domingo, 1 de novembro de 2009

O culto lulesco à ignorância

Trechos de dois comentários de Augusto Nunes. Em 26 de Agosto, o desprezo de Lula pela formação:
Povo é com ele, gabou-se outra vez nesta terça-feira. No meio da aula, recomendou o estudo de português. ”É muito importante para as crianças não falarem menas laranjas, como eu”, exemplificou. Mas não tão importante assim: ”Às vezes, o português correto as pessoas nem entendem. Entendem o menas que eu falo”.

Mesmo os que não se expressam corretamente entendem quem fala menos. Não falta inteligência ao povo. Falta escola. Falta educação. Falta gente letrada com disposição e coragem para corrigir erros cometidos por adultos que nasceram pobres. Lula deixou de dizer menas quando alguém lhe ensinou que a palavra não existe. O exemplo que invocou foi apenas outra esperteza. Poucas manifestações de elitismo são tão perversas quanto conceder a quem nasce pobre o direito de nada aprender até a morte.

Milhões de meninos muito mais pobres do que Lula foi enfrentam carências desoladoras para assimilar conhecimentos. A celebração da ignorância é sobretudo um insulto aos pobres que estudam. É também uma agressão aos homens que sabem. Num Brasil pelo avesso, os que se aprenderam português logo terão de pedir licença aos analfabetos para expressar-se corretamente, e os que estudaram em Harvard esconderão o diploma no sótão.
Em primeiro de Novembro, sobre a incapacidade de Lula de perceber a ignorância do poste Dilma:
O perfil não autorizado de Dilma Rousseff, que será publicado no começo da semana, prova que entre a candidata à Presidência e as encarnações anteriores - a guerrilheira, a secretária municipal, a secretária estadual, a ministra de Minas e Energia e a chefe da Casa Civil - há uma única diferença relevante: as outras Dilmas não falavam. Depois que desandou na discurseira, o monumento à eficiência começou a escancarar perturbadoras rachaduras.
(...)
Estava na primeira linha do perfil quando chegou este comentário do excelente jornalista Celso Arnaldo. Tudo a ver. Confiram.
(...) [Dilma] sobre o Minha Casa:

“Porque nós não vamos ter de dar conta de resolver o problema de seis milhões de habitações. São seis milhões de lares, de moradias, de casas que falta no Brasil. Daqui para frente o que nós estamos fazendo é o seguinte: nós vamos provar para esse um milhão que é possível fazer. E vamos, eu acho, a partir do final desse programa, nós teremos de estar em perfeitas condições para iniciar já fazendo os outros seis milhões sem o que o déficit habitacional brasileiro não vai ser resolvido”.

Dispensa comentários, mas me permito um já pensou se, na hora de defender a tese que nunca defendeu para o doutorado que nunca fez, a Dilma falasse desse jeito para a banca examinadora?

Não seria pau direto até na Uniban?
Dilma é isso aí. Sempre foi. Prisioneiro da  formação intelectual indigente, Lula não sabe se alguém está pronto para lecionar em Harvard ou naufragar no Enem. É compreensível que tenha resolvido transformar em sucessora a companheira de cabeça confusa. Deve achar bonito o que Dilma diz. Deve achar que só uma sumidade consegue pilotar um projetor enquanto fala do PAC.



segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Negadores do holocausto são um caso particular de negação da história

Em resenha extremamente positiva sobre o último livro do Richard Dawkins, o editor de Ciência da Folha de SP Claudio Angelo diz:
Depois de passar anos negando o Holocausto, o presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, muda-se para Nova York e inaugura um instituto de estudos históricos. Mesmo que suas aulas não discutam a 2ª Guerra, quantos judeus se inscreveriam nelas? Uma situação análoga a esse caso hipotético se aplica a Richard Dawkins e seu recém-lançado livro "The Greatest Show on Earth" ("O Maior Espetáculo da Terra").

...

Mas, como os judeus de Ahmadinejad, que criacionista compraria um livro que defende a evolução, ainda mais escrito por Richard Dawkins?
Apesar do excelente texto - e aposto que o livro do Dawkins seja realmente bom - essa comparação entre Dawkins e Ahmadinejad me incomodou muito. O próprio Dawkins compara criacionistas a "negadores da história" e assim, a analogia correta seria entre criacionistas e negadores do holocausto. E Dawkins viria como um centro internacional de estudos históricos instalando-se no Irã.

Acho que o jornalista quis seduzir os criacionistas usando uma analogia facilmente digerível - assumindo que criacionistas são contra negadores do holocausto dado seu posicionamento político - mas na prática o resultado pode ser perverso: criacionistas não são estúpidos ou ignorantes em geral, e ao perceberem o truque do jornalista verão mais um motivo para não ler o livro, da mesma forma que judeus (usando sua analogia errada) não vão se inscrever no instituto de Ahmadinejad só porque as aulas são convincentes. E Dawkins não escreve livros para criacionistas convictos - apesar desses, também, se beneficiarem de sua leitura.

Ou seja, não há conto do vigário, o que há é um autor que escreve livros de divulgação científica além de publicar sua opinião sobre a compatibilidade entre religião e ciência. É possível e até mesmo saudável concordar com ele em alguns pontos e discordar em outros. O que não é salutar é assumir seu posicionamento em uma discussão (e.g. ateísmo) para refutá-lo em outra (evolução biológica, por exemplo). Como faz o jornalista, por exemplo, ao descrever Dawkins como "defensor ferrenho da teoria evolutiva". Ele é um divulgador da teoria evolutiva e defensor ferrenho do ateísmo. A evolução não precisa ser "defendida", precisa ser divulgada e explicada. Assim como a matemática ou a física. Ou será que "anything goes"?

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Novos ídolos para a idiotia latino-americana: ditadores africanos

Trechos de entrevista de Guillaume Lacaille, do instituto International Crisis Group em reportagem do CS Monitor sobre não haver nenhum merecedor do prêmio de Mo Ibrahim:
Geralmente o que temos observado na África, e isto é preocupante, é que os líderes estão manipulando suas constituições e fraudando as eleições para serem eleitos. Via de regra, vários líderes aprenderam como preservar os símbolos da democracia sem seguir o espírito democrático, sempre no intuito de permanecer no poder.
Marian Tupy, um observador do Cato Institute, comenta no mesmo artigo:
Essa noção de "um novo amanhecer na África" foi grandemente exagerada, e agora a falta de crescimento econômico na África, e a falta de segurança em geral está alcançando os líderes africanos. Nos últimos quatro ou cinco anos, a economia global favorável ofereceu uma percepção incorreta, camuflou os problemas.
Investidores normalmente fazem um melhor juízo acerca do andamento das reformas de um país do que diplomatas. Agora que a economia global segue um caminho difícil, o dinheiro procura por lugares seguros e previsíveis por onde ir, onde a lei é obedecida, e estamos tendo uma visão panorâmica dos problemas de governança africanos.

Isso explica o interesse de alguns em apoiar ditadores africanos. Transferência de know-how.

domingo, 18 de outubro de 2009

Brincando com o google books e a hipocrisia da revista do PT

Divertido que o google books cria uma nuvem de palavras de alguns livros - acho que daqueles que o google books não tem permissão para reproduzir. Veja o resultado com a revista do PT, de vários anos:


Curioso é que o PT não disponibiliza essa revista, ou seja, tem que pagar (ou, ao menos, não achei pelos canais oficiais...). Eu esperava algo mais democrático e menos elitista. Procurando pela revista online, acabo encontrando esse comentário na sua última edição:
Iole Ilíada, diretora da Fundação Perseu Abramo, foi uma das petistas presentes à 15ª edição do Foro de São Paulo, realizada no México, e nos relata as principais discussões da esquerda em pauta na América Latina e os desafios futuros levantados no evento. Tornando mais concreto um dos debates do Foro, as possíveis eleições de candidatos do campo progressista no continente, publicamos entrevista feita pela jornalista Clarissa Pont com os uruguaios José Pepe Mujica e Danilo Astori, candidatos a presidente e vice, respectivamente, pela Frente Ampla.

Pois é, o Foro de São Paulo, que pauta os gorilas do continente.

A catraca de Muller política

Tradução de alguns trechos de reportagens do Christian Science Monitor (o nome é uma relíquia histórica, a publicação não é científica nem cristã).

O mais novo magnata da Nicaragua? O presidente "socialista" Daniel Ortega :
Os negócios obscuros de Daniel Ortega, ligados ao presidente da Venezuela Hugo Chávez, estão confundindo os limites entre o partido, o Estado e a família, dizem os críticos.

O presidente nicaraguense Daniel Ortega não fala como a maioria dos homens de negócio. É mais fácil ao ex-líder revolucionário esbravejar contra os males do "capitalismo selvagem" do que discutir seus empreendimentos multimilionários.

Porém, apesar de sua postura retórica contra o "modelo imperialista falido", Ortega e seus confidentes sandinistas mais próximos estão rápida e silenciosamente se tornando os novos senhores da economia do pobre país.

Desde seu retorno à presidência em 2007 (...) Ortega tem criado uma rede de negócios privados que operam sob os auspícios da Aliança Bolivariana para as Américas (ALBA), um acordo de cooperação opaco de países esquerdistas financiados em grande parte pelo presidente venezuelano Hugo Chávez.

Os "negócios da ALBA" de Ortega - conhecidos por uma sopa de letras de acrônimos, como ALBANISA, ALBALINISA e ALBACARUNA - dominaram os mercados de distribuição e importação de petróleo, tornaram-se o principal fornecedor de energia e exportador de café do país, obtiveram lucro com a venda das de ônibus russos doados, e compraram um hotel no centro de Manágua, entre outros investimentos lucrativos.

Apesar da grande sombra que paira sobre as operações comerciais advindas do segredo governamental, a luz revela lucros de centenas de milhões de dólares, apesar da recessão econômica.

Prisão de rival de Mugabe ameaça o governo de unidade do Zimbabwe :
Roy Bennett, um ex-fazendeiro de café cujas terras foram confiscadas pelo governo de Mugabe, é o tesoureiro do Movimento pela Mudança Democrática (MDC) e auxiliar de confiança do primeiro-ministro Morgan Tsvangirai, líder do partido e principal oponente doméstico de Mugabe. Quarta-feira Bennet foi mandado à prisão para ser julgado sob as acusações de terrorismo, insurgência, sabotagem e formação de quadrilha. A condenação levaria à prisão perpétua. A data para o julgamento ainda não foi definida.
(Bennet foi liberado sob fiança sexta-feira, mas a confusão continua.)


O Guantánamo de Obama, políticas anti-terror similares às de Bush? :
Após nove meses de administração Obama, os mesmos representantes de direitos humanos e liberdades civis que faziam duras críticas ao presidente Bush agora fazem críticas semelhantes à nova administração.

Apesar da retórica da Casa Branca ter diminuído o tom, interrogatórios brutos terem cessado e prisões secretas da CIA terem sido fechadas, críticos reclamam que as políticas emergentes anti-terror de Obama se parecem mais com Bush do que Obama.

A administração adotou a filosofia de lei marcial de Bush justificando a detenção indefinida de suspeitos de terror considerados pelo presidente Obama como sendo difíceis de ir a juízo porém perigosos demais para serem liberados.

Representantes do governo sugerem que Obama pode falhar em cumprir sua promessa de fechar a prisão de Guantánamo até janeiro. Uma nova versão do controverso processo de comissão militar deve emergir logo do congresso. E as construções continuam para uma nova e expandida prisão para terroristas na base aérea de Bagram, no Afeganistão.


Obs: catraca de Muller é o processo irreversível através do qual mutações deletérias vão se acumulando em populações assexuadas, sob certas condições.

sábado, 10 de outubro de 2009

Os meios determinam os fins, mas o MST finge não saber

Trechos de comentário de Renato Pacca sobre a mais recente invasão do MST:
Foi noticiado que a Polícia Civil abriu inquérito para apurar os crimes de invasão de propriedade, crime ambiental, formação de bando ou quadrilha, furto e danos ao patrimônio. Disseram que testemunhas serão ouvidas e os responsáveis responderão pelos delitos praticados.

Ocorre que o mais importante a imprensa não perguntou: Porque a Polícia não lavrou o auto de prisão em flagrante? Porque deixou os invasores abandonarem a Fazenda para depois abrir inquérito, ouvir testemunhas e começar a apurar as responsabilidades?

Ora, a prisão em flagrante delito independe de ordem judicial. O artigo 301 do Código de Processo Penal prevê que “qualquer do povo poderá e as autoridades policiais e seus agentes deverão prender quem quer que seja encontrado em flagrante delito.”

Eis aí a diferença entre poder (qualquer um do povo pode prender) e dever (as autoridades policiais não apenas podem. Existindo flagrante delito, elas devem efetuar a prisão, sob pena de responder, pelo menos em tese, pelo crime de prevaricação).
E as decisões inócuas da Justiça:
Em sua decisão, o juiz determinou que o MST seja multado a cada dia em R$ 500, por pessoa, caso não deixe o local. Além disso, concedeu reintegração de posse à empresa.

É extremamente pertinente que o Judiciário se posicione contra as atitudes criminosas do MST, mas a multa não terá nenhuma eficácia, pois o MST não tem patrimônio e sequer existe como pessoa jurídica. É preciso reintegrar de imediato a empresa na posse, antes que o MST termine de destruir o que resta de produtivo na área. E seria interessante também identificar os líderes do movimento e responsabilizá-los criminalmente pelos atos praticados.




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segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Lula atinge o ponto sem volta em Honduras - a partir da Venezuela, claro

Três notas rápidas, do Estadão:
Zelaya conclama ofensiva final em Honduras
"Um chamado nacional foi feito para agricultores e trabalhadores de outros setores para que se reúnam em Tegucigalpa e alguns já começaram a formar estas manifestações", disse Tamayo. "Agricultores estão viajando por conta própria, em transporte público, porque se chegarem em grupos ou de carro, a polícia e o Exército vão pará-los em pontos de checagem."

Zelaya pediu a seus partidários que se dirijam à capital amanhã, data em que o golpe faz três meses, para uma ofensiva final contra o governo de facto". "Estamos fazendo um chamado patriótico à resistência em todo o território nacional", disse ele em comunicado entregue a um fotógrafo da France Press na noite de ontem.

Brasil rejeita ultimato para definir situação de Zelaya
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse neste domingo, 27, que não aceita o ultimato de dez dias dado pelo governo de facto de Honduras para que o Brasil defina o status do presidente deposto do país, Manuel Zelaya, que está na Embaixada do Brasil em Tegucigalpa.
...
"Não aceito ultimato de um governo golpista", disse Lula em Porlamar, na Venezuela, onde participa da Cúpula América do Sul-África.
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"Zelaya foi expulso do poder da maneira mais vergonhosa possível", disse Lula. "Para mim, a solução é simples: os golpistas devem sair do palácio presidencial", afirmou Lula.

Honduras ameaça retirar status diplomático da embaixada do Brasil - Estadao.com.br
"Se o status de Zelaya não for definido dentro de 10 dias, a embaixada vai perder sua condição diplomática", disse o ministro das Relações Exteriores do governo interino, Carlos López Contreras, em uma entrevista coletiva.

"Por cortesia, uma invasão do local não está sendo considerada", afirmou. López Contreras disse ainda que a embaixada vai se tornar uma residência privada.
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"O governo brasileiro não acata ultimato de golpista, e nem o reconheço como governo", afirmou o presidente. "A palavra correta é golpista. Usurpador de poder. Essa é a palavra correta, e o governo brasileiro não negocia com ele."

Lula disse ainda que o Brasil "tem dentro da sua embaixada um presidente legitimamente eleito pelo voto popular do povo de Honduras".
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O governo interino acusa o presidente deposto de "usar a embaixada para instigar a violência e a insurreição contra o povo hondurenho e seu governo constitucional".
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"Se o Zelaya extrapolar, vamos chamá-lo e dizer que não é politicamente correto utilizar a embaixada brasileira para ficar fazendo incitação a qualquer coisa além do espaço democrático que nós estamos dando para ele", disse Lula.
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"Seria muito mais fácil resolver tudo isso se o Micheletti pedir desculpas, for embora, permitir que o presidente eleito volte, convocar eleições. Porque o povo de Honduras vivia em paz até então", afirmou [Lula].

O presidente disse que, caso contrário, a crise permanecerá, porque nenhum país reconhecerá a legitimidade do presidente que for eleito em um pleito organizado pelo governo interino.

Quanto ao último ponto, cabe lembrar que é uma bobagem a história de que apenas governos "legítimos" podem legitimar um governo (caso contrário ditaduras seriam irreversíveis). Mas não acreditem em mim, leiam a entrevista do ex-chanceler mexicano Jorge Castañeda ao Estadão:
Barack Obama e Hillary Clinton estão cientes do envolvimento americano em episódios horríveis ao longo dos anos. Só acho que não elaboraram o quadro de maneira satisfatória, não só por causa das circunstâncias, mas por conta dos desdobramentos: as eleições já estavam marcadas. Todas as eleições que vêm de um governo autoritário são, por definição, ilegítimas? Se for assim, até Tancredo Neves poderia ser chamado de ilegítimo porque foi escolhido pelo general Figueiredo. Ou Patricio Aylwin, no Chile, Vicente Fox, no México, ou Lech Walesa, na Polônia. No entanto, ninguém se opôs a eles. São frutos de regimes ilegítimos que promoveram eleições. O argumento é estúpido. Como os americanos não pensaram bem, agora estão numa situação desconfortável.
Obviamente o governo interino também está fazendo burradas: impedindo a entrada dos diplomatas da OEA, criando um decreto de censura à imprensa, e mesmo a azucrinação aos invasores da embaixada eu acho desnecessária. Que eu me lembre, da última vez o Zelaya desistiu da "resistência" em acampamento e fugiu para o conforto de um hotel. Essa invasão não vai longe.



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Franklin, indo além de suas sandálias

Trechos de artigo do Estadão do dia 27 de Setembro, sobre o Ministro das Comunicações Franklin Martins:
Franklin fez o papel que caberia a Dilma, defendendo a ideia de que os royalties do petróleo do pré-sal, fosse qual fosse o modelo a definir pelo Congresso, deveriam ter uma distribuição mais igualitária entre todos os Estados e municípios. Ele esteve à frente da negociação e chegou a ter uma discussão ríspida com Cabral. Integrantes da equipe do governador fluminense saíram surpresos com a atuação de Franklin.
...
A atuação de Franklin no jantar do pré-sal refletiu não apenas a decisão do presidente de confiar ao ministro uma tarefa que foi além da comunicação, mas também a proximidade cada vez maior do ministro com Dilma. Entre parlamentares e assessores do Planalto, não há dúvida de que ele terá papel relevante na campanha, mesmo sem se afastar do governo.
...
A independência partidária permitiu que o ministro atuasse em um momento constrangedor para o líder do PT no Senado, Aloizio Mercadante (SP), que chegou a anunciar a renúncia do cargo em caráter "irrevogável", no auge da crise que envolveu o senador José Sarney (PMDB-AP). Franklin participou da elaboração da carta do presidente pedindo a permanência de Mercadante, lida no plenário.

Outro episódio em que o ministro esteve presente foi a reação de Dilma diante das afirmações da ex-secretária da Receita Federal Lina Vieira de que a ministra pediu agilidade nas investigações referentes ao empresário Fernando Sarney, filho do presidente do Senado. Franklin contrariou a prática de dar apenas informações de bastidores (em off, no jargão jornalístico) e concedeu entrevista dizendo que Lina estava "mentindo".
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Criada em outubro de 2007, por medida provisória, a EBC é uma instituição anêmica (duas TVs e nove rádios), sob total controle da Secretaria de Comunicação. O Conselho Curador é decorativo e marcado por um rodízio que em menos de dois anos trocou 6 dos seus 15 conselheiros.
...
Embora dialogue com muitos parlamentares, Franklin não tem atuação na tramitação de projetos. Sua equipe, no entanto, acompanha os embates com a oposição na Câmara e no Senado. Algumas vezes, Gilberto Carvalho é acionado para entrar em ação e recomendar aos governistas uma atitude mais ofensiva.
Ou seja, a máquina estatal a serviço do Partido do País. Enquanto isso o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, também tem seu dia de Gramsci:
Na quinta-feira, [o ministro Amorim] fez os jornalistas do Estadão, da Folha, do O Globo, da TV Globo e da BBC Brasil o esperarem por horas em um hotel para uma entrevista coletiva. Mas o ministro não teve tempo, segundo disseram. O problema é que o chanceler brasileiro encontrou uma hora para ir até o estúdio da rede Record, passar maquiagem, e entrar ao vivo no jornal da emissora. Nada contra dar uma exclusiva e mérito da Record. Mas o chanceler deveria ter conversado com os outros jornalistas para responder importantes questões, em um momento que a embaixada do Brasil dá abrigo a um presidente deposto em um país em que Lula não reconhece o governo de fato.




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sábado, 5 de setembro de 2009

Lei da mordaça digital: uma no prego, outra na ferradura

Dois textos de Reinaldo Azevedo, sobre as restrições impostas à internet em época eleitoral. Parque dos dinossauros:
Só para lembrar: as restrições ao trabalho de sites e blogs contidas na lei eleitoral aprovada na Câmara e que passaram por duas comissões do Senado são inconstitucionais. Que isso não tenha sido levado em conta, bem, o fato informa a que ponto chegamos. Adiante.

Representantes do Senado e da Câmara tentam encontrar uma redação que torne a lei… constitucional! Se o Brasil não fosse triste, seria uma farra.

O que começa mal não pode terminar bem. Quem cuidou da matéria na Câmara? Um deputado do PC do B do Maranhão chamado Flávio Dino. Um Dino no mundo contemporâneo? Como pode? Mas como seria do PC do B se Dino não fosse? O que entende de liberdade um partido que ainda é, imaginem só, stalinista e não reconhece nem as críticas que o ditador Krushev (Santo Deus!) fez ao ditador que o antecedeu?

Ele deu uma declaração aparentemente óbvia, aparentemente inocente. Vejam a candura do comunista:
“É preciso ter uma regra que distinga claramente jornalismo de propaganda política. Não pode ficar sem regra nenhuma porque, aí, se instauraria o vale-tudo na internet”.

É verdade, deputado Dino! Vai que, de liberdade em liberdade, a gente chegue ao mundo contemporâneo, não é mesmo? Quanto vocês querem apostar que Dino está entre aqueles que consideram “jornalismo” as notícias que são boas para ele e seu grupo e mera “propaganda política” as que são ruins? O deputado, aliás, tem um blog — que ninguém lê, coitado! No caso, não é nem jornalismo nem propaganda.

Restrições a rádios e TVs também é estúpida; na verdade, errado é o modelo de concessões:
O defeito original, sem dúvida, está no próprio sistema de concessões, que só tem servido para consolidar injustiças e safadezas. Não é por acaso que muitos políticos são donos de sistemas de rádio e TV. O modelo que deveria ser gerido por um estado neutro e isento abre as portas para o compadrio. Vigaristas montam grandes empreendimentos, com dinheiro de origem suspeita ou ilegal, só para puxar o saco dos poderosos de plantão e, assim, obter novas concessões.

No fim do ano, ONGs e “entidades” da sociedade civil promovem, com dinheiro público, uma certa “Confecom”. Tem nome de exame de laboratório levado na latinha e, com efeito, é parente daquilo. Essa gente toda, sob a liderança do governo e às expensas do dinheiro público, quer debater “a mídia”, sobretudo o sistema de concessões de rádio e TV.

Para quê? Para tirá-lo da órbita dos políticos? Não! Para submetê-lo mais ainda ao controle — só que não mais daquilo que Franklin Martins poderia chamar “as oligarquias” e as “famílias”. Eles querem que o modelo de concessões continue, mas controlado pela “sociedade organizada”. A “sociedade organizada”, como vocês sabem, é o PT vestindo o figurino das ONGs. Em entrevista a uma TV francesa, Lula disse que não faria com a “mídia” brasileira o que Chávez fez com a venezuelana. Não faria, antes de tudo, porque não pode. Se puder, faz. O seu bolivarianismo, com efeito, é light. Sigamos.

O próprio sistema de concessões já é um arreganho autoritário. O controle imposto ao jornalismo nesses meios é outro. Obrigar o noticiário a dar o mesmo espaço noticioso a candidatos favoritos e a idiotas que não serão votados nem pela própria família é um despropósito, um desserviço, uma agressão, se querem saber, à Constituição -—porque fere a liberdade de informação.

Vejam o caso dos EUA, onde ninguém é doido o bastante para tentar criar limites ao trabalho da imprensa e onde inexiste esse cretinismo das concessões. Como já lembrei aqui, a oito anos de Clinton, sucederam-se oito de Bush, que agora foi substituído por Obama. Eles não precisam de um Dino por lá para “separar jornalismo de propaganda”.

Ora, quem sai perdendo com todos esses limites? Os que têm menos condições, materiais ou intelectuais, de recorrer a outros meios. O resultado é espantoso! Mantém-se o regime de concessões com a desculpa de que, assim, se protegem os direitos do povo. E a melhor maneira que esses valentes encontram de “proteger” o povo é impedindo que ele tenha acesso ao debate.

Há também um comentário interessante do Marcelo Soares em seu blog (no site acho que tem o vídeo também):
Depois do Blog da Petrobras, virou moda políticos fazerem blog. Nesta semana o Lula estreou o dele. O Sarney pagou 15 caras pra fazerem um a seu favor (acho que um pra escrever e 14 pra comentar), e tirou do ar quando contratou a peso de ouro um assessor de imprensa pra fazer um blog da Petrobras no Senado. O PSDB também tem o seu.

O que todos eles têm em comum é o seguinte: nenhum deles está a fim de ouvir a nossa opinião, especialmente se ela trouxer críticas. O blog do Lula e o do Senado não têm espaço para comentários. No da Petrobras, só são aprovados aplausos. No do Sarney, só os contratados comentavam. No do PSDB, não aprovam comentários desde 13 de agosto.

Ou seja, o conceito oligarca que nossos políticos tem de colaboração é o de colaborar com eles (no melhor estilo jagunço). A liberdade de expressão é ainda mais livre quando expressamos conivência. E todos são impolutos depois de fazerem a cagada: o Azeredo diz que a culpa é da câmara, que aprovou; o Tarso Genro e o Mercadante voltam a ser paladinos do povo, esse desconhecido (veja por quê "Lei Azeredo" é um misnomer nesses posts do Pedro Dória, Marcelo Träsel e Gravataí Merengue); o Suplicy dá um cartão vermelho semanas depois do final do jogo. Mas quem se importa com os fatos? O povo gosta é de teatro, de slogan.





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segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Governar é preciso, atacar não é preciso

Um artigo no Estadão sobre a ingerência do governo brasileiro na soberania colombiana:
O jornalista Andrés Oppenheimer, do Miami Herald, por sua vez, conversou com o chanceler colombiano, Jaime Bermúdez, e chegou a conclusão parecida. "A Colômbia deveria ter criado um rótulo para o acordo proposto, a fim de impedir seus críticos de falarem sobre ?bases militares dos EUA? em seu território. Deveria ter criado um rótulo como ?programa de convidados militares? ou ?exercício militar expandido?, semelhante ao adotado para o acordo sob o qual a Venezuela autorizou um exercício naval russo em suas águas territoriais em 2008" (artigo na Folha de S.Paulo de sexta-feira). Na mesma conversa, o chanceler colombiano esclareceu aquilo que as pessoas bem informadas já sabiam - mas o presidente Lula, o chanceler Celso Amorim e o assessor Marco Aurélio Garcia insistem em ignorar, para justificar o apoio ao coronel Chávez: as bases, que já existem há mais de 10 anos, são comandadas e operadas por colombianos e existe uma lei federal dos EUA que fixa em 800 soldados e 600 civis prestadores de serviços os norte-americanos estacionados na Colômbia. Esses números, nunca foram atingidos. No ano passado serviram na Colômbia 71 militares e 400 civis. O de que se trata agora é da ampliação desses efetivos, solicitada pelos EUA após o fechamento da sua Base de Manta, no Equador.
...
Depois de duas horas de conversa com Uribe, informou o chanceler Celso Amorim, o presidente Lula continuou temeroso de que as forças dos Estados Unidos possam atuar fora do território colombiano. Ora, Lula exigiu que o presidente Uribe desse garantias de que o combate ao narcotráfico, que é a razão do acordo com os Estados Unidos, não significará ingerência militar americana na região. Também insistiu em que o caso fosse levado à deliberação do Conselho de Defesa da Unasul. Evidentemente, o presidente da Colômbia se recusou tanto a fornecer a garantia exigida como a submeter uma decisão soberana de seu governo a um órgão subsidiário - o Conselho de Defesa - de um grupo regional tão precário que há meses não consegue fazer do ex-presidente Néstor Kirchner o seu secretário-geral e não dispõe de estrutura formal.

E outro artigo no Estadão sobre a intromissão do governo em empresas privadas:
O presidente Lula já havia pressionado a Vale quando a empresa anunciou a dispensa de 1.300 empregados no Brasil. Foi um corte pequeno, diante do porte da companhia e mesmo quando comparado com as demissões ocorridas noutros grupos. O governo esperneou, mas teve de aceitar os fatos, porque não tinha como forçar uma revisão da medida. Antes disso, o presidente da República já havia tentado reverter as demissões de 4 mil funcionários da Embraer, outra grande empresa dependente de exportações e também afetada pela recessão nos grandes mercados compradores. As pressões, nesses casos, foram muito fortes e envolveram ações na Justiça, mas também não produziram mais que barulho e perda de tempo. Embraer e Vale são empresas privatizadas. Como outras companhias vendidas pelo governo, ganharam agilidade e eficiência, tornaram-se mais lucrativas e aumentaram sua contribuição para o País, exportando muito, elevando os investimentos e recolhendo bom volume de impostos.
...
Grandes estatais são instrumentos de poder, podem alimentar caixas de campanha, servem às barganhas políticas e são excelentes para empregar companheiros. Não deve ser difícil mobilizar pessoal para essas campanhas, porque não faltam pretendentes a um bom empreguinho numa grande empresa controlada pelo governo. O uso político da Petrobrás, com a distribuição de patrocínios a municípios e a grupos alinhados com o governo, está amplamente comprovado e esse é um dos motivos da forte resistência do governo à instalação de um inquérito parlamentar sobre a empresa.

Nesse outro artigo encontro uma citação interessante:
"Não há boa-fé na América, nem entre os homens nem entre as nações; os tratados são papéis, as Constituições não passam de livros, as eleições são batalhas, a liberdade é anarquia e a vida, um tormento."

Essas palavras são de Simon Bolívar, o verdadeiro. Ele estava fazendo uma crítica, viu bolivarianos?





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segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Antonio Gramsci, fazendo escola

Em complemento ao meu post de ontem, a hegemonia dos meios de comunicação não são exclusividade de Hugo Chávez ou de velhos coronéis brasileiros (há também os novos). As duas notícias são de de maio deste ano. Na Folha online:
[O] Sindicato dos Metalúrgicos do ABC recebeu do governo federal duas concessões de TV educativa e duas de rádios educativas no Estado de São Paulo. Foi nesse sindicato --único até agora a ser beneficiado com emissoras-- que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez sua carreira sindical e se projetou para o mundo político.
De acordo com a reportagem, as concessões foram dadas em nome da Fundação Sociedade Comunicação, Cultura e Trabalho, cujo principal mantenedor é o sindicato. A reportagem diz que a legislação não permite a obtenção de outorgas por sindicatos.
No Estadão:
O presidente boliviano, Evo Morales, aprovou ontem um decreto autorizando promotores e juízes a confiscar bens de acusados de "terrorismo, separatismo e crimes contra a segurança do Estado". A informação foi divulgada pelo ministro do Interior, Juan Ramón Quintana, em La Paz. Pouco depois, Evo acrescentou que a medida pode ser aplicada a proprietários de meios de comunicação.
O decreto foi aprovado num momento em que o governo acusa autoridades do departamento (Estado) opositor de Santa Cruz de envolvimento num complô para matar o presidente. A oposição denunciou a medida como uma tentativa de retaliar empresários, políticos e veículos da comunicação que criticam Evo ou defendem as autonomias departamentais - uma reivindicação antiga de Santa Cruz, recentemente adotada por Beni, Pando e Tarija.

(...)

"Esse não é um decreto dirigido a empresários, mas a todos os cidadãos envolvidos em atividades para minar a unidade nacional ou causar riscos para a segurança do Estado", disse Quintana. "Mas se encontrarmos empresários financiando atividades separatistas eles serão castigados", completou Evo.
As referências acima foram-me lembradas pelo Francisco José Viegas em excelente post.





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domingo, 2 de agosto de 2009

Censura ao Estadão: o pequeno Hugo Chávez dentro de nós

Primeira página do Estadão online de hoje:


Obviamente há aproveitadores felizes com o fato de ser um desafeto o jornal a ser atacado... leio alhures que o Estadão não pode reclamar visto que tem se posicionado contra a indústria do grampo. Creio que quem faz esse tipo de comentário não se satisfaz com a lógica, mas ainda assim: quem faz o vazamento ilegal não é a imprensa, ela apenas o noticia (após verificar sua veracidade, se for responsável). Ou um jornal que se posicione contra a corrupção não deve noticiá-la?
Mas o Estadão aproveitou os limões para uma limonada:
Ex-consultor jurídico do Senado, o desembargador Dácio Vieira, que concedeu a liminar a favor de Fernando Sarney , é do convívio social da família Sarney e do ex-diretor-geral Agaciel Maia. Foi um dos convidados presentes ao luxuoso casamento de Mayanna Maia, filha de Agaciel, em 10 de junho, em Brasília. Na mesma data, o Estado revelou a existência de atos secretos na Casa.

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Em 12 de fevereiro, Sarney já havia comparecido à posse de Dácio Vieira na presidência do Tribunal Regional Eleitoral (TRE) do Distrito Federal. Antes de se tornar magistrado, Dácio Vieira fez carreira no Senado.

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O currículo diz que, por designação especial, ele esteve à disposição da presidência da Casa, com atuação na consultoria-geral. Sua atuação: "Encaminho de informações e razões de defesa em ações judiciais de interesse da instituição, havendo registro, à época, deste proceder, por parte da presidência da Casa, senador Mauro Benevides (Biênio de 1990/1991)."

Natural da cidade mineira de Araguari, ele tomou posse como desembargador do TJ-DF em maio de 1994. Entrou em vaga do quinto constitucional, como representante da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). Integrou duas vezes a lista tríplice de candidatos a vaga de ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ).
Realmente Hugo Chávez serve de inspiração a muita gente... notícia de quinta-feira, 30 de Julho:
A promotora geral da Venezuela, Luisa Ortega Díaz, propôs nesta quinta-feira, 30, penalizar as pessoas e os donos dos meios de comunicação que divulguem informações que atentem contra a ordem pública e "saúde mental" dos venezuelanos. A medida, apresentada à Assembleia Nacional, é parte de um projeto de lei contra "delitos midiáticos", e prevê quatro anos de prisão para quem cometê-los.

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A promotora pediu que "sejam castigadas" as pessoas e donos dos meios de comunicação que "manipulem, tergiversem a notícia com o propósito de transmitir uma falsa percepção dos fatos, ou criar uma matriz de opiniões na sociedade para alterar a paz social, a segurança da nação, a ordem pública, a saúde mental ou a moral pública."
Resultado imediato? Censura prévia, controle econômico da liberdade privada:
Cessaram neste sábado as transmissões de pelo menos três emissoras de rádio da Venezuela depois que o órgão que regulamenta as telecomunicações no país anunciou, na véspera, medidas contra 34 concessões de rádio e televisão.

O governo venezuelano lançou uma ofensiva para regularizar os meios de comunicação privados com o objetivo de "democratizar o espaço radioelétrico", mas a oposição afirma que se trata de uma iniciativa para reprimir a liberdade de expressão e sufocar a dissidência.
Ou seja, um Estado sem liberdade econômica (mesmo que "democrático", numa leitura newspeak) tem poder discricionário sobre as liberdades individuais:
O vice-presidente da Globovisión, Carlos Zuloaga, assegurou nesta quinta-feira, 30, que o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, já tomou a decisão de fechar esse canal de televisão, mas que antes tenta minimizar o custo político. "Chávez já tomou a decisão de fechar a Globovisión. Está apenas buscando a maneira de diminuir o custo político", afirmou em uma conferência organizada pelo Instituto Cato, onde substituiu seu pai e presidente da emissora, Guillermo Zuloaga.

A Globovisión, ameaçada de fechamento pelo governo venezuelano acusada de promover um "terrorismo midiático", enfrenta multas estatais de US$ 4,2 milhões e cinco expedientes administrativos, dois dos quais poderiam acarretar a retirada da permissão para transmissão em aberto.





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