domingo, 30 de novembro de 2008

PTobrás e o caixa 2

Comentário de Guilherme Fiuza sobre as maravilhas do estatismo brasileiro (e de qualquer estatismo, posto que objetiva o lucro de poucos com o investimento de muitos sem precisar calcular os riscos):
No auge da crise mundial de crédito, a Caixa Econômica empresta 2 bilhões de reais à Petrobras – na operação que já está sendo chamada de “Caixa 2”.

A instituição mais importante do país para investimento em saneamento – essas obras que evitam enchentes – gasta o dobro do que Lula destinou a Santa Catarina para tapar um buraco de caixa na multinacional brazuca.

O curioso é que até outro dia, segundo a ministra Dilma Rousseff, a Petrobras ia acabar com a pobreza em 15 anos com o dinheiro do pré-sal. Outra curiosidade é que, do orçamento mágico do PAC, um quarto são as previsões orçamentárias da Petrobras…

Entenderam? A maior empresa brasileira, orgulho do estatismo lulista, sustentáculo da magia do PAC e redentora da pobreza nacional, precisa de um qualquer na veia para chegar ao dia de amanhã.

E no momento em que o país se ressente da falta de crédito e da falta de saneamento, esse troco de 2 bilhões é sugado da principal fonte de crédito para o saneamento.

Nos tempos do valerioduto, as estripulias do estatismo petista eram mais encabuladas.


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quarta-feira, 26 de novembro de 2008

O segredo da vida, segundo a idiotia populista

Trecho de comentário de Reinaldo Azevedo sobre o descalabro do "kit para educação sexual", onde crianças (de 11 a 14 anos) aprendem a usar a pílula do dia seguinte e são obrigadas a vestir camisinha em um pinto de borracha:
O Brasil tem uma das piores escolas do mundo. O resultado do Enem, divulgado há alguns dias, não deixa dúvida: o desempenho médio dos alunos não alcançou 43%. Em exames internacionais, amargamos os últimos lugares. A maioria dos nossos estudantes têm um domínio pífio da própria língua e um desempenho melancólico nas chamadas “disciplinas exatas”. A escola falha de modo miserável, escandaloso, no ensino das disciplinas que constituem a sua razão primeira de ser. Não obstante, tornaram-se verdadeiros centros de doutrinação da sexualidade.

Será mesmo necessário convidar alunos e alunas a manipular em sala um pênis de borracha, vestindo-o com uma camisinha, sob o pretexto de instruí-los sobre a maneira correta de usar um e outro? Nessa idade? 12 anos? 13 anos? É uma vergonha pedagógica, intelectual e moral. Será que não há uma maneira didática de tratar do assunto, usando — vejam como sou exótico — a velha e boa conceituação? O professor de biologia agora tem de mostrar a meiose acontecendo? O professor de matemática tem de materializar o pi, o número transcendente? Será preciso pegar na mão a mitocôndria para acreditar que ela existe? Teremos de fazer Júlio César reencarnar em alguma sessão espírita?

(...)

As nossas escolas querem ensinar moral sexual — além, claro, das aulas de "cidadania"... Há, nisso tudo, um gigantesco preconceito, porque tais programas são especialmente pensados para os chamados adolescentes de baixa renda. As políticas públicas encaram essas pessoas como coelhos e cães na fase do cio das fêmeas. Sei que é uma surpresa para muita gente, mas o povão também tem valores — eu diria até que, em questões morais, eles podem ser mais rígidos (não quer dizer necessariamente melhores) do que os dos mais abastados.

A abordagem politicamente correta dessa questão, por incrível que pareça, apenas veste uma roupagem social, humanista e progressista num velho preconceito de classe: “O povo só pensa em fornicar. Precisamos dar um jeito de impedir que se reproduza”.

Há um outro detalhe que o Reinaldo menospreza, mas fundamental: pílulas anti-concepcionais e "abortivas", além de apresentarem mais efeitos colaterais e piores do que os potenciais benefícios, são soluções antagônicas e prejudiciais ao uso da camisinha. Ou seja, quem usa pílulas não usa camisinha.

Essa o Monty Python já havia previsto (com a diferença que à época se podia rir):



Aula de Educação Sexual (cena do filme "O Segredo da Vida" do Monty Python)



sábado, 22 de novembro de 2008

Bossa Baixa

Comentário de Carlos Alberto Sardenberg sobre a compra da Nossa Caixa pelo Banco do Brasil. O imbroglio político:
O governador Serra sabia que a coisa mais sensata a fazer era vender a Nossa Caixa e usar o dinheiro para investimentos, para construir outros ativos ou mesmo para reduzir endividamento e diminuir o pagamento de juros.

O normal seria uma privatização. Prepara-se o banco com avaliações e consultorias, define-se um preço mínimo e abre o leilão. Possivelmente, a Nossa Caixa cairia nas mãos do Bradesco, Itaú Unibanco ou Santander – e possivelmente por um preço maior do que foi pago pelo BB.

O BB até poderia entrar na licitação, com as novas regras, mas dificilmente teria a flexibilidade dos privados para entrar na disputa.

Mas a privatização teria forte oposição do sindicato de bancários, controlados pelo PT ou mesmo do próprio PT, que ainda espetariam na conta de Serra as prováveis demissões e fechamento de agências feitas pelo comprador privado.

Agora, como os sindicatos e o PT podem reclamar da venda para o BB, que é do governo do PT? E se o BB entender que precisa demitir e fechar agências, a conta é de Lula, não de Serra. O governador trocou o leilão por um problema político evitado.

E a burrada econômica, empurrada pela politicagem:
Fica a questão: o estado, o contribuinte paulista, teria obtido mais com a venda em leilão? É possível, mas como nunca se poderá provar…

E Lula? Vai acabar fazendo discurso para dizer que está turbinando o BB para enfrentar a banca privada. Mantega disse que a crise recente mostrou como é importantes ter grandes bancos públicos para intervir no mercado. É mesmo? O governo americano não tinha nenhum bancão e interveio muito mais. Idem para o governo da Inglaterra.

Se considerarmos que o BB não gera riqueza é óbvio que o contribuinte ganharia com um leilão. Mesmo que o BB tenha oferecido mais do dinheiro dos outros do que em leilão.


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sexta-feira, 21 de novembro de 2008

Goiaba deixará saudades

Em homenagem a Ruy Goiaba, que se aposenta, seu (pen)último comentário:
Diante do feito histórico da eleição de Barack Obama lá nos Euá, o Brasil não pode ficar para trás: precisa ter a coragem de assumir o papel de vanguarda (uia!) que lhe cabe no concerto das nações. Como sempre, medalha de ouro não dá mais, mas quem sabe dê para beliscar uma prata. Para isso, venho muito modestamente propor que os partidos do Bananão, esquerda e direita, governo e oposição, deixem de lado suas picuinhas e cerrem fileiras com o único homem capaz de unificar gregos e baianos:

Dadá Maravilha, alegria das multidões, será o único presidente capaz de, como o helicóptero e o beija-flor, parar no ar. Legítimo criador e disseminador do dadaísmo, ele sabe que não existe gol feio, feio mesmo é não fazer gol -e, mais importante, sabe que o amor é lindo. Em verdade vos digo: está mais que na hora de colocarmos Dadá no Planalto. Quem sabe em 2010 tenhamos, enfim, solucionática para as nossas problemáticas.


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quinta-feira, 20 de novembro de 2008

O cuidado com o que é de todos

Trechos de dois artigos assinados no editorial do Estadão. O primeiro é "Publicidade em TV pública" (assinado por Eugenio Bucci), que comenta a iniciativa da TV cultura de restringir comerciais em sua programação infantil:
Ao lado das razões estéticas e éticas, existe outra ordem de fatores para que as instituições que recebem verbas públicas se afastem do ramo de vender espaço publicitário. São fatores, por assim dizer, concorrenciais. Como contam com receitas do Estado, essas instituições têm claras vantagens em relação às empresas privadas, que não gozam do mesmo benefício e, em regra, dependem exclusivamente da venda de anúncios para se sustentarem. Essas vantagens dão às primeiras uma folga respeitável na competição por anunciantes. Com seus custos parcialmente pagos pelos cofres estatais, elas têm, ao menos em tese, a possibilidade de oferecer aos clientes descontos que as outras não têm. Também por isso, enfim, não é recomendável que emissoras públicas se dediquem à veiculação de anúncios. Se levada ao extremo, essa prática viciaria o mercado e deturparia o próprio sentido democrático da publicidade.
Há uma crítica implícita nesse artigo de que publicidade é ruim em qualquer caso pois faz as emissoras "se venderem ao mercado". Eu diria que o mercado (competitivo, maduro) tem como único objetivo satisfazer os consumidores, e as escolhas da emissora devem refletir esse objetivo. Ou o telespectador muda de canal. Mas ainda assim o artigo é válido como aviso de cuidado com a coisa pública.

O outro artigo é "Um concurso do Ipea" (assinado por Roberto Macedo):
De passagem pela USP, vi postado um anúncio de concurso para 80 vagas de nível superior no Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), ligado ao Ministério Extraordinário de Assuntos Estratégicos.

(...)

Entretanto, esse maior concurso apresenta também grandes problemas. Para que tanta gente, quase um novo instituto, e com esse salário? É bem superior aos pagos em início de carreiras semelhantes no mercado de trabalho em geral, sem contar as vantagens da estabilidade e de uma aposentadoria maior. Isso vem da inflação salarial arquitetada em Brasília para cargos iniciais de várias carreiras, o que, mais a forte ampliação dos quadros, como espelhada nesse concurso, se inscreverá, para os próximos governos, no rol da herança maldita do atual.

(...)

Para conhecer detalhes consultei o edital do concurso (www.cespe.unb.br/concursos/ipea2008), um calhamaço de 51 páginas. Aí, vi que, além de provas objetivas, de caráter eliminatório e classificatório, há uma prova discursiva, também com esse duplo caráter, e uma prova oral, só classificatória. O problema destas duas últimas é que oferecem o risco de avaliações subjetivas.

(...)

Qual, então, o problema? Está no fato de que nas universidades várias cautelas são tomadas para evitar julgamentos subjetivos, como as bancas com cinco professores, alguns dos quais pertencentes a quadros de outros departamentos e mesmo de outras universidades. As provas são também públicas , com o que a argüição de um candidato poderá ser presenciada pelos demais, entre outros interessados.

O edital nada diz sobre esses aspectos. Diz apenas que o concurso será executado pelo Centro de Seleção e Promoção de Eventos da Universidade de Brasília (Cespe/UnB).

O que Roberto Macedo é polido demais para dizer mais explicitamente é que: 1) esse concurso faz apenas inchar a máquina, em cargos que mesmo que se tornem obsoletos não podem ser extintos facilmente; 2) sem transparência e objetividade totais, não há qualquer garantia de que esse dinheiro esteja sendo bem investido; 3) essa é mais uma pedra no muro de politização que tem invadido o IPEA. Eu diria que a entrevista será de apenas uma questão, na linha "se houvesse um candidato ou partido em que você votaria pelo resto de sua vida, quem seria?". Mais simples - e dualeticamente mais objetiva - do que preparar questões sérias e analizar o discurso.

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