terça-feira, 26 de agosto de 2008

Ensinando a plantar o peixe

Comentário de Xico Graziano, no Estadão:
Há que distinguir pesca de aqüicultura. A pesca se pratica sobre os cardumes livres, existentes nos mares salgados ou nas águas doces. Trata-se de uma captura da natureza. Já a aqüicultura representa um processo de criação, em cativeiro, de organismos aquáticos. Aquela é extrativista e esta, produtiva.

A pesca tradicional, em todo o mundo, há anos se compromete pelo declínio dos cardumes naturais. Primeiro, porque modernos barcos e alta tecnologia aumentaram a capacidade da rapina nos mares. Segundo, porque a poluição reduziu a reprodução dos cardumes de água doce. Resultado: a aqüicultura mundial cresce a 9,2% ao ano, ante apenas 1,4% da pesca extrativa.

Os primeiros criadores de peixes foram os chineses, há 2.500 anos. Do Oriente a piscicultura se expandiu pela Europa, através da Grécia e da Itália. Os peixes, inicialmente, destinavam-se ao abastecimento dos refeitórios de mosteiros europeus. Somente em meados do século passado a técnica começou a ser praticada com fins comerciais, no Japão e nos EUA.

...

Produzir pescados e crustáceos, de forma sustentável, alivia a pressão da pesca extrativista sobre a natureza. Com o sumiço dos cardumes naturais, escasseia o pescado e se eleva o preço na peixaria. Ao contrário, quanto mais peixe for criado, maior a oferta, melhor o preço, mais consumidores da branca e saborosa proteína. No mundo, o consumo de pescado atinge 16 kg por habitante/ano. No Brasil mal chega a 3 kg.

O comentário é uma crítica ao Ministério da Pesca, que desestimula a capacitação dos pescadores em se tornarem produtores de pescado, mas esse é também um exemplo de como a "tecnologia" traz benefícios reais para a população, minimizando prejuízos à natureza - dado que não é do interesse de empreendedores competitivos a exploração extrativista.


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segunda-feira, 25 de agosto de 2008

Tirania Olímpica

Trecho de artigo de Cláudia Trevisan, no Estadão, em que comenta a legitimação da tirania chinesa às custas dos jogos olímpicos:
O aumento da legitimidade do Partido Comunista parece afastar a possibilidade de abertura e reformas democráticas. Ao contrário, pode dar fôlego à receita que combina livre mercado e repressão política.

"A idéia de que a Olimpíada vai transformar a China em uma sociedade aberta é e sempre foi uma ilusão", afirma Jeffrey Bader, diretor do John L. Thornton China Center do Brooking Institute. Mas ele avalia que os Jogos podem provocar mudanças a longo prazo, principalmente pela pretensão do Partido Comunista de que a China seja tratada como uma potência respeitada pela comunidade global. Para isso, o país tem que adotar padrões internacionais em questões como liberdade de expressão e direitos humanos, ressalta.

Apesar da promessa feita pelo governo chinês ao Comitê Olímpico Internacional de que haveria avanços na questão dos direitos humanos, o que se viu foi um enorme retrocesso, sustenta a Human Rights Watch.

"Os Jogos de Pequim colocaram um fim - para sempre - à noção de que a Olimpíada seria uma "força para o bem"", afirmou Sophie Richardson, diretora da entidade para a Ásia. Segundo ela, os Jogos reforçaram a natureza repressiva do regime chinês e funcionaram como "catalisador" para uma série de abusos contra os direitos humanos, como a remoção forçada de milhares de pessoas de suas casas para dar lugar à remodelação da cidade; a prisão, perseguição e intimidação de críticos do governo e o aumento das violações à liberdade de imprensa.


Agradeço aos colaboradores do Libertad Matters pela série de posts acerca dos "bastidores" da Olimpíada de Pequim.


domingo, 24 de agosto de 2008

Pagando duas vezes pelo mesmo serviço

Trechos de rtigo do jornalista Ruy Fabiano no blog do Ricardo Noblat, comentando o Pró-Uni e o discurso de Lulla:
De fato, não há nada menos revolucionário que o tal programa. Se o ensino superior privado é, no geral, ruim, o que o governo faz, com o Pro-Uni, é garantir repasses milionários a esses maus empresários do ensino. O aluno pobre terá ensino pobre e de má qualidade e terá menos chances que seus colegas de universidades públicas, quando tiver que enfrentar o mercado de trabalho.

Em compensação, as universidades privadas ruins estarão cada vez mais ricas. É fácil ser capitalista assim.

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O ensino básico público é ruim, o que remete sua vítima ao ensino superior privado, generoso em seus vestibulares, pois tem compromisso com a quantidade e não com a qualidade.

Os altos índices de reprovação no Exame de Ordem da OAB – que em alguns casos ultrapassam os 80% -, quando decantados, evidenciam esse desnível entre ensino superior público e privado. As faculdades de direito do Estado aprovam quase cem por cento dos seus bacharéis, enquanto com as particulares dá-se o exato oposto.

O saneamento da educação no Brasil começa pela reestruturação do ensino público básico, o que envolve uma série de ações, que começam pelo aprimoramento da mão-de-obra docente e melhoria das condições de trabalho. Isso, sim, será revolucionário.


A idéia do Pró-Uni, ao que eu saiba, é a genial idéia de Milton Friedman de vouchers (carnês?) educacionais, porém mal-adaptada à tropicália malemolente. O problema, como indicado no título, é que não faz sentido investimentos vultosos em universidades públicas com um controle rígido (até segunda ordem) acompanhados de investimentos em universidades privadas sem os mecanismos de controle adequados.
Que tal associar esses vouchers ao desempenho do curso, além da solução mais-que-óbvia de direcionar esses gastos para a educação básica? Com uma base educacional sólida, o problema dos cursos superiores se resolve "com as próprias pernas", como diria Gournay.

Hat tip ao Angelo Fasolo pela dica.


domingo, 17 de agosto de 2008

É proibido proibir

Trechos de comentário de Josias de Souza, sobre a cartilha elaborada pelo Ministério do Planejamento orientando as autoridades públicas a como proceder nas eleições:
Ora, Lula não é candidato a coisa nenhuma na cruzada de 2008. Mas já declarou que subirá em pelo menos dois palanques: o de Marta Suplicy e o de Luiz Marinho.

O PT vai ressarcir o querosene do Aerolula? Improvável, muito improvável, improbabilíssimo.

A coisa tende a descambar para a insensatez no segundo turno. Lula ajá declarou que, nessa fase, sente-se liberado para arregaçar as mangas por todo e qualquer aliado.

Os deslocamentos de Sua Excelência serão custeados, naturalmente, por todos os brasileiros em dia com o fisco.

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Liberados por Lula, vários ministros já se embrenharam nas campanhas. Porém, não há vestígio de informe sobre “condições logísticas” e “financeiras.”

Suponha-se, por exemplo, apenas para efeito de raciocínio, o seguinte: o ministro Geddel Vieira Lima (Desenvolvimento Nacional) voa em jatinho da FAB para Salvador.

Ali, no legítimo exercício de suas prerrogativas políticas, participa de reuniões da campanha de seu candidato, o prefeito João Henrique. O PMDB vai ressarcir a Força Aérea? Jamais.

Tudo considerado, fica-se com a impressão de que o livrinho do governo rende homenagens à hipocrisia. Num país em que leis são letras mortas, que valor será atribuído a uma cartilha?

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