixa de ser irônico notar que os mesmos progressistas que aplaudiram a legislação que estendeu às empregadas domésticas mais direitos trabalhistas agora estejam calados… Essa desenvoltura com que certa esquerda objetifica o ser humano (para poder tratá-lo não como indivíduo, mas como “instrumento da revolução”) é abjeta.

Sobre o programa Mais Médicos, do governo federal - Renato Pacca: O Globo

Vale ressaltar que a Convenção Americana Sobre Direitos Humanos, conhecida como Pacto de São José da Costa Rica, firmado em 1969 e em relação ao qual o Brasil livremente aderiu em 1992, dispõe que ninguém deve ser constrangido a executar trabalho forçado ou obrigatório, ressalvando exceções pontuais, como o serviço militar obrigatório.

Cubanos estarão sujeitos às leis trabalhistas de Cuba

Ao contrário dos demais contratados do programa Mais Médicos, os cubanos não receberão o salário integral de R$ 10 mil, mas apenas uma parte deles - entre R$ 2,4 mil e R$ 4 mil. O pagamento do Brasil é integral, mas os recursos são repassados à Opas, que paga ao governo de Cuba e esse sim repassa apenas uma parte às famílias - que ficam na ilha - e outra aos médicos em si.

Por causa da situação de contratação diferente dos cubanos, o Ministério Público do Trabalho (MPT) informou ontem que deve abrir uma ação contra a vinda os cubanos, cuja contratação estaria sendo feita de forma irregular, ferindo a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). Padilha afirma que o convênio, feito através da OPAS, segue as mesmas regras dos demais feitos por Cuba com mais de 50 países.

Salário em ilha não costuma passar de R$ 100

Os profissionais enviados à Venezuela ganham cerca de R$ 550, de acordo com dados extraoficiais. Em algumas missões, eles recebem poupança na ilha comunista, mas que só pode ser retirada ao final do programa. Ao receber até 4.000 médicos de Cuba, o Brasil se torna o segundo maior "cliente" da principal fonte de divisa estrangeira da ilha, só perdendo para a Venezuela. (...)

O próprio governo admite que a "exportação de serviços médicos" é hoje a maior fonte de divisas (cerca de US$ 6 bilhões anuais), ultrapassando venda de níquel e turismo.

Médicos cubanos não terão asilo político, diz advogado-geral da União

O advogado-geral da União, Luís Inácio Adams, disse nesta sexta-feira que médicos cubanos que tentem permanecer no Brasil após o final do convênio com o governo não terão direito a asilo e serão forçados a retornar a Cuba.

Questionado pela Folha sobre qual a postura que o Brasil adotaria caso médicos se recusem a voltar a Cuba, Adams disse não ver a possibilidade de asilo. "Nesse caso me parece que não teriam direito a essa pretensão. Provavelmente seriam devolvidos." Segundo o advogado-geral, que que considera "remota" a possibilidade de deserção, dificilmente o Ministério da Justiça concederia o direito de permanência.

"Todos os tratados, quando de trata de asilo, [consideram] situações que configurem ameaça por razões ordem política, de crença religiosa ou outra razão. É nesses condições que você analisa as situações de refúgio. E, nesse caso, não me parece que configuraria essa situação", disse.

A filha de Dom Pedro II aboliu o que acaba de ser restaurado por um filhote de Lula | Augusto Nunes

Para o bacharel do Planalto, portanto, nenhum cubano tem motivos para trocar a ilha natal pelo Brasil, a ditadura pela democracia, a opressão pela liberdade. “Esses médicos vêm como profissionais, eles vêm em cima de um compromisso, de um acordo, de um programa, de uma relação de trabalho”, derramou-se o chefe da AGU. Adams não vê nada de mais numa “relação de trabalho” deformada por violências repulsivas. (...)
O triunfo do absurdo se completou com a confissão de Adams. Os médicos caribenhos pertencem aos irmãos Castro. Muitos são escravos voluntários, e se engajaram com entusiasmo na missão para expandir o paraíso comunista. A maioria cumpre ordens. Os que tentarem fugir serão capturados e devolvidos aos donos. Se conseguirem enganar policiais brasileiros reduzidos a capitães-do-mato, os parentes retidos na ilha sofrerão os castigos de praxe.

domingo, 14 de julho de 2013

O que os governos não querem é dar liberdade aos profissionais

Reportagem na Folha de São Paulo, de 08/07/2013:
No modelo usado na Venezuela, Cuba funciona como uma empresa terceirizada que fornece profissionais. O governo contratante paga a Havana pelos serviços e os médicos recebem só uma parte. Apesar disso, o programa é considerado atrativo para os profissionais, que ganham cerca de US$ 40 na ilha e, com ele, têm acesso a benefícios.
O formato também é criticado por ex-participantes, que acusam o governo comunista de submetê-los a um duro regulamento disciplinar e impor regras de pagamento como poupança compulsória para evitar "deserção". A regra disciplinar na Venezuela, vigente em 2010, incluía pedir autorização para pernoitar fora do alojamento, proibição de dirigir e a obrigação de informar sobre namoros. Falar com a imprensa também estava vetado.
Na Venezuela e em outros 25 países que contratam médicos nesse regime de semi-escravidão.
Médicos cubanos en Africa generan millones
“Países exportadores de petróleo como Argelia y Angola, están pagando fuertes sumas de dinero por el personal médico cubano que trabaja en sus redes hospitalarias", afirmó Miroff. Angola paga a Cuba $5,000 dólares mensuales por cada médico que contrata, de los cuales el gobierno cubano le paga a ese profesional $500 dólares, una pequeña suma del total, pero mucho más de lo que podría ganar en la isla, destaca el reportaje.
(Leia também "Nip and tuck in" no Economist)
La odisea de los médicos cubanos que desertan a EE.UU. - WSJ.com
Datos divulgados a The Wall Street Journal bajo la Ley de Libertad de Información de EE.UU. muestran que, hasta el 16 de diciembre, los consulados de EE.UU. en 65 países han expedido 1.574 visas CMPP [Cuban Medical Professional Parole, um programa americano para refugiados cubanos]. Cuba ha estado enviando "brigadas" médicas al extranjero desde 1973 para respaldar a regímenes "revolucionarios" en países como Etiopía, Angola y Nicaragua y, quizás más importante, para ganar dinero. El diario oficial del Partido Comunista cubano, Granma, informó en junio que Cuba tenía 37.041 doctores y otros profesionales de la salud en 77 países. Las estimaciones sobre lo que gana Cuba con sus equipos médicos —ingresos que el banco central de Cuba considera "exportaciones de servicios"— difieren ampliamente, llegando hasta los US$8.000 millones anuales. (...) 
El disidente de 41 años afirma que en el programa abunda la corrupción. "Se sabe que para entrar en los mejores países —estamos hablando de Sudáfrica, Brasil— hay funcionarios que reciben dinero bajo la mesa. Cuesta entre US$500 y US$1.000", afirma.
(tremei, imperialistas!)
Território Eldorado :: Notícias :: Medidas do Mais Médicos são 'emergenciais', diz Padilha
Na falta desses profissionais para o preenchimento das vagas, a pasta vai buscar médicos formados no exterior - sem a revalidação do diploma. "Se houver a revalidação do diploma, o médico estrangeiro poderá atuar em qualquer localidade do país. E não é isso que queremos. Queremos que o médico atue nas áreas carentes", justificou.
Tendo a preferir médicos que passaram por crivos de qualidade -- contra Hélio Schwartsman que defende uma política de governo que prefereria contratar mecânicos a não contratar ninguém [1]. Porém, independentemente da opinião acerca da revalidação dos diplomas, a fala de Padilha deixa clara a arbitrariedade na concessão de direitos aos profissionais de saúde. Tratar os estrangeiros como cidadãos de segunda classe vai além de alinhamento ideológico. Uma solução que seja satisfatória para os médicos estrangeiros e para as comunidades carentes não é tão simples, e é muita ligeireza atacar a todos que se opõem à prática (e não ao discurso, sempre perfeito até quando defende idéias antitéticas) governamental. Mesmo que todos os corporativistas fossem contra, isso não quer dizer que quem seja contra é corporativista.

Fonte: FSP

[1] Aliás, não há motivos para crer que os médicos cubanos não sejam competentes -- eles devem ser especialistas em trabalhar em condições precárias. Meu comentário não é sobre isso. Mas o argumento de que um médico ruim é melhor que nada é simplesmente idiota. Basta ver qualquer medicina alternativa e charlatões.

Atualização em 8/8: veja também http://josiasdesouza.blogosfera.uol.com.br/2013/08/08/professor-cubano-da-usp-esmiuca-em-artigo-o-modelo-de-exportacao-de-medicos-de-havana/

sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

cientistas e políticos

Fishing for certainty -- Nature
When in 1995 I moved into policy-making, managing fisheries in the northeastern United States, I learned that advice comes from all directions. Scientists would present data with many caveats; others would give advice based mainly on opinion. Fishermen coming to the microphone in a public meeting might categorically state that the science was wrong, the rules wouldn't work and everyone would go out of business. Scientists tended to emphasize their uncertainty, and would be unwilling to speculate.

As scientists, we learn to analyse uncertainty and we explore decision-making in the light of that uncertainty. This is important, but we must also recognize that the precautionary approach will be adopted only slowly in policy-making. Uncertainty undermines political will in environmental decision-making. Officials are more likely to support a vociferous interest group that is apparently certain of the dire economic consequences of new restrictions, than scientists who advocate caution and prioritize the environment.

(uma anotação antiga que estava na lista de rascunhos)

quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

Niemeyer, a arquitetura da destruição -- Demétrio Magnoli

Niemeyer, a arquitetura da destruição - Jornal O Globo

Niemeyer inscreve-se na matriz de Le Corbusier, o fundador de uma arquitetura da destruição que, consagrada à estética do poder, odeia a história, o espaço público e as pessoas comuns.(...)

Para além disso, Niemeyer compartilhou com seu mestre a crença fundamental na “missão civilizatória” do Estado — isto é, no privilégio estatal de mobilizar ilimitadamente a terra urbana para esculpir a cidade (e a sociedade) segundo os ideais da elite dirigente. Os dois arquitetos solicitam o patrocínio de tiranos — ou melhor, de tiranos com uma Visão.(...)

A estética de Niemeyer é uma declaração política. Em Brasília, como registrou James Holston, o contraste tipológico entre os edifícios públicos, “objetos excepcionais, figurais, de cunho monumental” e os edifícios residenciais, “objetos seriais, repetidos, que são cotidianos”, representa a utopia regressiva almejada pelo arquiteto.(...)

Nenhum “governante compreensivo” se equivoca ao convocar o “arquiteto comunista” cujos projetos oferecem as melhores oportunidades no jogo do superfaturamento de obras públicas.

Para ler mais sobre Niemeyer, veja aqui, aqui e aqui.

quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

Mais sobre o caso Nicolelis

O Estadão tem uma nova série de artigos sobre o caso do favoritíssimo Nicolelis, que continua se recusando a oferecer sua versão ao jornal.

Organização do cientista receberá R$ 33,2 milhões do governo - Estadão

Um dos experimentos mais divulgados por Nicolelis sobre ICM foi realizado em janeiro de 2008, quando uma macaca caminhando sobre uma esteira no seu laboratório na Universidade Duke teria comandado os movimentos de um robô humanoide no Japão, com seus comandos cerebrais captados e transmitidos em tempo real via internet.

Os dados técnicos do trabalho, porém, nunca foram publicados em revistas científicas (apenas pela mídia), impossibilitando outros pesquisadores de examinarem os resultados de maneira independente.

O robô usado no Japão foi desenvolvido por uma empresa de robótica americana chamada Sarcos, que, dois meses antes do experimento, foi comprada por uma companhia maior, chamada Raytheon, que desenvolve uma série de tecnologias militares - entre elas, exoesqueletos para soldados de infantaria.

Nicolelis usa trabalhos antigos para mostrar nova produção de instituto - vida - ciencia - Estadão

Nicolelis foi procurado ontem via e-mail e telefone para comentar os dados, mas não respondeu. Desde domingo, o cientista tem se manifestado intensamente, mas apenas pelo seu Twitter. (...)
Uma análise criteriosa dos sete trabalhos listados ontem por Nicolelis indica que todos são resultados de pesquisas anteriores ao "racha", produzidas em sua maior parte pelos cientistas que deixaram o IINN-ELS e migraram para o Instituto do Cérebro (ICE) da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN).

Em seis anos, R$ 61,3 milhões - vida - ciencia - Estadão

A receita da AASDAP entre 2006 e 2011 foi de R$ 61, 3 milhões, dos quais R$ 19,7 milhões (32%) vieram de fontes públicas e R$ 41,6 milhões (68%), de privadas.

UFRN pagou R$ 540 mil por uso de laboratórios - vida - ciencia - Estadão

Seguiu-se uma briga pela posse e direito de uso dos equipamentos que ficaram dentro do IINN-ELS; comprados com recursos públicos. O Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) disse ao Estado que "os equipamentos comprados com projetos de pesquisa foram patrimoniados pela UFRN; sendo assim, esta questão da partilha está fora da competência do MCTI".

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

Instituto de Nicolelis enfrenta 'apagão científico', mas o dinheiro público está garantido


imagem do blog do Planalto

Instituto de Nicolelis enfrenta 'apagão científico' - Estadão

A Associação Alberto Santos Dumont para apoio à Pesquisa (AASDAP), entidade privada sem fins lucrativos que administra o IINN, presidida por Nicolelis, já tem garantido R$ 41,8 milhões em novos recursos do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) e suas agências para fins de pesquisa e educação científica, segundo um levantamento feito pelo Estado, com dados do Portal da Transparência do governo federal.

"Estamos pagando para ele fazer pesquisa nos Estados Unidos? É isso que queremos saber", questiona uma liderança da comunidade científica nacional. Nicolelis é professor titular da Universidade Duke, nos EUA, e não tem vínculo empregatício com nenhuma instituição de ensino e pesquisa no País. "A contribuição pessoal dele para a ciência brasileira é zero", diz a fonte, que pediu para não ter o nome revelado, por medo de represálias. "Quem produzia a ciência era o pessoal que foi embora."

Só o pedido de anonimato já diz sobre o feudalismo acadêmico de que sofre o Brasil...

Cientista fez fama no exterior e se aproximou de líderes do PT - Estadão

Desde que voltou a atuar no Brasil, dez anos atrás, para promover o projeto que resultou no Instituto Internacional de Neurociências de Natal (IINN), Miguel Nicolelis conquistou um status político superior ao de qualquer outro cientista brasileiro, apesar de não morar no País e não ter vínculo empregatício com nenhuma instituição pública de ensino e pesquisa.

Em 2008, assinou um artigo com o então presidente Lula e o então ministro da Educação, Fernando Haddad, na Scientific American, a mais conceituada revista de divulgação científica do mundo - algo inusitado, tanto do ponto de vista do cientista quanto dos políticos. O artigo falava sobre os avanços do Brasil na educação e fazia uma apresentação do projeto Câmpus do Cérebro, em Macaíba, descrito como o "mais abrangente programa de educação científica e tecnológica na história do Brasil".

Ministério dá R$ 33 milhões para projeto da Copa do Mundo - Estadão

O governo federal vai dar R$ 33,2 milhões para o projeto Andar de Novo, do neurocientista Miguel Nicolelis, que promete colocar um brasileiro paraplégico para caminhar e dar o chute inaugural da Copa do Mundo de 2014, usando uma veste robótica controlada pelo cérebro. Os recursos serão transferidos para a Associação Alberto Santos Dumont para apoio à Pesquisa (AASDAP), entidade privada sem fins lucrativos presidida por Nicolelis, via convênio com a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI).

Cientista optou por não falar - Estadão

Na quinta-feira à noite, Nicolelis respondeu ao pedido de entrevista por e-mail, com um único parágrafo de texto, dizendo estar ocupado demais para responder às perguntas. "Quem sabe numa outra oportunidade podemos conversar? Que tal assim? Podemos agendar para depois da abertura da Copa de 2014!", respondeu Nicolelis.

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

O humanista que amava Stalin -- Rodrigo Constantino, O GLOBO

Rodrigo Constantino: O humanista que amava Stalin

No Brasil, você pode ser podre de rico, viver no maior conforto de frente para o mar, mamar nas tetas do governo, desde que adote a retórica socialista.
Falar em “justiça social” enquanto enche o bolso de dinheiro público, isso merece aplausos por aqui. Já o empresário que defende o capitalismo, produz bens demandados pelo povo e não depende do governo é visto como o vilão. Os discursos sensacionalistas valem mais do que as ações concretas. Imagem é tudo!
As curvas traçadas pelo “poeta do concreto”, que considerava o dinheiro algo “sórdido”, custavam caro. Quase sempre eram pagas pelos nossos impostos. Foram dezenas de milhões de reais só do governo federal. Muito adequado o velório ter sido no Palácio do Planalto, o maior cliente do arquiteto. Licitação e concorrência? Isso é coisa de liberal chato. (...)
Roberto Campos certa vez disse: “No meu dicionário, ‘socialista’ é o cara que alardeia intenções e dispensa resultados, adora ser generoso com o dinheiro alheio, e prega igualdade social, mas se considera mais igual que os outros.” Bingo!

Igualdade para os iguais

Encanador da Câmara Municipal de São Paulo ganha R$ 11 mil mensais - Estadão

Funcionários de nível básico contratados pela Câmara Municipal de São Paulo ganham salários mais de dez vezes maiores do que se paga no mercado para recém-contratados. Um encanador lotado no departamento de Zeladoria da Casa tem salário de R$ 11 mil. Um chaveiro, da mesma seção, recebe R$ 10,9 mil todo mês. E até um operador de máquina copiadora, outro cargo que exige apenas ensino fundamental para a contratação, ganha R$ 9,3 mil mensais. (...)
No total, a Câmara tem 662 funcionários concursados e 1.196 que ocupam cargos em comissão - ou seja, podem ser livremente nomeados por vereadores ou pela Mesa Diretora.

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

Um outro criacionismo, que impera em nossas escolas

Não aprendemos absolutamente nada de economia nas escolas (ao menos não nas classes), aprendemos apenas uma pseudo-ciência anti-econômica. E crescemos, orgulhosos de nossa ignorância, e transmitimos esses preconceitos a nossos alunos.

História: mais Bastiat e menos Marx | Ordem Livre

Nas narrativas sobre a Revolução Francesa, ainda ouvimos falar de indivíduos que representam politicamente a “classe burguesa”, como se a teoria do valor trabalho que fundamenta a teoria marxista da exploração no “capitalismo” não tivesse sido superada ainda no século dezenove, tornando vazias as velhas noções de classe.

Os autores escrevem como se tal teoria de exploração não tivesse em Economia sido substituída por outra, baseada na oferta de privilégios legais derivados do poder político, como é feito pela moderna escola da escolha pública. Nessa última, não existem forças econômicos que definem uma classe: é o poder político que, ao conferir privilégios legais, cria castas com interesses comuns. (...)

A despeito da quantidade cada vez maior desse tipo de pesquisa, a probabilidade de que certos mitos deixem de ser ensinados aos alunos é pequena. A visão de mundo marxista ainda fornece uma guia para a interpretação padrão da história . Para que tenhamos sucesso na tarefa de desenvolvimento e divulgação de uma interpretação alternativa da história, que utilize a teoria econômica moderna, não devemos apenas utilizar a teoria econômica como ferramenta ocasional, mas desenvolver uma visão de mundo alternativa que organize a narrativa.

Coragem para aprender em padrões internacionais -- Análise de Ilona Becskeházy F. de Sousa, consultora de educação. (Jornal da Ciência)

A arapuca institucionalizada, que também afeta a elite, começa com um ensino básico sem padrões de qualidade definidos, que produz egressos semianalfabetos, que vão para uma formação docente inócua e descolada das necessidades pedagógicas do País, perpetuada por uma pós-graduação desatualizada e protegida por uma regulação setorial medíocre e politizada que, por sua vez, impede a melhoria de qualidade da educação básica.

terça-feira, 27 de novembro de 2012

Em Banânia, os que pensam a economia do espírito são os sátiros e os beberrões

A fábula do partido que criou a “Carteirinha Corrupção” num país chamado Banânia. Querem ler um texto estranho? Então lá vai! | Reinaldo Azevedo - Blog - VEJA.com

Kakânia é um lugar imaginário em que a corrupção, quando há, se dá na esfera das vontades; as covardias, nunca grandes demais, se revelam na área do intelecto; a decadência, inexorável, é a da inteligência. As pusilanimidades são quase existenciais, traduzidas por suspiros, nunca por estrondos (esse contraste já é um clichê, mas não resisti).

Falta a Kakânia a exuberância tropical. Não socorrem aquele país os pistoleiros do sangue quente que estão abaixo da linha do Equador, onde só há perdão, nunca pecado. Kakânia não conhece as graças bonachonas e incivilizadas do “homem cordial”. Kakânia não tem nem mesmo o hábito de punir os santos, como se faz, dizem, em certo país ignoto, de que falarei. E é punição preventiva, com características de chantagem e tortura! Põe-se, por exemplo, a imagem do santinho de ponta-cabeça, às vezes mergulhado num copo d’água. Se ele quiser sair daquela situação difícil, que trate de realizar o desejo do esperançoso e doce torturador. É a forma que a crença tomou, dizem, em tal terra estranha.

Chamemos aquelas paragens exuberantes, em homenagem a Musil, de Banânia. Pronto! Em Banânia, os amores e os ódios estão sempre à flor da pele. Banânia não tem ascetas e monges para inspirar uma filosofia da contemplação e da medida; para exaltar as ideias “magras e severas”. Em Banânia, os que pensam a economia do espírito são os sátiros e os beberrões. O direito do outro e o direito dos outros são vistos como censura à liberdade individual e incapacidade para o gozo. Qualquer um, em Banânia, pode ser ruim da cabeça; a única coisa indesculpável é ser doente do pé. Os bananienses são, à sua maneira, fatalistas e acham que não há homem na Terra que resista a certas paixões, como caipirinha (bebida local) e bundalelê (bundalelê local).

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

O silêncio palavroso de Marilena Chaui (Por Roberto Romano)

O silêncio palavroso de Marilena Chaui (Por Roberto Romano)

Entreguei à moça uma lista de livros a serem lidos, se ela quisesse falar algo sobre o tema, algo em torno de 100 títulos. (...) A resposta da candidata foi honesta e singela, nos padrões da esquerda misóloga e militantes: "Não lerei tais livros e documentos, porque eles podem modificar o resultado da minha pesquisa!" A sua possível orientadora desistiu de ambas, tese e orientanda. (...)

Na época um universitário ligado ao petismo saiu-se com esta: "Marilena é intelectual e militante. Não possui o tempo necessário para leituras. Ela pode agir assim, pela causa". Adeus às aspas…

(Referência do excelente artigo no Implicante -- que mostra como Fabio Konder Comparato já defendeu o bem público até ao arrepio da lei, quando se tratava de um desafeto.)

sábado, 28 de julho de 2012

Política, religião e esporte -- tudo ao mesmo tempo agora

Folha de S.Paulo - Poder - Dilma confirma pedido ao PRB, mas diz que foi em tom de 'brincadeira' - 27/07/2012

A recomendação de Dilma ao presidente do PRB ocorreu na visita dela aos estúdios da Rede Record no Parque Olímpico, em Londres.

O próprio presidente do PRB, que participou da reunião, confirmou o teor da conversa, conforme revelou reportagem da Folha desta sexta. Pereira diz ter entendido a mensagem. "Ela fazia alusão ao encontro com Serra. Para bom entendedor, uma palavra basta", disse.

.Dilma e Edir, sorrindo (fonte: Folha de São Paulo)

Por qué un hombre no debe casarse con una mujer mayor que él >> Vientos de Brasil >> Blogs Internacional EL PAÍS

Un “hombre de Dios”, no debería casarse con una mujer mayor que él, ni tampoco con una de otra raza". Es el consejo que el Obispo evangélico y empresario Edir Macedo acaba de dar a sus ocho millones de fieles, desparramados por 170 países, en un polémico artículo, publicado en el site Arca Universal. (...)

Reo en varios procesos judiciales por blanqueo de dinero, falsedad en documentos públicos y entrada de material fraudulento para las televisiones de su propiedad, el obispo siempre acabó absuelto, dadas las influencias políticas de las que goza al ser depositario de millones de votos en las urnas.

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