segunda-feira, 8 de março de 2010

Notícias da semana

Evitando comentar agora os casos Bancoop e Eletronet (ou a audiência pública no STF sobre cotas raciais, evento importante da semana), aqui vão trechos de outras notícias recentes.

O racismo como política de Estado (Marcos Guterman):
Acaba de entrar em vigor no miserável Zimbábue uma lei, patrocinada pelo ditador Robert Mugabe, que manda transferir o controle de empresas com patrimônio de pelo menos US$ 500 mil para negros zimbabuanos.

Segundo o Times, todas as companhias terão seis semanas para entregar formulários nos quais a raça de cada um dos sócios terá de ser detalhada. Se ficar comprovado que há mais brancos que negros, a empresa terá de ceder ações para os negros até que estes fiquem com 51%.
O direito das Falklands à autodeterminação (Marcos Guterman):
[A] Economist foi mais enfática, dizendo que, ”mais uma vez, um governo argentino impopular está fazendo barulho agressivo sobre as Falklands”. Para a revista britânica, a situação é cristalina: “Quase todos os argentinos e muitos latino-americanos acreditam que em geografia, história e direito internacional as ilhas que eles chamam de Malvinas pertencem à Argentina. O Reino Unido expulsou um pequeno grupo de colonos argentinos em 1833. A soberania britânica é de fato uma anomalia, mas o mundo está cheio delas. Se voltarmos o relógio para 1833, o sul da Argentina deveria ser um país independente, governado por índios, e o Estado brasileiro do Acre deveria voltar à Bolívia. Para os britânicos, garantir o direito dos moradores das Falklands à autodeterminação é a prioridade. E é um argumento forte”.
Amigos do Rei (Rodrigo Constantino):
O empresário Abílio Diniz, do Grupo Pão de Açúcar, a maior rede varejista do país, defendeu com fervor a candidata petista Dilma, além de se declarar um profundo admirador do presidente Lula.
(...)
Ele foi vítima de um seqüestro em 1989, orquestrado por membros da esquerda latino-americana. A polícia encontrou nomes de petistas em agendas dos criminosos. Desde 1990, o PT é parceiro destes grupos de esquerda no Foro de São Paulo, que julgam que seus fins justificam quaisquer meios. Será que Abílio sofreu a Síndrome de Estocolmo?
(...)
Há outra opção: Abílio, como um grande empresário, gosta da idéia de manter estreita amizade com o “rei”, já que este concentra poder demais no Brasil. Em uma canetada, o governo brasileiro pode decidir o futuro de todo um setor. Ter bom relacionamento com governantes num país assim pode valer muito mais do que ser competitivo ao atender as demandas dos consumidores. O fascismo leva ao mesmo resultado: uma grande simbiose entre grandes empresários e políticos poderosos. Quem foi que disse que grandes empresários são liberais?
Lula entrega obra aos pedaços e Sérgio Cabral inaugura dialeto (Augusto Nunes):
Em 2006, o presidente Lula inaugurou a pedra fundamental do Complexo Petroquímico do Estado do Rio de Janeiro, o Comperj. A plateia do comício em Itaboraí teve de aplaudir uma promessa. Em 2008, agora escoltado por Dilma Rousseff e pelo governador Sérgio Cabral, o chefe sempre em campanha voltou à cidade fluminense para inaugurar, hasteado sobre um trator, o início dos serviços de terraplenagem. A plateia teve de aplaudir uma miragem. Nesta segunda-feira, mais uma vez, Itaboraí poderá ver de perto Lula, Dilma e Cabral. A obra continua invisível. Só se tornará palpável ─ se tudo der certo ─ em meados de 2012, com a entrada em funcionamento de uma refinaria de petróleo.
Cabral diz que governo Lula é incapaz e discrimina o Rio (Augusto Nunes):
Quem ouve a discurseira de Sérgio Cabral acha que o governador do Rio é lulista desde criancinha. Engano: trata-se de mais um caso de conversão esperta ─ e recente. Há menos de cinco anos, o senador Cabral não podia topar com um microfone sem repetir que o governo federal sofria de incompetência generalizada e dispensava ao Estado que hoje administra um tratamento discriminatório.
Cabral e Dilma inauguram hospital em tom de campanha (Estadão):
A inauguração do Hospital da Mulher Heloneida Studart, em São João de Meriti (Baixada Fluminense), com a presença da pré-candidata do PT à Presidência da República, ministra Dilma Rousseff, e do governador Sérgio Cabral (PMDB), que disputará a reeleição, antecipou de vez a campanha eleitoral.(...) Depois de vários discursos com referências à candidatura da ministra, a própria Dilma encerrou a solenidade em tom de campanha.
A Justiça finalmente está acordando para o MST (Renato Pacca, em 23 de fevereiro) :
Durante o Carnaval o Estadão informou que a Justiça de Tupã (SP), proíbiu a invasão da Fazenda Bandeirantes, em Salmourão, região da Alta Paulista, por parte de dissidentes do MST, sob pena de prisão. A liminar foi dada em ação movida pelos donos da fazenda. Se houvesse descumprimento, órgãos da Segurança Pública poderiam ser acionados para prender os invasores. (...) É claro que muitos irão bradar que ameaça de prisão é uma "criminalização" do movimento, como se eles estivessem acima das leis e em nome de uma causa supostamente social pudessem agir como justiceiros, mas trata-se apenas de garantir a legalidade.
Medo da democracia (Renato Pacca e Douglas Falcão, em 27 de fevereiro) :
O governo Lula, por seu turno, ao primeiro sinal de embate, preferiu o inédito e tortuoso caminho da prévia e imediata intimidação pública contra os procuradores. Esse mesmo governo já se manifestou também contra qualquer tipo de fiscalização mais rígida dos Tribunais de Contas sobre obras do PAC, Copa do Mundo e Olimpiadas, sob o pífio argumento de que não se pode “atrasar o cronograma”, deixando claro que o que menos importa é a moralidade pública e o controle de gastos do dinheiro do contribuinte.
(...)
Ameaças, violações de direitos fundamentais e opressão política não constam das regras da democracia e são incompatíveis com o Estado de Direito. Governos democráticos respeitam as instituições, não as fragilizam.
Brechas na lei ajudam Lula a fazer campanha no cargo (Estadão):
Por conta de regras eleitorais consideradas "frouxas", o presidente Luiz Inácio Lula da Silva terá grande liberdade para fazer campanha a favor da ministra Dilma Rousseff neste ano, desde que siga as poucas imposições da Justiça Eleitoral.  (...) O rol de permissões é tão extenso que quase não há diferença entre a liberdade usufruída pelo Lula que foi candidato em 2006 e a concedida ao Lula patrocinador da candidatura Dilma neste ano. Ele poderá, por exemplo, aparecer no programa eleitoral da ministra, ir a comícios, dar declarações favoráveis à campanha dela, fazer pequenas reuniões no Palácio da Alvorada para discutir a campanha de Dilma, subir em palanques, viajar no avião presidencial e usar o carro oficial para participar de eventos de campanha, desde que seja feito o ressarcimento dos gastos.
Governo acha dinheiro de filho de Sarney no exterior (Folha Online):
O governo brasileiro conseguiu documentos que comprovam que o empresário Fernando Sarney, filho do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), movimentou dinheiro no exterior sem declará-lo à Receita Federal, informa Leonardo Souza em reportagem publicada neste domingo na Folha. Segundo a reportagem, o empresário enviou US$ 1 milhão em 2008 para uma conta em um paraíso fiscal na China.
(...)
O empresário é um dos investigados na Operação Boi Barrica (rebatizada de Faktor), da Polícia Federal. A operação investiga suspeitas de ilegalidades em movimentações financeiras feitas por empresas da família Sarney na campanha eleitoral de 2006 no Maranhão. Fernando Sarney foi indiciado no dia 15 de julho deste ano por formação de quadrilha, gestão de instituição financeira irregular, lavagem de dinheiro e falsidade ideológica. O empresário nega as acusações.


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