
No oriente médio, Gore dá aulas de arremesso de sapato. O segredo está no pulso.
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"Se eu fosse outra pessoa, fazia-lhes, a todos, a vontade. Assim, como sou, tenham paciência! Vão para o diabo sem mim, Ou deixem-me ir sozinho para o diabo! Para que havemos de ir juntos?" (Pessoa - Álvaro de Campos)

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"Mesmo que nada tivesse acontecido aqui, essa reunião valeu a pena só pelo fato de o Grupo do Rio ter aprovado a volta de Cuba." Lula é muito claro, quando quer. Essencialmente, nada aconteceu na Calc exceto isto: ao incorporar Cuba, o Grupo do Rio extinguiu-se como mecanismo de consulta de países democráticos da América Latina e construiu um novo degrau na escada que conduz ao cancelamento da OEA. O degrau prévio foi a criação do Conselho Sul-Americano de Defesa, também patrocinado pelo Brasil.
(...)
"Estamos dispostos a falar com o senhor Obama, mas em absoluta igualdade de condições." Na linguagem de Castro, "igualdade" significa equalizar o estatuto dos presos de consciência, que são cidadãos cubanos encarcerados por criticarem a ditadura, com o de cinco comprovados espiões, condenados em 2001 e elevados à condição de heróis nacionais pela máquina de propaganda do regime. A proposta escancara uma concepção de mundo: para Havana, um gesto de divergência política converte o dissidente em agente estrangeiro, "espião" a soldo dos EUA. Nos 60 anos da Declaração Universal dos Direitos Humanos, Lula não levantou a voz para protestar contra essa interpretação indecente da "igualdade".
A ditadura cubana é um ícone da maior parte da esquerda latino-americana porque conserva o sistema de partido único, que figura como seu ideal adorado, mesmo se hoje impossível. Raúl Castro precisa equiparar os dissidentes a espiões para preservar um elemento crucial da lógica do regime: o privilégio de usar como reféns os que ousam discordar, prendendo-os ou soltando-os segundo as conveniências cambiantes de política interna e externa. Vergonhosamente, o Brasil de Lula tornou-se o principal sustentáculo diplomático de um governo que trata cidadãos como reféns.
Como se vê, essa é mais uma polêmica iniciativa do governo federal, que, nos últimos tempos, vem se especializando em anunciar projetos "politicamente corretos" em matéria de educação, ficando com os dividendos eleitorais e deixando aos Estados a responsabilidade por sua implementação e pelos encargos financeiros.
O exemplo mais ilustrativo dessa estratégia é a lei que criou o piso salarial nacional do professorado e determinou que um terço da carga horária dos professores seja destinada a atividades extraclasse. Enquanto o presidente Lula "faturou" politicamente a iniciativa, os governadores, sem condições orçamentárias para aumentar os salários dos docentes e contratar mais professores, tiveram de argüir, no Supremo Tribunal Federal, a inconstitucionalidade do piso salarial - que foi mantido - e da jornada extraclasse - que foi extinta -, arcando com o desgaste político que esse tipo de medida acarreta.
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Em uma desconstrução sufocante do auto-retrato da família típica, a companhia PhotoHouse USA habilmente excisa a figura falocêntrica paterna, deixando uma única mão para significar - com profunda ironia semiótica - a mão oculta do capitalismo. A câmera é privada de telas ou visores em uma refutação de facto do panóptico onipresente do olhar masculino, enquanto a criança aponta aleatoriamente para fora da imagem primitiva em uma denúncia catártica do conceito envenenado por testosterona de entender localização.
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O centro do meu artigo sobre o dito ensino do criacionismo nas escolas não está na sua equiparação com a suposta cientificidade do evolucionismo. (...) O que escrevi, e está claro para quem não se comporta como um vagabundo, um bandoleiro, é que AS ESCOLAS RELIGIOSAS têm o direito — e, suponho, também o dever perante a comunidade mantenedora da instituição de ensino: a igreja, seja ela qual for — de ensinar a sua visão de mundo, desde que deixe claro que se trata da abordagem religiosa.
É chato ter de explicar que é evidente que defendo o direito que as pessoas têm de se organizar e se manifestar contra leis que consideram injustas. “Ou a sociedade não avança”, dizem-me alguns. Eu, por exemplo, defendo o direito que os pais têm de brigar pelo ensino do criacionismo nas escolas — desde que na aula de religião, não na de biologia; desde que um não seja posto no lugar do outro. Usar Darwin para negar a religião é uma estupidez. E o contrário, idem. Uma das minhas filhas faz um curso de religião — por opção. A outra não se interessa pelo assunto. Cobro de ambas um bom desempenho em Ciências.
o criacionismo e o design inteligente se espalham pelas escolas confessionais brasileiras - e não apenas no ensino religioso, mas nas aulas de ciências.
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Escolas tradicionais religiosas como Mackenzie, Colégio Batista e a rede de escolas adventistas do País adotam a atitude de não separar religião e ciência nas aulas, levando aos alunos a explicação cristã sobre a criação do mundo junto com os conceitos da teoria evolucionista.
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A polêmica está no fato de os colégios ensinarem o criacionismo e o design inteligente não como explicações religiosas, mas como correntes científicas que se contrapõem ao evolucionismo. [ nota minha: "evolucionismo" é pejorativo que induz a ideologia, assim como "gravitacionismo" ou "economismo" ]
Qual o problema? Segundo entendi, as escolas estão ensinando as duas coisas: afirmam a verdade científica e dizem qual é o entendimento que, como religiosos, têm da questão.
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Espero que as minhas filhas sejam informadas sobre essas duas verdades: a científica e a religiosa — sim, existe uma “verdade religiosa”, que está num domínio que não disputa espaço com a ciência.
A questão que debato desde sempre é outra: democracia e tolerância. Podem as escolas religiosas sustentar um ponto de vista religioso sobre a origem das espécies?Ele finalmente assume que prefere criacionismo em aulas de biologia, inclusive em escolas laicas:
Compreendo também outra restrição: “Que falem de criacionismo na aula de religião, não na de biologia”. Prefiro assim: que, na aula de biologia, se faça a melhor exposição possível da teoria darwinista e também da concepção criacionista. Aliás, acredito que, NO QUE CONCERNE À FORMAÇÃO INTELECTUAL DOS ALUNOS, isso poderia ser feito tanto nas escolas laicas como nas religiosas.Repetindo o mantra da tolerância. Quando são os desafetos, é "visão crítica esquerdopata" ou vigarice intelectual. Quando é prá misturar teoria religiosa que não se sustenta cientificamente é tolerância. A Ciência é intolerante mesmo, não existem alternativas ao método científico. Ou não é Ciência. Da mesma forma que a língua portuguesa, porcamente escrita e incompreensível não é língua portuguesa. Para parafraseá-lo, não é uma questão de gosto mas de fato.
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Lula cancelou a sua agenda de hoje para voar de Brasília a São Paulo para velar um amigo sindicalista. "Bolinha"era um paciente em estado terminal, acometido de um câncer de pulmão. Era ex-presidente do "dindincato" dos metalúrgicos de Sorocaba, São Paulo. Para voar até Santa Catarina, onde dezenas de brasileiros morreram na tragédia das cheias e deslizamentos, o Presidente Lula demorou vários dias. À época, avisou que era impossível mudar a agenda para vir ao estado. Hoje cancelou todos os compromissos para dar o último adeus ao companheiro.
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Cada vez que se reúne para decidir o que fazer com um de seus malfeitores, o Legislativo informa ao país de que matéria-prima é feito.
Não é feito de culpa. Tampouco de inocência. É feito de cumplicidade. Nem preto nem branco. O que há é um ton-sur-ton amoral.
Em passado remoto, o brasileiro ainda buscava alento na impressão de que o Congresso, como o colesterol, se dividia entre o ruim e o bom.
Constatar que os dois tipos são indistinguíveis é desalentador. Ou o colesterol bom prova que existe ou a degeneração será completa. E não haverá coração que aguente.
Algumas críticas ao jornalismo, amargas e corrosivas, têm a garra do pessimismo. Irritam-se, alguns, com a modernização da mídia e vislumbram interesses espúrios no sucesso empresarial.Jornais, como qualquer empresa privada, possuem (ou deveriam possuir, no livre mercado) um único objetivo: satisfazer o consumidor. Qualquer desvio desse objetivo é punido com a perda de leitores para um concorrente - que deve estar atento aos deslizes dos competidores. Há alguns grupos "independentes", que classifico como invejosos do sucesso alheio, que criticam a "grande mídia" por não entenderem esse simples fato. Há até pseudo-economistas financiados pelo governo que engrossam o coro dos "independentes", enquanto estão confortavelmente insulados do plebiscito contínuo que é o mercado. Se um jornal cresce sem se preocupar com a qualidade, ele está apenas refletindo a idiotização do leitor. O jornal é conseqüência da exigência do leitor, e não a causa (apesar de haver um "feedback" positivo). Porém é muito mais fácil criticar um jornal por não tomar para si a responsabilidade em educar do que a árdua tarefa de consertar o sistema educacional. Da qual os jornais certamente se beneficiariam.
O jornal, como qualquer negócio, não existe para perder dinheiro. A crítica procede de quem perdeu o trem da história ou, pior que isso, não sabe o que é enfrentar o batente. Ganhar dinheiro com informação não é um delito. Estou cansado de repetir. É um dever ético. O lucro legítimo decorre da credibilidade, da qualidade do produto. E a qualidade é o outro nome da ética.
A ética informativa não é um dique, mas um canal de irrigação. A paixão pela verdade, o respeito à dignidade humana, a luta contra o sensacionalismo, a defesa dos valores, enfim, representam uma atitude eminentemente afirmativa.
A ética, ao contrário do que gostariam os defensores de um moralismo piegas, não é um freio às justas aspirações de crescimento das empresas. Suas balizas, corretamente entendidas, são a mola propulsora das verdadeiras mudanças.
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A "mcdonaldização" dos jornais é um risco que convém evitar. A crescente exploração do entretenimento em prejuízo da informação de qualidade tem frustrado inúmeros consumidores de jornais. O público-alvo da mídia impressa não se satisfaz com o hambúrguer jornalístico. Trata-se de uma fatia qualificada do mercado. Quer informação aprofundada, analítica, precisa e confiável.
É preciso investir na leveza formal. Sem dúvida. O recurso à infografia, o investimento em didatismo e a valorização da fotografia (o arrevistamento das primeiras páginas tem provocado reações de surpresa e aprovação) são, entre outras, algumas das alavancas do crescimento. Mas nada disso, nada mesmo, supera a qualidade do conteúdo. É aí que se trava a verdadeira batalha. Só um produto consistente tem a marca da permanência. Qualidade editorial e credibilidade são, em todo o mundo, a única fórmula para atrair novos leitores e anunciantes.