sábado, 28 de junho de 2008

Mais sobre o groucho-marxismo do governo

Trechos da entrevista de Maria Sylvia de Carvalho Franco à revista Veja, em julho de 2006:
Lula é um fenômeno que guarda peculiaridades. Sua característica mais evidente seria a esperteza. Ele tem um certo tipo de inteligência que pega o momento oportuno e segue nesse rumo. Hoje eu não tenho mais dúvida de que, mesmo no período em que era líder sindical, seu projeto era uma mudança de classe. A mudança dele – já que, pela natureza do capitalismo, é impossível a mudança estrutural de toda a classe operária. Ocorre que, quando indivíduos isolados transpõem essa barreira, perdem a determinação da classe da qual saíram e assumem a determinação de outra classe. Essa, aliás, é uma análise marxista. Diz-se que, desde o período sindical, Lula fazia alianças com a burguesia. Era agressivo no palanque e conciliador na mesa de negociação com os empresários.

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Lula teve trinta anos para se cultivar. Ou ele não fez isso porque é muito preguiçoso ou porque explora essa falta de cultura como mais uma faceta da sua atitude esperta diante do mundo. Ou é preguiça ou é canalhice. Na verdade, o bom português é o mínimo que se exige de um presidente da República.

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Meu marido (o filósofo Roberto Romano) tem uma expressão muito adequada. Afirma que os tucanos são primos do PT e que, no futuro, vão se reunir em família e dividir o bolo. Acho que haverá um ajuntamento entre Lula e esses dirigentes mais novos, como Aécio.

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No PT, há dois tipos de intelectual. O primeiro é correto, mas tem um fanatismo exacerbado. São pessoas que não tiram vantagem nenhuma de apoiar o PT, às vezes dão de si e do próprio bolso, sem receber nada em troca. Mas são capazes de cortar relações com você só porque você faz críticas ao PT. É um apego ideológico, e ideologia emburrece. O segundo tipo é o intelectual de um oportunismo atroz, como Marilena Chaui. Uma pessoa com a formação dela não pode dizer que, quando Lula abre a boca, o mundo se ilumina. É uma professora universitária que diz que o mundo é iluminado por alguém que faz a apologia da ignorância, que é capaz de dizer "minha mãe nasceu analfabeta". Alguns membros do PT fazem essa apologia.


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O que vem depois do colapso do sistema capitalista

Trechos de artigo de Denis Rosenfield no Estadão:
Um conceito particularmente apropriado para explicar as transformações do campo brasileiro é o de "destruição criadora", elaborado por Joseph Schumpeter em seu livro Capitalismo, Socialismo e Democracia. O conceito de "destruição criadora" permite pensar os processos de destruição do capitalismo, próprios de seu movimento, que são criadores de novas etapas, que o colocam num patamar mais avançado. Por exemplo, a indústria de máquinas de escrever foi totalmente destruída, com falência de empresas, lojas, acarretando consigo o desemprego correspondente. Ora, essa destruição, num setor da economia, foi devida a novas invenções, particularmente o computador e todo o mundo eletrônico, mediante novas empresas, mais renda e mais emprego, mudando a própria face do capitalismo contemporâneo. Invenções tecnológicas são destruidoras e criadoras ao mesmo tempo, permitindo uma completa remodelação das relações socioeconômicas. O resultado, do ponto de vista social, é o desemprego nos setores destruídos e outras formas de emprego e renda nos setores criados.

...

Completamente livre em seus movimentos sob o governo Lula, o MST deu pleno curso a suas ações, voltando-se mais diretamente contra as empresas capitalistas, de preferência as mais modernas, abandonando progressivamente a bandeira do "latifúndio improdutivo". Essa organização política passou a assumir cada vez mais clara e publicamente, e não apenas intramuros, para seus militantes, o seu caráter visceralmente anticapitalista e pró-socialista/autoritário. Suas bandeiras são, agora, as lutas contra o lucro, o agronegócio, as exportações, o modelo econômico, o "neoliberalismo". Tudo o que cheira a modernidade e inovação é liminarmente recusado. O seu instrumento ideológico de ação é a relativização da propriedade privada, produzindo a insegurança jurídica e violando sistematicamente o Estado de Direito.

Mas obviamente o pessoal do MST ainda não rasga dinheiro, como lembra-nos o Peter Schweizer (tradução de Nemerson Lavoura, do blog Resistência):
Tanto a World Values Survey quanto a General Social Survey revelam que os esquerdistas são mais inclinados a escolher “alta renda” como um fator importante na escolha de um emprego, mais inclinados a dizer “depois da boa saúde, dinheiro é o mais importante”, e mais inclinados a concordar com a afirmação “não há maneira certa ou errada de ganhar dinheiro”.

Você não precisa explicar isso para Doug Urbanski, o ex-gerente de negócios do agitador esquerdista e documentarista Michael Moore. “Ele [Moore] é mais obcecado por dinheiro do que qualquer um que eu já tenha conhecido – e olha que eu já conheci cada um...”, garante Urbanski.

Como é possível que aqueles que aparentemente renunciam à cultura do dinheiro sejam mais interessados em dinheiro?

Ou seja, ou o pessoal do MST tem sérios problemas de dissonância cognitiva, ou ainda não se deram conta de que o seu discurso não é nada mais do que inveja (neo-ludismo). Ou ainda, que eles saibam muito bem que o seu discurso e método são meios para um fim abominável. Mas não se pode esperar produtividade de quem não acredita que riqueza é produzida, e não pilhada.

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domingo, 22 de junho de 2008

O jornalismo que eu não quero ler

Comentário de Luis Nassif sobre uma carta-corrente publicada em outro blog:

(...)

Notem que Nassif afirma a confirmação da veracidade [1] por Azenha:
Recebi esse texto também. Não publiquei por não ter segurança sobre a autoria. O Azenha confirmou e publicou.

Porém ao ler a publicação original da carta corrente no blog do Luiz Carlos Azenha, ele é explícito em declarar que a veracidade não pode ser confirmada:

Reproduzo antecipando que não foi possível confirmar a autoria.

Nassif propositalmente omite essa informação, ou pior, escolhe as palavras (insegurança/confirmação) para dar margem à interpretações duplipensantes. Basta vermos as datas em que foram publicadas: o Azenha publicou em 19 de junho de 2008 (00:54) e atualizou à 01:12 do mesmo dia. A marcação de data no blog do Nassif é confusa (ele não data as atualizações), mas o post original foi publicado em 19 de junho de 2008, às 21:46 - ou seja, após a atualização do Azenha -, e foi supostamente informado por um leitor sobre a carta-corrente às 22:07. Aliás, no próprio post do Nassif está a notícia original, incluindo o "disclaimer" de Azenha.

A popularidade da carta-corrente, em si, também é questionável: o comentário que avisa o Nassif sobre o texto (que, segundo o Azenha, "está bombando entre estudantes universitários") diz
Nassif, Está bombando no Vi o o mundo o texto A HISTÓRIA DE UM PAI QUE CANCELOU A ASSINATURA DE UMA REVISTA. Vale a pena ser lido.
Eu não sou muito fã dessa transferência de credibilidade (estudantes dão credibilidade a Azenha, que dá credibilidade ao Nassif, etc.).
 
E o Nassif ainda não aprendeu a criar links para o texto original quando se trata de citação...
[1] Uma opinião ou narração particular em primeira pessoa atribuída a um anônimo (ou autor ficcional) não pode ser considerada verdadeira. Assim a veracidade depende da confirmação de autoria.
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sábado, 14 de junho de 2008

AI 5 de volta, mas agora para o bem da humanidade

Trecho de comentário de Pedro Doria:
Reinaldo Azevedo estará proibido de se manifestar contra ou a favor de qualquer candidato ou partido político a partir do dia 6 de julho de 2008. É o mesmo dia em que este Weblog poderá voltar a se manifestar em prol de um candidato com banner, selo ou o que bem entender. Paulo Henrique Amorim continuará livre para dizer o que bem quiser.

É a lei – por absurda que possa parecer.

Cabe lembrar que Pedro Doria também teve problemas com a sensura recentemente, ao apoiar um candidato à prefeitura do Rio. E o mais triste dessa história é ver as reações dos leitores, felizes por se tratar de um desafeto. A moral deles deve ser melhor que a minha. Mas eles se esquecem que logo mais mudam as moscas.

Isso me lembra a dica de José Jenoíno (e martelada pelo "meliante" Reinaldo Azevedo) para se entender o governo: "Leiam Lênin". E encontro o "Decálogo" para a tomada do poder, assinada por Lênin em 1913 (grifos meus):
1.. Corrompa a juventude e dê-lhe liberdade sexual;

2.. Infiltre e depois controle todos os veículos de comunicação de massa;

3.. Divida a população em grupos antagônicos, incitando-os a discussões sobre assuntos sociais;

4.. Destrua a confiança do povo em seus líderes;

5.. Fale sempre sobre Democracia e em Estado de Direito, mas, tão logo haja oportunidade, assuma o Poder sem nenhum escrúpulo;

6.. Colabore para o esbanjamento do dinheiro público; coloque em descrédito a imagem do País, especialmente no exterior e provoque o pânico e o desassossego na população por meio da inflação;

7.. Promova greves, mesmo ilegais, nas indústrias vitais do País;

8.. Promova distúrbios e contribua para que as autoridades constituídas não as coíbam;

9.. Contribua para a derrocada dos valores morais, da honestidade e da crença nas promessas dos governantes. Nossos parlamentares infiltrados nos partidos democráticos devem acusar os não-comunistas, obrigando-os, sem pena de expô-los ao ridículo, a votar somente no que for de interesse da causa socialista;

10.. Procure catalogar todos aqueles que possuam armas de fogo, para que elas sejam confiscadas no momento oportuno, tornando impossível qualquer resistência à causa...
(Update 2013: Não estou seguro de que esse texto seja mesmo de autoria do Lenin, lembro-me de haver buscado e nunca encontrar uma fonte confiável...)

sexta-feira, 13 de junho de 2008

Professor Damastes

Trecho de comentário de Marcos Matamoros no blog A Torre de Marfim, sobre texto de Kenneth Maxwell onde o articulista defende a presidência de Dilma Roussef e John McCain:
A associação entre os dois é boba, mas o pior é a conclusão: como os dois foram torturados, seriam presidentes “com autoridade moral única” para rejeitar a tortura como ferramenta política de Estado. É um dos troços mais cretinos de todos os tempos. Qualquer um com um mínimo de sensibilidade repudia a tortura, e ponto. Mesmo quem nunca tomou nem uma tapa dos pais consegue perceber que algo abominável como a tortura deve ser rejeitado – e com a mesma “autoridade moral”

O que me preocupa mais é, estando a teoria desse Maxwell correta (de que sofrer tortura garanta autoridade moral), surjam redentores compartilhando essa "experiência única" - sempre com a nobre intenção de um conhecimento moral equalitário. Ou seja, não haveria melhor professor de filosofia do que Procrustes.

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