Na segunda-feira, o chefe do departamento do Sul Asiático da Chancelaria britânica foi preso por ‘intolerância religiosa’. Rowan Laxton teria dito ‘fucking Israelis, fucking Jews’ (tradução não literal: israelenses de merda, judeus de merda) enquanto assistia o noticiário na academia de ginástica da London School of Economics. Os outros presentes pediram que se moderasse, ele continuou exaltado.O viés dos jornais engajados (em reescrever a história) é óbvio, mas achei interessante o reconhecimento pelo Pedro Doria do problema. Notícia que não os interessa simplesmente não é notícia (o RA que o diga). Prender alguém por estupidez é demais pro meu gosto, mas incrível mesmo é a justificativa tautológica do racismo dada por um comentarista no mesmo post (comentário número 21):
Solto sob fiança. Laxton não é o responsável pelo Oriente Médio, mas estão sob seu comando os embaixadores de países como Afeganistão, Paquistão e Índia, onde o conflito entre Israel e Palestina tem repercussões. Embora seja honesto dizer que o Foreign Office britânico tem um histórico pró-árabe, o atual chanceler é judeu.
É um incidente embaraçoso embora não tão grave – provavelmente será afastado de seu cargo. O curioso é a aposta que circula na blogosfera britânica. Os jornais Daily Telegraph e The Times deram a notícia. The Independent, The Guardian e a BBC, considerados de centro esquerda, ainda permanecem mudos sobre o incidente.
É um diplomata em cargo importante. Não há dúvidas de que é notícia. Mas fica parecendo que os (bons) jornais estão misturando linha editorial e noticiário, pecado grave na imprensa.
Um dos efeitos colaterais da política de Ataques Preventivos do Bush e da Reação Desproporcional de Israel é angariar antipatias mundo afora. Aí surgem casos como o desse diplomata inglês, ou pessoas que não concordam com a morte de inocentes sendo pintadas de terroristas, anti-semitas, etc.Ou seja, reclamar dos EUA de merda ou dos israelenses de merda é apenas um efeito das políticas adotadas pelos EUA de merda e por Israel de merda. Se os EUA ou Israel não fizessem merda ninguém os chamaria de países de merda (com todos os seus habitantes de merda). Estupradores, racistas e preconceituosos de todos os matizes adoram essa desculpa de criminalizar a vítima, onde o crime seria apenas um "efeito colateral" provocado pela vítima ou por alguém associável à vítima. E, claro, tanta merda só poderia vir desses reacionários que concordam com a morte de inocentes.
(*) O título foi inspirado numa outra nota do PD, no mesmo post.

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