
foto da AP, publicada no el País
Comentário de Marcos Guterman no Estadão:
Com um manifesto que começa dizendo “um fantasma recorre nuestra América” (algo como “um espectro ronda a Europa”, mas sem o charme intelectual de Marx), formou-se nesta terça-feira o Movimento Continental Bolivariano (MCB). A fundação se deu em Caracas, centro do império chavista, reunindo militantes de 30 países, entre os quais o Brasil. Assim como o Manifesto Comunista, o programa do MCB invoca a luta de classes como preâmbulo e motor: “El capitalismo fracasó”.Ele comenta também que o movimento recebe o apoio das FARC, tem liderança chavista e é claramente anti-americano (e anti-Colômbia). Para os links originais, veja o texto dele. Engraçado que o El País comentou sobre a reunião mas não mencionou o movimento, dando destaque à recusa dos presidentes bolivarianos em reconhecer as eleições democráticas em Honduras. Eu perguntaria a esses gênios da política como é, então, que se sai de um golpe de estado sem derramar sangue (ainda que fosse um golpe).
O MCB, conforme expressa no manifesto, considera a guerra como uma forma legítima de ação, invocando os tempos da independência da América espanhola: “Nos liberamos de los tiranos por la senda de la guerra y del honor, haciendo uso del derecho imprescindible y sagrado de la resistencia a la opresión”. E acrescenta: “Que el Movimiento Continental Bolivariano, sus liderazgos políticos y sociales, se erijan en el Estado Mayor que conduzca la marcha de los pueblos hacia el triunfo de la revolución continental”.
Será que ainda há quem diga que o Foro de São Paulo é um delírio de uma ultra-direita?

















