quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

O delírio do Foro de São Paulo


foto da AP, publicada no el País

Comentário de Marcos Guterman no Estadão:
Com um manifesto que começa dizendo “um fantasma recorre nuestra América” (algo como “um espectro ronda a Europa”, mas sem o charme intelectual de Marx), formou-se nesta terça-feira o Movimento Continental Bolivariano (MCB). A fundação se deu em Caracas, centro do império chavista, reunindo militantes de 30 países, entre os quais o Brasil. Assim como o Manifesto Comunista, o programa do MCB invoca a luta de classes como preâmbulo e motor: “El capitalismo fracasó”.

O MCB, conforme expressa no manifesto, considera a guerra como uma forma legítima de ação, invocando os tempos da independência da América espanhola: “Nos liberamos de los tiranos por la senda de la guerra y del honor, haciendo uso del derecho imprescindible y sagrado de la resistencia a la opresión”. E acrescenta: “Que el Movimiento Continental Bolivariano, sus liderazgos políticos y sociales, se erijan en el Estado Mayor que conduzca la marcha de los pueblos hacia el triunfo de la revolución continental”.
Ele comenta também que o movimento recebe o apoio das FARC, tem liderança chavista e é claramente anti-americano (e anti-Colômbia). Para os links originais, veja o texto dele. Engraçado que o El País comentou sobre a reunião mas não mencionou o movimento, dando destaque à recusa dos presidentes bolivarianos em reconhecer as eleições democráticas em Honduras. Eu perguntaria a esses gênios da política como é, então, que se sai de um golpe de estado sem derramar sangue (ainda que fosse um golpe).

Será que ainda há quem diga que o Foro de São Paulo é um delírio de uma ultra-direita?

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Addio a mia nonna

O adeus que não te pude dar.



Partirono le rondini
nel mio paese freddo e senza sole
cercando primavere di viole
nidi d’amore e di felicità.

La mia piccola rondine partì
senza lasciarmi un bacio
senza un addio partì.

Non ti scordar di me
la vita mia è legata a te
io t’amo sempre più
nel sogno mio rimani tu.

Non ti scordar di me
la vita mia è legata a te
c’è sempre un nido nel mio cuor per te
non ti scordar di me.

Non ti scordar di me
la vita mia è legata a te
c’è sempre un nido nel mio cuor per te
non ti scordar di me.

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Fascismo de esquerda


Esta semana não tive tempo nem para um corta-e-cola, mas seguindo a dica do Gustibus, que seguiu a dica do Selva, deixo aqui os links para um ótimo resumo escrito pelo Persegonha do livro "Liberal Fascism", de Jonah Goldberg:


sábado, 7 de novembro de 2009

Prá quem não respeita a constituição um acordo não é nada

Trechos de artigos da BBC Brasil desta semana, que tem acompanhado os acontecimentos em Honduras (os títulos são meus).

O governo interino cumpre sua parte (6 de novembro):
O ex-ministro do governo interino, Rafael Pinera Ponce, disse que "Roberto Micheletti é o presidente constitucional da República (...) e corresponde a ele liderar esse gabinete".

Ao ser questionado sobre a ausência do presidente deposto, Manuel Zelaya, na liderança do novo governo, Ponce disse que o acordo firmado entre as duas partes que disputam o poder no país não prevê a restituição imediata do presidente deposto à Presidência.

O acordo prevê que o Congresso vote o retorno de Zelaya à Presidência, mas não define prazo para a votação.

Na quinta-feira à tarde, o gabinete do governo interino apresentou a renúncia de todos os ministros que haviam assumido o cargo desde o golpe do dia 28 de junho, quando Zelaya foi deposto e expulso do país, abrindo caminho para a formação do novo governo de unidade nacional.
Zelaya prefere o dualismo herói-vítima (6 de novembro):
O presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya, declarou, por meio de um porta-voz, que fracassou o acordo firmado para tentar pôr fim à crise política no país.

Micheletti disse que Zelaya não enviou uma lista de representantes e que agiu para cumprir o prazo. Mas o presidente deposto havia dito antes que abandonaria o acordo se o Congresso não realizasse uma votação para que ele voltasse ao poder.

Além de ter declarado o fracasso do acordo, Zelaya afirmou ainda que não vai reconhecer o resultado das eleições planejadas para 29 de novembro.

No início desta semana, o governo de Micheletti divulgou um comunicado à imprensa afirmando ter solicitado aos principais partidos políticos e candidatos presidenciais, inclusive a Zelaya, uma lista de dez nomes de pessoas que poderiam formar o novo governo.
Fica difícil defender Zelaya (7 de novembro):
O secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), José Miguel Insulza, pediu nesta sexta-feira para que o presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya, e o governo interino do país cumpram “sem subterfúgios” o acordo assinado pelas duas partes para acabar com a crise política do país.

"As medidas aprovadas no acordo são claras e foram aprovadas voluntariamente por ambas as partes", disse ele por meio de um comunicado.

Zelaya diz acreditar que o calendário do acordo exigia resolver primeiro a questão da presidência da República, embora o pacto assinado não estipulasse uma data para a votação do Congresso.

Os EUA disseram que reconheceriam as eleições de 29 de novembro mesmo se Zelaya não for restituído.
Na reportagem acima há uma sentença onde a BBC prefere a poesia aos fatos: "O Congresso não se reuniu para discutir o assunto e Micheletti anunciou que iria ser o chefe do governo de unidade nacional". Nas duas reportagens anteriores (atualizadas em 6 de novembro) a própria BBC descreve a atuação do Congresso - ou só a sincronicidade Jungiana explica a renúncia dos ministros? - e o anúncio de Rafael Ponce.

O governo interino prossegue na tentativa de reconciliação (7 de novembro):
Micheletti havia afirmado que o novo governo seria apresentado e passaria a operar no país ainda nesta sexta-feira, mas o líder interino diz ter reconhecido a necessidade de um “compasso de espera” já que o presidente deposto, Manuel Zelaya, se negou participar do governo de coalizão antes de ser restituído à Presidência.

"Dando novamente espaço de reflexão ao senhor Zelaya, o presidente Micheletti ratificou no dia de hoje sua disponibilidade a reconhecer que é importante um compasso de espera durante este fim de semana para conseguir concretizar o governo de unidade e reconciliação", anunciou o governo interino por meio de um comunicado.

Para evitar rimas desagradáveis, o legítimo pai dos pobres ilegítimos Fernando Lugo resolve seguir os conselhos de Chávez (que tem funcionado em terras brasilis):
O presidente do Paraguai, Fernando Lugo, demitiu, nesta quarta-feira, os chefes do Exército, da Marinha e da Aeronáutica após negar a possibilidade de um golpe militar contra o governo.

Segundo um comunicado divulgado pelo setor de imprensa das Forças Armadas, Lugo deve empossar novos comandantes na quinta-feira. A decisão de Lugo foi tomada um dia depois de ele ter negado, em entrevista coletiva, que haveria um plano de um golpe militar contra o governo.

Os rumores sobre o suposto plano de golpe de Estado começaram a surgir com uma declaração do secretário de relações internacionais do Partido Comunista Venezuelano (PCV) e vice-presidente do Grupo Venezuelano do Parlamento Latino-americano (Parlatino), Carolous Wimmer.

Segundo a imprensa local, ele teria dito que os Estados Unidos e setores da direita paraguaia queriam concretizar um “golpe contra o governo de Lugo”.
Ou seja, uma declaração de um venezuelano de extrema-esquerda acusando a conspiração de sempre é capaz de abalar a ordem institucional paraguaia.

Acusado de adultério é apedrejado até a morte na Somália

Notícia da BBC Brasil:
Um homem acusado de adultério foi apedrejado até a morte nesta sexta-feira no sul da Somália acusado de adultério, segundo declarou o grupo islâmico que controla a região.

O grupo al-Shabab afirmou que Abas Hussein Abdirahman, de 33 anos, foi morto em um frente a uma multidão de 300 pessoas na cidade portuária de Merka.

De acordo com o grupo, a amante de Abdirahman também será apedrejada, mas apenas após ela dar a luz.

update: Corrigida a cacofonia (presente no original).


domingo, 1 de novembro de 2009

O culto lulesco à ignorância

Trechos de dois comentários de Augusto Nunes. Em 26 de Agosto, o desprezo de Lula pela formação:
Povo é com ele, gabou-se outra vez nesta terça-feira. No meio da aula, recomendou o estudo de português. ”É muito importante para as crianças não falarem menas laranjas, como eu”, exemplificou. Mas não tão importante assim: ”Às vezes, o português correto as pessoas nem entendem. Entendem o menas que eu falo”.

Mesmo os que não se expressam corretamente entendem quem fala menos. Não falta inteligência ao povo. Falta escola. Falta educação. Falta gente letrada com disposição e coragem para corrigir erros cometidos por adultos que nasceram pobres. Lula deixou de dizer menas quando alguém lhe ensinou que a palavra não existe. O exemplo que invocou foi apenas outra esperteza. Poucas manifestações de elitismo são tão perversas quanto conceder a quem nasce pobre o direito de nada aprender até a morte.

Milhões de meninos muito mais pobres do que Lula foi enfrentam carências desoladoras para assimilar conhecimentos. A celebração da ignorância é sobretudo um insulto aos pobres que estudam. É também uma agressão aos homens que sabem. Num Brasil pelo avesso, os que se aprenderam português logo terão de pedir licença aos analfabetos para expressar-se corretamente, e os que estudaram em Harvard esconderão o diploma no sótão.
Em primeiro de Novembro, sobre a incapacidade de Lula de perceber a ignorância do poste Dilma:
O perfil não autorizado de Dilma Rousseff, que será publicado no começo da semana, prova que entre a candidata à Presidência e as encarnações anteriores - a guerrilheira, a secretária municipal, a secretária estadual, a ministra de Minas e Energia e a chefe da Casa Civil - há uma única diferença relevante: as outras Dilmas não falavam. Depois que desandou na discurseira, o monumento à eficiência começou a escancarar perturbadoras rachaduras.
(...)
Estava na primeira linha do perfil quando chegou este comentário do excelente jornalista Celso Arnaldo. Tudo a ver. Confiram.
(...) [Dilma] sobre o Minha Casa:

“Porque nós não vamos ter de dar conta de resolver o problema de seis milhões de habitações. São seis milhões de lares, de moradias, de casas que falta no Brasil. Daqui para frente o que nós estamos fazendo é o seguinte: nós vamos provar para esse um milhão que é possível fazer. E vamos, eu acho, a partir do final desse programa, nós teremos de estar em perfeitas condições para iniciar já fazendo os outros seis milhões sem o que o déficit habitacional brasileiro não vai ser resolvido”.

Dispensa comentários, mas me permito um já pensou se, na hora de defender a tese que nunca defendeu para o doutorado que nunca fez, a Dilma falasse desse jeito para a banca examinadora?

Não seria pau direto até na Uniban?
Dilma é isso aí. Sempre foi. Prisioneiro da  formação intelectual indigente, Lula não sabe se alguém está pronto para lecionar em Harvard ou naufragar no Enem. É compreensível que tenha resolvido transformar em sucessora a companheira de cabeça confusa. Deve achar bonito o que Dilma diz. Deve achar que só uma sumidade consegue pilotar um projetor enquanto fala do PAC.



segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Negadores do holocausto são um caso particular de negação da história

Em resenha extremamente positiva sobre o último livro do Richard Dawkins, o editor de Ciência da Folha de SP Claudio Angelo diz:
Depois de passar anos negando o Holocausto, o presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, muda-se para Nova York e inaugura um instituto de estudos históricos. Mesmo que suas aulas não discutam a 2ª Guerra, quantos judeus se inscreveriam nelas? Uma situação análoga a esse caso hipotético se aplica a Richard Dawkins e seu recém-lançado livro "The Greatest Show on Earth" ("O Maior Espetáculo da Terra").

...

Mas, como os judeus de Ahmadinejad, que criacionista compraria um livro que defende a evolução, ainda mais escrito por Richard Dawkins?
Apesar do excelente texto - e aposto que o livro do Dawkins seja realmente bom - essa comparação entre Dawkins e Ahmadinejad me incomodou muito. O próprio Dawkins compara criacionistas a "negadores da história" e assim, a analogia correta seria entre criacionistas e negadores do holocausto. E Dawkins viria como um centro internacional de estudos históricos instalando-se no Irã.

Acho que o jornalista quis seduzir os criacionistas usando uma analogia facilmente digerível - assumindo que criacionistas são contra negadores do holocausto dado seu posicionamento político - mas na prática o resultado pode ser perverso: criacionistas não são estúpidos ou ignorantes em geral, e ao perceberem o truque do jornalista verão mais um motivo para não ler o livro, da mesma forma que judeus (usando sua analogia errada) não vão se inscrever no instituto de Ahmadinejad só porque as aulas são convincentes. E Dawkins não escreve livros para criacionistas convictos - apesar desses, também, se beneficiarem de sua leitura.

Ou seja, não há conto do vigário, o que há é um autor que escreve livros de divulgação científica além de publicar sua opinião sobre a compatibilidade entre religião e ciência. É possível e até mesmo saudável concordar com ele em alguns pontos e discordar em outros. O que não é salutar é assumir seu posicionamento em uma discussão (e.g. ateísmo) para refutá-lo em outra (evolução biológica, por exemplo). Como faz o jornalista, por exemplo, ao descrever Dawkins como "defensor ferrenho da teoria evolutiva". Ele é um divulgador da teoria evolutiva e defensor ferrenho do ateísmo. A evolução não precisa ser "defendida", precisa ser divulgada e explicada. Assim como a matemática ou a física. Ou será que "anything goes"?

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Novos ídolos para a idiotia latino-americana: ditadores africanos

Trechos de entrevista de Guillaume Lacaille, do instituto International Crisis Group em reportagem do CS Monitor sobre não haver nenhum merecedor do prêmio de Mo Ibrahim:
Geralmente o que temos observado na África, e isto é preocupante, é que os líderes estão manipulando suas constituições e fraudando as eleições para serem eleitos. Via de regra, vários líderes aprenderam como preservar os símbolos da democracia sem seguir o espírito democrático, sempre no intuito de permanecer no poder.
Marian Tupy, um observador do Cato Institute, comenta no mesmo artigo:
Essa noção de "um novo amanhecer na África" foi grandemente exagerada, e agora a falta de crescimento econômico na África, e a falta de segurança em geral está alcançando os líderes africanos. Nos últimos quatro ou cinco anos, a economia global favorável ofereceu uma percepção incorreta, camuflou os problemas.
Investidores normalmente fazem um melhor juízo acerca do andamento das reformas de um país do que diplomatas. Agora que a economia global segue um caminho difícil, o dinheiro procura por lugares seguros e previsíveis por onde ir, onde a lei é obedecida, e estamos tendo uma visão panorâmica dos problemas de governança africanos.

Isso explica o interesse de alguns em apoiar ditadores africanos. Transferência de know-how.

domingo, 18 de outubro de 2009

Brincando com o google books e a hipocrisia da revista do PT

Divertido que o google books cria uma nuvem de palavras de alguns livros - acho que daqueles que o google books não tem permissão para reproduzir. Veja o resultado com a revista do PT, de vários anos:


Curioso é que o PT não disponibiliza essa revista, ou seja, tem que pagar (ou, ao menos, não achei pelos canais oficiais...). Eu esperava algo mais democrático e menos elitista. Procurando pela revista online, acabo encontrando esse comentário na sua última edição:
Iole Ilíada, diretora da Fundação Perseu Abramo, foi uma das petistas presentes à 15ª edição do Foro de São Paulo, realizada no México, e nos relata as principais discussões da esquerda em pauta na América Latina e os desafios futuros levantados no evento. Tornando mais concreto um dos debates do Foro, as possíveis eleições de candidatos do campo progressista no continente, publicamos entrevista feita pela jornalista Clarissa Pont com os uruguaios José Pepe Mujica e Danilo Astori, candidatos a presidente e vice, respectivamente, pela Frente Ampla.

Pois é, o Foro de São Paulo, que pauta os gorilas do continente.

A catraca de Muller política

Tradução de alguns trechos de reportagens do Christian Science Monitor (o nome é uma relíquia histórica, a publicação não é científica nem cristã).

O mais novo magnata da Nicaragua? O presidente "socialista" Daniel Ortega :
Os negócios obscuros de Daniel Ortega, ligados ao presidente da Venezuela Hugo Chávez, estão confundindo os limites entre o partido, o Estado e a família, dizem os críticos.

O presidente nicaraguense Daniel Ortega não fala como a maioria dos homens de negócio. É mais fácil ao ex-líder revolucionário esbravejar contra os males do "capitalismo selvagem" do que discutir seus empreendimentos multimilionários.

Porém, apesar de sua postura retórica contra o "modelo imperialista falido", Ortega e seus confidentes sandinistas mais próximos estão rápida e silenciosamente se tornando os novos senhores da economia do pobre país.

Desde seu retorno à presidência em 2007 (...) Ortega tem criado uma rede de negócios privados que operam sob os auspícios da Aliança Bolivariana para as Américas (ALBA), um acordo de cooperação opaco de países esquerdistas financiados em grande parte pelo presidente venezuelano Hugo Chávez.

Os "negócios da ALBA" de Ortega - conhecidos por uma sopa de letras de acrônimos, como ALBANISA, ALBALINISA e ALBACARUNA - dominaram os mercados de distribuição e importação de petróleo, tornaram-se o principal fornecedor de energia e exportador de café do país, obtiveram lucro com a venda das de ônibus russos doados, e compraram um hotel no centro de Manágua, entre outros investimentos lucrativos.

Apesar da grande sombra que paira sobre as operações comerciais advindas do segredo governamental, a luz revela lucros de centenas de milhões de dólares, apesar da recessão econômica.

Prisão de rival de Mugabe ameaça o governo de unidade do Zimbabwe :
Roy Bennett, um ex-fazendeiro de café cujas terras foram confiscadas pelo governo de Mugabe, é o tesoureiro do Movimento pela Mudança Democrática (MDC) e auxiliar de confiança do primeiro-ministro Morgan Tsvangirai, líder do partido e principal oponente doméstico de Mugabe. Quarta-feira Bennet foi mandado à prisão para ser julgado sob as acusações de terrorismo, insurgência, sabotagem e formação de quadrilha. A condenação levaria à prisão perpétua. A data para o julgamento ainda não foi definida.
(Bennet foi liberado sob fiança sexta-feira, mas a confusão continua.)


O Guantánamo de Obama, políticas anti-terror similares às de Bush? :
Após nove meses de administração Obama, os mesmos representantes de direitos humanos e liberdades civis que faziam duras críticas ao presidente Bush agora fazem críticas semelhantes à nova administração.

Apesar da retórica da Casa Branca ter diminuído o tom, interrogatórios brutos terem cessado e prisões secretas da CIA terem sido fechadas, críticos reclamam que as políticas emergentes anti-terror de Obama se parecem mais com Bush do que Obama.

A administração adotou a filosofia de lei marcial de Bush justificando a detenção indefinida de suspeitos de terror considerados pelo presidente Obama como sendo difíceis de ir a juízo porém perigosos demais para serem liberados.

Representantes do governo sugerem que Obama pode falhar em cumprir sua promessa de fechar a prisão de Guantánamo até janeiro. Uma nova versão do controverso processo de comissão militar deve emergir logo do congresso. E as construções continuam para uma nova e expandida prisão para terroristas na base aérea de Bagram, no Afeganistão.


Obs: catraca de Muller é o processo irreversível através do qual mutações deletérias vão se acumulando em populações assexuadas, sob certas condições.

sábado, 10 de outubro de 2009

Os meios determinam os fins, mas o MST finge não saber

Trechos de comentário de Renato Pacca sobre a mais recente invasão do MST:
Foi noticiado que a Polícia Civil abriu inquérito para apurar os crimes de invasão de propriedade, crime ambiental, formação de bando ou quadrilha, furto e danos ao patrimônio. Disseram que testemunhas serão ouvidas e os responsáveis responderão pelos delitos praticados.

Ocorre que o mais importante a imprensa não perguntou: Porque a Polícia não lavrou o auto de prisão em flagrante? Porque deixou os invasores abandonarem a Fazenda para depois abrir inquérito, ouvir testemunhas e começar a apurar as responsabilidades?

Ora, a prisão em flagrante delito independe de ordem judicial. O artigo 301 do Código de Processo Penal prevê que “qualquer do povo poderá e as autoridades policiais e seus agentes deverão prender quem quer que seja encontrado em flagrante delito.”

Eis aí a diferença entre poder (qualquer um do povo pode prender) e dever (as autoridades policiais não apenas podem. Existindo flagrante delito, elas devem efetuar a prisão, sob pena de responder, pelo menos em tese, pelo crime de prevaricação).
E as decisões inócuas da Justiça:
Em sua decisão, o juiz determinou que o MST seja multado a cada dia em R$ 500, por pessoa, caso não deixe o local. Além disso, concedeu reintegração de posse à empresa.

É extremamente pertinente que o Judiciário se posicione contra as atitudes criminosas do MST, mas a multa não terá nenhuma eficácia, pois o MST não tem patrimônio e sequer existe como pessoa jurídica. É preciso reintegrar de imediato a empresa na posse, antes que o MST termine de destruir o que resta de produtivo na área. E seria interessante também identificar os líderes do movimento e responsabilizá-los criminalmente pelos atos praticados.




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segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Lula atinge o ponto sem volta em Honduras - a partir da Venezuela, claro

Três notas rápidas, do Estadão:
Zelaya conclama ofensiva final em Honduras
"Um chamado nacional foi feito para agricultores e trabalhadores de outros setores para que se reúnam em Tegucigalpa e alguns já começaram a formar estas manifestações", disse Tamayo. "Agricultores estão viajando por conta própria, em transporte público, porque se chegarem em grupos ou de carro, a polícia e o Exército vão pará-los em pontos de checagem."

Zelaya pediu a seus partidários que se dirijam à capital amanhã, data em que o golpe faz três meses, para uma ofensiva final contra o governo de facto". "Estamos fazendo um chamado patriótico à resistência em todo o território nacional", disse ele em comunicado entregue a um fotógrafo da France Press na noite de ontem.

Brasil rejeita ultimato para definir situação de Zelaya
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse neste domingo, 27, que não aceita o ultimato de dez dias dado pelo governo de facto de Honduras para que o Brasil defina o status do presidente deposto do país, Manuel Zelaya, que está na Embaixada do Brasil em Tegucigalpa.
...
"Não aceito ultimato de um governo golpista", disse Lula em Porlamar, na Venezuela, onde participa da Cúpula América do Sul-África.
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"Zelaya foi expulso do poder da maneira mais vergonhosa possível", disse Lula. "Para mim, a solução é simples: os golpistas devem sair do palácio presidencial", afirmou Lula.

Honduras ameaça retirar status diplomático da embaixada do Brasil - Estadao.com.br
"Se o status de Zelaya não for definido dentro de 10 dias, a embaixada vai perder sua condição diplomática", disse o ministro das Relações Exteriores do governo interino, Carlos López Contreras, em uma entrevista coletiva.

"Por cortesia, uma invasão do local não está sendo considerada", afirmou. López Contreras disse ainda que a embaixada vai se tornar uma residência privada.
...
"O governo brasileiro não acata ultimato de golpista, e nem o reconheço como governo", afirmou o presidente. "A palavra correta é golpista. Usurpador de poder. Essa é a palavra correta, e o governo brasileiro não negocia com ele."

Lula disse ainda que o Brasil "tem dentro da sua embaixada um presidente legitimamente eleito pelo voto popular do povo de Honduras".
...
O governo interino acusa o presidente deposto de "usar a embaixada para instigar a violência e a insurreição contra o povo hondurenho e seu governo constitucional".
...
"Se o Zelaya extrapolar, vamos chamá-lo e dizer que não é politicamente correto utilizar a embaixada brasileira para ficar fazendo incitação a qualquer coisa além do espaço democrático que nós estamos dando para ele", disse Lula.
...
"Seria muito mais fácil resolver tudo isso se o Micheletti pedir desculpas, for embora, permitir que o presidente eleito volte, convocar eleições. Porque o povo de Honduras vivia em paz até então", afirmou [Lula].

O presidente disse que, caso contrário, a crise permanecerá, porque nenhum país reconhecerá a legitimidade do presidente que for eleito em um pleito organizado pelo governo interino.

Quanto ao último ponto, cabe lembrar que é uma bobagem a história de que apenas governos "legítimos" podem legitimar um governo (caso contrário ditaduras seriam irreversíveis). Mas não acreditem em mim, leiam a entrevista do ex-chanceler mexicano Jorge Castañeda ao Estadão:
Barack Obama e Hillary Clinton estão cientes do envolvimento americano em episódios horríveis ao longo dos anos. Só acho que não elaboraram o quadro de maneira satisfatória, não só por causa das circunstâncias, mas por conta dos desdobramentos: as eleições já estavam marcadas. Todas as eleições que vêm de um governo autoritário são, por definição, ilegítimas? Se for assim, até Tancredo Neves poderia ser chamado de ilegítimo porque foi escolhido pelo general Figueiredo. Ou Patricio Aylwin, no Chile, Vicente Fox, no México, ou Lech Walesa, na Polônia. No entanto, ninguém se opôs a eles. São frutos de regimes ilegítimos que promoveram eleições. O argumento é estúpido. Como os americanos não pensaram bem, agora estão numa situação desconfortável.
Obviamente o governo interino também está fazendo burradas: impedindo a entrada dos diplomatas da OEA, criando um decreto de censura à imprensa, e mesmo a azucrinação aos invasores da embaixada eu acho desnecessária. Que eu me lembre, da última vez o Zelaya desistiu da "resistência" em acampamento e fugiu para o conforto de um hotel. Essa invasão não vai longe.



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