Em resenha extremamente positiva sobre o último livro do Richard Dawkins, o editor de Ciência da Folha de SP Claudio Angelo diz:
Acho que o jornalista quis seduzir os criacionistas usando uma analogia facilmente digerível - assumindo que criacionistas são contra negadores do holocausto dado seu posicionamento político - mas na prática o resultado pode ser perverso: criacionistas não são estúpidos ou ignorantes em geral, e ao perceberem o truque do jornalista verão mais um motivo para não ler o livro, da mesma forma que judeus (usando sua analogia errada) não vão se inscrever no instituto de Ahmadinejad só porque as aulas são convincentes. E Dawkins não escreve livros para criacionistas convictos - apesar desses, também, se beneficiarem de sua leitura.
Ou seja, não há conto do vigário, o que há é um autor que escreve livros de divulgação científica além de publicar sua opinião sobre a compatibilidade entre religião e ciência. É possível e até mesmo saudável concordar com ele em alguns pontos e discordar em outros. O que não é salutar é assumir seu posicionamento em uma discussão (e.g. ateísmo) para refutá-lo em outra (evolução biológica, por exemplo). Como faz o jornalista, por exemplo, ao descrever Dawkins como "defensor ferrenho da teoria evolutiva". Ele é um divulgador da teoria evolutiva e defensor ferrenho do ateísmo. A evolução não precisa ser "defendida", precisa ser divulgada e explicada. Assim como a matemática ou a física. Ou será que "anything goes"?

Depois de passar anos negando o Holocausto, o presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, muda-se para Nova York e inaugura um instituto de estudos históricos. Mesmo que suas aulas não discutam a 2ª Guerra, quantos judeus se inscreveriam nelas? Uma situação análoga a esse caso hipotético se aplica a Richard Dawkins e seu recém-lançado livro "The Greatest Show on Earth" ("O Maior Espetáculo da Terra").Apesar do excelente texto - e aposto que o livro do Dawkins seja realmente bom - essa comparação entre Dawkins e Ahmadinejad me incomodou muito. O próprio Dawkins compara criacionistas a "negadores da história" e assim, a analogia correta seria entre criacionistas e negadores do holocausto. E Dawkins viria como um centro internacional de estudos históricos instalando-se no Irã.
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Mas, como os judeus de Ahmadinejad, que criacionista compraria um livro que defende a evolução, ainda mais escrito por Richard Dawkins?
Acho que o jornalista quis seduzir os criacionistas usando uma analogia facilmente digerível - assumindo que criacionistas são contra negadores do holocausto dado seu posicionamento político - mas na prática o resultado pode ser perverso: criacionistas não são estúpidos ou ignorantes em geral, e ao perceberem o truque do jornalista verão mais um motivo para não ler o livro, da mesma forma que judeus (usando sua analogia errada) não vão se inscrever no instituto de Ahmadinejad só porque as aulas são convincentes. E Dawkins não escreve livros para criacionistas convictos - apesar desses, também, se beneficiarem de sua leitura.
Ou seja, não há conto do vigário, o que há é um autor que escreve livros de divulgação científica além de publicar sua opinião sobre a compatibilidade entre religião e ciência. É possível e até mesmo saudável concordar com ele em alguns pontos e discordar em outros. O que não é salutar é assumir seu posicionamento em uma discussão (e.g. ateísmo) para refutá-lo em outra (evolução biológica, por exemplo). Como faz o jornalista, por exemplo, ao descrever Dawkins como "defensor ferrenho da teoria evolutiva". Ele é um divulgador da teoria evolutiva e defensor ferrenho do ateísmo. A evolução não precisa ser "defendida", precisa ser divulgada e explicada. Assim como a matemática ou a física. Ou será que "anything goes"?




