sábado, 26 de novembro de 2016

Um ditador assassino a menos

Former Cuban President Fidel Castro dead at age 90 | Miami Herald:
Millions cheered Fidel Castro on the day he entered Havana. Millions more fled the communist dictator’s repressive police state, leaving behind their possessions, their families, the island they loved and often their very lives. It’s part of the paradox of Castro that many people belonged to both groups.
Few national leaders have inspired such intense loyalty — or such a wrenching feeling of betrayal. Few fired the hearts of the world’s restless youth as Castro did when he was young, and few seemed so irrelevant as Castro when he was old — the last Communist, railing on the empty, decrepit street corner that Cuba became under his rule.
Fidel Castro: Cuban leader condemned as 'dictator' who presided over executions and human rights abuses | The Independent:
When Castro handed the presidency to his brother Raul in 2008, Human Rights Watch (HRW) warned that the “abusive legal and institutional mechanisms” set up during the communist revolution continued to deprive Cubans of their basic rights.
“Even if Castro no longer calls the shots, the repressive machinery he constructed over almost half a century remains fully intact,” said the group’s Americas director, José Miguel Vivanco. “Until that changes, it’s unlikely there will be any real progress on human rights in Cuba.”
HRW cited secret police, surveillance, short-term detentions, house arrests, travel restrictions, criminal prosecutions and politically motivated sackings as methods of “enforcing political conformity”, as well as restrictions embedded in legal and constitutional structures.
All media is heavily censored and the spreading of “unauthorised news” a criminal offence, with internet access heavily limited by cost and restrictions.
Fidel Castro was a cruel dictator. Ignore the revisionists | Coffee House:
Why are left-wing dictators always treated with more reverential respect when they die than right-wing ones, even on the Right? The deaths of dictators like Franco, Pinochet, Somoza are rightly noted with their history of human rights abuses front and centre, but the same treatment is not meted out to left-wing dictators who were just as monstrously cruel to people who opposed their regimes.
 Pois é todas as passadas de pano prá Fidel também funcionam prá outros ditadores, genocidas: "Pinochet era um ditador, mas em compensação olha o que ele fez pela economia", ou "Franco era uma personalidade ambígua, nem boa nem má". Ou ainda, como resumiu o mestre Goiaba:

sexta-feira, 25 de novembro de 2016

O triplex do Lula

Em discurso, Lula comete ato falho e admite ter triplex
Durante um discurso em um congresso da Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp) em Serra Negra (SP), o ex-presidente Lula resolveu atacar a Força-Tarefa da Operação Lava Jato e a imprensa, em um dos momentos mais impactantes de sua fala ele chegou a comparar a atenção dada às denúncias contra ele e contra o ministro da Secretaria de Governo, Geddel Vieira Lima, pela compra de um apartamento em Salvador (BA) e “admite” ser dono do triplex do Guarujá (SP), segundo informações do jornal o Estado de S.Paulo.
“Vocês percebem que não dão destaque ao apartamento do Geddel como deram ao meu triplex”, afirmou Lula, a plateia do congresso.
Notícias anteriores a 2012:

Cooperativa não entrega tríplex de Lula na praia - Geral - Estadão
A Bancoop tem como seu mais ilustre cooperado ninguém menos que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Ele é um dos petistas que, dado o relacionamento histórico entre o partido e o Sindicato dos Bancários, enxergaram na cooperativa a oportunidade de adquirir um imóvel a preço reduzido.
A família de Lula espera há anos a entrega de uma cobertura tríplex na praia das Astúrias, no Guarujá, no litoral paulista. O apartamento consta da declaração de bens que o presidente apresentou à Justiça Eleitoral em 2006, como parte dos requisitos para se lançar candidato à reeleição. O imóvel foi descrito na retranca "Participação Cooperativa Habitacional Apartamento em construção no Guarujá". Até maio de 2005, Lula havia pago R$ 47.695,38.
Construtora OAS assumiu obra da Bancoop em prédio de Lula | Reinaldo Azevedo | VEJA.com
A edição desta semana de VEJA mostrou que o Ministério Público de São Paulo quebrou o sigilo da Bancoop e descobriu que dirigentes da Cooperativa Habitacional lesaram milhares de associados, para montar um esquema de desvio de dinheiro que abasteceu a campanha de Lula em 2002. Foram sacados ao menos 31 milhões de reais na boca do caixa.
Folha de S.Paulo - Foco: Obra de prédio em que Lula é cooperado, de frente para o mar em Guarujá, está parada - 11/03/2010
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva integra o rol de cooperados da Bancoop (Cooperativa Habitacional dos Bancários de São Paulo) que não conseguem receber um imóvel comprado da entidade, investigada pelo Ministério Público.
Na declaração de bens entregue ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral) em 2006, Lula informou ter "participação em cooperativa habitacional de apartamento em construção em Guarujá (SP)", já tendo pago, até maio de 2005, R$ 47.695,38.
Patrimônio de Lula é superior ao de Alckmin Autor: Basile, Juliano e Lyra, Paulo de Tarso Fonte: Valor Econômico, 06/07/2006, Política, p. A10
O registro da candidatura Lula mostrou quanto subiu o patrimônio do presidente. Em 2002, Lula declarou exatos R$ 422.949,32. Ontem, seu patrimônio era de R$ 839.033,52. É uma evolução patrimonial de 98%. Em nota, o PT afirmou que a evolução "deve-se à poupança de parte do seu salário como presidente da República e aposentadoria, bem como aos rendimentos de aplicações anteriores a 2002, acrescidos da aplicação da poupança mensal já referida em fundos de investimento especificados na declaração entregue hoje (ontem) ao TSE". O presidente registrou várias aplicações financeiras ao TSE.
" No registro de sua candidatura no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva declarou bens no valor de R$ 839.033,52, quase o dobro dos R$ 422.949,32 declarados em 2002, antes de assumir o governo. A principal mudança que levou ao crescimento do patrimônio é a quantidade de investimentos.
Nas duas declarações aparecem três apartamentos em São Bernardo e um terreno. Os valores de 2002 e 2004 são iguais para os quatro imóveis, num total de R$ 271.278,74. Na deste ano, Lula declara a compra de um apartamento em construção no Guarujá, litoral paulista. Segundo a declaração já foram pagos R$ 47.695,38 à cooperativa habitacional.

sexta-feira, 2 de janeiro de 2015

O impeachment de Dilma -- artigo de Elton Flaubert na Amálgama

O impeachment de Dilma | Amálgama:

Afinal, o que foi o mensalão? Um golpe de Estado. Em português claro: o governo comprava sua base parlamentar, criando um Legislativo paralelo que aprovava seus projetos, dando-lhe poder político ilimitado. Assim, interditava-se a democracia ao acabar com os checks and balances, a tripartição de poderes e o poder soberano do voto.

De onde vinha o dinheiro para as propinas? Era dinheiro público vindo do Banco do Brasil ou de empréstimos fraudados feitos pelo Banco Rural ao PT e à SMPB de Marcos Valério, que se encarregava de lavar o dinheiro para pagar propinas aos parlamentares, dívidas da campanha de 2002 do PT, e abastecer campanhas eleitorais do PT e de seus aliados. Em suma, o mensalão foi o golpe de um partido na democracia feito por “marginais no poder”, na expressão do ministro Celso de Mello.

Fica claro então que não se tratava de corrupção banal, de apenas enriquecimento ilícito de pessoas que se corromperam, mas de corrupção com uma dimensão política, que servia a um projeto de poder e não só de governo.

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domingo, 14 de dezembro de 2014

Dois textos sobre as palavras perdendo o sentido para ideologias

Tiranicídios | Dicta & Contradicta:

No livro Abuse of language, Abuse of power, o filósofo alemão Josef Pieper demonstra como o abuso da linguagem usada então não mais para comunicar, mas para a manipular – por meio de propaganda, livros, progamas de TV, reportagens etc. – as opiniões e sentimentos das pessoas. Quando nos referimos aos mass media, à indústria do entretenimento, “não estamos transitando por um território neutro, separado da realidade política e intitulado, digamos, ‘a imprensa’ ou ‘o meio cultural’, ou ‘o universo literário’, como for. O discurso público, a partir do momento que se torna neutro em relação a um padrão estrito de verdade, torna-se, por sua própria natureza, apto a servir de instrumento nas mãos de qualquer governante a fim de promover todo tipo de planos de poder. O discurso público separado de todo padrão de verdade cria, na medida em se torna prevalente, uma atmosfera de prostração e vulnerabilidade epidêmicas à ascensão do reinado de um tirano.”[6]

When Austerity Isn't Austere by Theodore Dalrymple, City Journal Autumn 2014:

But by using the word “austerity,” I convince myself that I am really making a huge sacrifice, beyond which no one can reasonably expect me to go. Indeed, I am already suffering horribly from my austerity, for I really like Meursault with my scallops. But is forgoing it really “severe self-discipline, abstinence, asceticism”?

Analogies, by definition, are inexact, and household accounts are not the same thing as national accounts. Nevertheless, to call a reduction of excess government spending “austerity” seems to be, in essence, a lie designed to give the impression that government spending has been cut to the bone. Perhaps it ought not to be cut to the bone, and perhaps it would be unwise to try to do so; but that is another question entirely.

Mas como disse Seth Barron, "Progressives like to think big. Working out the details is usually someone else’s problem."

domingo, 16 de novembro de 2014

Editorial no Estadão sobre os presidentes envolvidos com a Operação Lava Jato

Crime de responsabilidade - Opinião - Estadão:

De fato, está registrada no Diário Oficial da União a prova documental da conivência de dois presidentes da República com a corrupção na Petrobrás. É um escândalo de dimensões mastodônticas que envolve todas as diretorias operacionais da estatal, dezenas de executivos de empreiteiras e outro tanto de políticos de praticamente todos os partidos mais importantes da base governista no desvio de recursos estimados em pelo menos uma dezena de bilhões de reais.

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terça-feira, 4 de novembro de 2014

O moinho de vento da vez -- ou de como meus colegas estão perdendo a noção de proporção

Imagem adorada pelas esquerdas. Das que batem paus e flashs. (autor da imagem aqui)

Graças a um novo tipo de jornalismo engajado, tenho visto uma movimentação bem triste na minha timeline (twitter e facebook), do pessoal assustado com o que seria o avanço de uma extrema-direita. Fiquem tranquilos, ela não existe senão nos fringes onde sempre existiram, e sempre vão existir. E como passaram a cobrar das 'lideranças da oposição' uma resposta, esquecendo-se contudo de acompanhar ditas respostas, juntei algumas aqui:
Reportagem da Folha de S.Paulo (com manchete mentirosa, aliás):
Questionado sobre as manifestações em favor do impeachment da presidente Dilma Rousseff e o resultado das urnas, Aécio disse que os atos políticos não têm o seu apoio e são condenados pelo PSDB –especialmente os que defendem intervenção militar no país. Segundo o tucano, há pessoas "infiltradas" nos atos políticos para tentar associá-los à oposição.
(...)
Novos eventos de pedido de impeachment da presidente Dilma foram marcados nas redes sociais para o feriado de Proclamação da República, no dia 15, em São Paulo, no Rio e em Brasília. O evento está sendo convocado por dois grupos. Um deles é puxado pelo deputado federal eleito Eduardo Bolsonaro (PSC-SP) e por Paulo Batista, que foi candidato a deputado estadual pelo PRP. O outro é organizado pelo empresário Marcello Reis. Ambos dizem não ser responsáveis pelos pedidos de intervenção militar na última manifestação. "Lógico que tem um grupo que quer intervenção militar, mas não somos um deles", afirmou.
Alckmin diz que não se pode 'aceitar' defesa de intervenção militar - Política - Estadão:
O governador Geraldo Alckmin (PSDB) disse nesta segunda-feira, 3, que as manifestações em favor da intervenção militar, feitas no protesto de sábado na Avenida Paulista, são inaceitáveis.
Máquina de difamação petista engana até tucanos | Rodrigo Constantino - VEJA.com:
Ela diz com todas as letras que eu sou líder de uma direita que quer os militares no poder. É uma acusação muito séria. É uma calúnia, uma difamação. Eu desafio a ex-vereadora a mostrar um só indício de que eu peço intervenção militar no país hoje. Jamais defendi algo do tipo. Jamais preguei isso. E não sou líder de nada, apenas alguém apartidário que ousa pensar por conta própria e não teme a patrulha ao dizer o que pensa.
Andrea Gouvêa Vieira, não satisfeita de mentir em sua página, foi até a minha repetir que eu não a represento. Nunca tive a pretensão de representar todos. Dou voz aos meus pensamentos, que por acaso representam o de milhares de pessoas, vide as curtidas e comentários.
Defendo a democracia republicana com claros limites constitucionais ao poder Executivo e divisão de poderes, uma economia de mercado com liberdade para a iniciativa privada, o estado de direito e a propriedade privada.
Comentário de Olavo de Carvalho (Facebook):
Não peço intervenção militar nem acredito nela. (...)
Uma coisa e entender que, moralmente, os militares teriam a obrigação de intervir. Outra coisa é acreditar que eles o farão, e uma terceira coisa é pedir que o façam.
Dá prá juntar muito mais, mas não tenho muito tempo a perder com essa discussão. No fim vocês estão atacando moinhos de vento, e fico triste que vocês caiam nessa, de uma hora prá outra (OK, influenciados por repórteres sem escrúpulos). E fico um pouco puto também porque eu, que estou sem tempo e acho a discussão ridícula, tenha que gastar os três minutos necessários prá achar as declarações acima. É complicado ficar exigindo explicação de quem a gente não acompanha ou conhece -- essa é a situação perfeita pra se criar um strawman. Criacionistas são experts nessa arte. Se vocês querem saber a opinião do Huguinho ou do Zezinho, vocês terão que fazer o esforço de ler e acompanhar o Huguinho e o Zezinho (ou perder os 3 minutos, como eu fiz).

Gostaria, porém, de ver a mesma cobrança com seus ideólogos de estimação. A diferença é que, se de um lado, o PSDB e que tais logo rejeitam e desautorizam seus idiotas, as esquerdas acolhem e defendem os seus -- vide criminosos julgados, corruptos pegos no ato, exageros de manifestantes e até os discursos oficiais. Os idiotas da esquerda oferecem perigo bem mais real (por número, influência, e proximidade do poder) do que os da direita. Se você insiste em dividi-los assim.

Agora é hora de interpretações caridosas, não de homens-de-palha.
Essa é a diretiva oficial do partido, não de um extremista. Imagina a grita se um PSDB da vida comemorasse seus bandidos? (imagem daqui)

quinta-feira, 21 de agosto de 2014

A fofoca é real, mas publicá-la não é uma descrição objetiva da realidade.

Por isso, principalmente em ano eleitoral, cuidado com jornalismo sem apuração, sem confrontar discursos com dados.

A gente não atira no "basso":

Nada. Apenas o exercício do jornalismo. Não se pode dar uma notícia dessas na base do "parece que" ou "tudo leva a crer"... Afinal, poderia ser outro avião que caíra em Santos, tendo o de Eduardo Campos feito um pouso de emergência sabe-se lá onde.

Impossível? Muita coincidência? Mas já tínhamos exatamente isso -  uma história impossível, que estava acontecendo bem diante de nossos olhos.

Real Reporting Is About Revealing Truth; Not Granting 'Equal Weight' To Bogus Arguments | Techdirt:

Bad journalists seem to think that if someone is making a claim, you present that claim, then you present an opposing claim, and you're done. They think this is objective because they're not "picking sides." But what if one side is batshit crazy and the other is actually making legitimate claims?

 

sábado, 16 de agosto de 2014

Quem fará passeata por esses mortos?

Iraqi civilian death toll passes 5,500 in wake of Isis offensive | World news | The Guardian:

The violence in Iraq has killed more than 5,500 civilians over the first six months of the year, according to a report by the United Nations that documents the massive humanitarian toll of the Sunni militant offensive.

Estado Islámico ejecuta a más de 700 personas en Siria en 2 semanas:

Los yihadistas del Estado Islámico (EI) han ejecutado a más de 700 personas, en su mayoría civiles, durante las últimas dos semanas en el este de la provincia siria de Deir al Zur (noreste), según confirmó el Observatorio Sirio de Derechos Humanos (OSDH). (...) Además, el OSDH asegura haber podido documentar los nombres de decenas de esas víctimas y señala que cientos de los ejecutados por el EI fueron sacrificados después de sus familias, y les cortaron la cabeza para luego mostrarla en lugares públicos.

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