domingo, 27 de abril de 2008

Nietzsche, que companhia agradável




Citações aleatórias de Friedrich Nietzsche, toscamente traduzidas:

A casual stroll through the lunatic asylum shows that faith does not prove anything.

Um passeio casual pelo hospício mostra que fé não prova nada.

There is always some madness in love. But there is also always some reason in madness.

Sempre há alguma loucura no amor. Mas também há sempre alguma razão na loucura.

You have your way. I have my way. As for the right way, the correct way, and the only way, it does not exist.

Você tem o seu jeito. Eu tenho o meu jeito. Quanto ao jeito justo, o jeito correto, e o único jeito, esses não existem.


"I have done that," says my memory. "I cannot have done that" -- says my pride, and remains adamant. At last -- memory yields.


"Eu fiz aquilo", diz minha memória. "Eu não posso ter feito aquilo" - diz meu orgulho, e queda intransigente. No fim, a memória sucumbe.

domingo, 20 de abril de 2008

Culpa dos banqueiros

Trechos de artigo de Rodrigo Constantino:
O caso do BNDES é interessante de ser analisado. O banco foi razoavelmente blindado, durante algum tempo, contra o populismo típico do governo. (...) Não escapou, naturalmente, ao vício do burocratismo e complacência com a irrupção do nacional-estatismo”. Na década de 80, por exemplo, o banco abraçou a estupidez ideológica das “reservas de mercado”, passando a adotar posturas “nacionalisteiras”, aderindo à política de informática que lançou o país no atraso tecnológico. A inclusão da letra S na sigla, acrescentando a palavra mágica “social” à missão do banco, evidencia essa guinada populista.
...

No fundo, quando é o governo que controla o carimbo dos polpudos empréstimos, há um incentivo perverso para a captura dos que tomam as decisões pelos grandes empresários “amigos do rei”. E de fato, analisando os dados do BNDES, vemos que 75% dos desembolsos têm como destino as grandes empresas. Por outro lado, as empresas ficam reféns do governo, e limitam muito as pressões diretas por reformas necessárias.
...
Os três principais bancos estatais – Banco do Brasil, BNDES e CEF, possuem juntos ativos superiores a R$ 800 bilhões. Os três maiores bancos privados – Bradesco, Itaú e Unibanco, não chegam a este valor em ativos. Em outras palavras, o setor público domina o setor financeiro. Quando esquerdistas direcionam seu ódio aos bodes expiatórios preferidos – os banqueiros, eles precisam lembrar que o maior banqueiro do país é o próprio governo. Não é factível defender um governo gestor de tantas empresas e até mesmo bancos.

O artigo (como todos os que posto) merece ser lido na íntegra: ele comenta o perigo da relação incestuosa entre política e economia, o papel de Roberto Campos na criação do BNDES - e sua frustração ao ver o papel prejudicial que o banco viria a ter - e como os keynesianos (desenvolvimentistas) de hoje envergonhariam seu mestre.

Algum jornalista econômico se oferece para comentar?

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sábado, 19 de abril de 2008

Copiando Barack Obama

Trecho de artigo de Diogo Mainardi:
O ministro Carlos Ayres Britto deu um voto a favor do sistema de cotas raciais, argumentando o seguinte: "É pelo combate a situações de desigualdade que se concretiza o valor da igualdade". Isso se aplicaria se a desigualdade se originasse na universidade. A gente sabe que a realidade é outra. A gente sabe que a desigualdade nasce no ensino básico, e é lá que ela tem de ser combatida. A má qualidade da escola pública cria uma casta de párias analfabetos, os intocáveis da tabuada, dalits brancos e negros, que nunca poderão se igualar aos que estudam na escola particular.

É desolador ter de repetir sempre a mesma lengalenga. E a lengalenga é: o Brasil gasta dinheiro de mais na universidade e dinheiro de menos no ensino básico. Se é para macaquear os Estados Unidos, temos de macaqueá-los por inteiro. A universidade pública americana cobra mensalidade dos alunos. Quem pode pagar, paga. Os outros se arranjam com bolsas, empréstimos ou bicos. Se o Brasil fizesse o mesmo, cobrando mensalidade na universidade pública, sobraria mais dinheiro para investir onde importa: no bê-á-bá.
Sem contar que alguém de uma "minoria" étnica que receba o benefício, mesmo se esforçando muito mais acaba rotulado, o que mais tarde reforça o preconceito, como eu já havia comentado.


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sexta-feira, 18 de abril de 2008

Proteger quem? contra quem?

Trecho de carta de Don Boudreaux ao Washington Post, questionando quais interesses econômicos devem ser priorizados:
Those at the heart of this debate aren't manufacturers (or politicians, economists, or labor representatives). Those at the heart of this debate are consumers. Or, those at the heart of this debate should be consumers. Unfortunately, consumers are too large in number and too disparate in interests to organize effectively for political purposes. The result is that consumers' interests in trade discussions are largely ignored, even though an economy's success is measured not by how well that economy satisfies the wishes of producers, but exclusively by how well, over time, it satisfies the demands of consumers.

Producers exist to satisfy consumers; production is the means and consumption is the end. Protectionism is a policy built on the premise that consumers exist to satisfy producers.


Os que estão no centro deste debate não são os produtores (ou políticos, economistas ou sindicalistas). Aqueles no centro do debate são os consumidores. Ou, aqueles no centro do debate deveriam ser os consumidores. Infelizmente os consumidores são muitos e com interesses divergentes demais para se organizarem efetivamente com propósitos políticos. O resultado é que os interesses dos consumidores em discussões comerciais são praticamente ignorados, mesmo levando em conta que o sucesso econômico é medido não por quão bem essa economia satisfaz os desejos dos produtores, mas exclusivamente por quão bem, ao longo do tempo, ela satisfaz as demandas dos consumidores.

Produtores existem para satisfazer os consumidores; produção é o meio e consumo é o fim. O Protecionismo é uma política baseada na premissa de que consumidores existem para satisfazer produtores.

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quarta-feira, 16 de abril de 2008

Quantos livros um chefe de Estado deve ter lido?

Trecho de comentário de Marcelo Soares, onde ele define o conceito (brilhante) de analfabetismo funcional institucional:

Essa coisa de assinar sem se comprometer, somada à forma peculiar como as autoridades brasileiras tratam informações, dá a impressão de ser uma doença política e institucional análoga ao analfabetismo funcional. O Instituto Paulo Montenegro define assim um analfabeto funcional:

uma pessoa que, mesmo sabendo ler e escrever frases simples, não possui as habilidades necessárias para satisfazer as demandas do seu dia-a-dia e se desenvolver pessoal e profissionalmente.

Uma das mais fortes manifestações desse analfabetismo funcional é a forma como as autoridades brasileiras tratam questões de informações públicas e dados sigilosos. Classifica-se como sigiloso o que devia ser público e o que por motivos vários merece reserva é tratado sem grande cautela.

A íntegra do artigo possui exemplos esclarecedores de irresponsabilidade governamental onde conceito se aplica muito bem: as palavras são lidas, mas as frases se perdem.

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terça-feira, 15 de abril de 2008

O sofrimento moribundo do IPEA


Trecho de comentário de Carlos Alberto Sardenberg:
Finalmente, economistas do Ipea, Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, um órgão de estudos do governo federal, fizeram algo inédito: divulgaram nesta segunda um estudo para “provar” ao BC que não há necessidade de elevar os juros.

Certamente não é função do Ipea entrar em luta com o BC. Claro que o instituto pode e deve apresentar sua visão de macroeconomia, mas não faz sentido politizar o tema e abrir fogo como fizeram.

O pessoal do Ipea simplesmente abriu o jogo e disse que o BC de Henrique Meirelles tem uma visão errada da economia, que é orotodoxo, pró-banqueiros e não gosta do crescimento econômico. Mais ainda: economistas do instituto disseram que, sim, há um conflito dentro do governo Lula entre o desenvolvimentismo de Mantega e a ortodoxia de Meirelles, que o Ipea está ao lado de Mantega e que é preciso fazer o confronto.

É um péssimo modo de colocar o debate. O objetivo de todos deve ser encontrar a melhor combinação para o país crescer o máximo possível sem inflação. Quando o BC eleva os juros hoje é com o objetivo de calibrar crescimento e inflação – ou seja, conter a inflação agora para que ela não acelere demais e aborte o crescimento mais à frente.

Pode-se discordar do método e do momento, como fazem muitos economistas fora do governo. Mas dizer que o BC eleva os juros porque não gosta do crescimento e porque prefere transferir renda para os banqueiros é uma conversa de palanque.


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segunda-feira, 14 de abril de 2008

Dossiê no dicionário novilíngua

Trechos de comentário de Ricardo Noblat:
Recordar é viver. Quem disse: “Ninguém colocará o governo nas cordas. Vamos abrir o suprimento de fundos desde lá atrás"? Foi o ministro Franklins Martins, da Comunicação Social.



Quem disse: “Na hora que começarmos a mexer em contas do tipo B, eu sei, ou melhor prevejo, que vamos encontrar coisas muito piores”? Foi Paulo Bernardo, ministro do Planejamento.



E quem disse: “Como a CPI do Cartão se propõe a investigar suprimentos de fundos desde 1998, vamos ser instados a prestar informações sobre exercícios passados. É possível que encontremos algo muito além da tapioca, que se tornou algo jocoso”? Foi o ministro Jorge Hage, da Controladoria Geral da União.

...

Que tal é que, além de chantagear a oposição, o governo só fez mentir
desde a revelação da existência de um dossiê sobre gastos sigilosos
bancados pelo governo anterior.

Mentiu ao proclamar que não havia dossiê.

Mentiu ao dizer que levantara as informações a pedido do Tribunal de Contas da União.

Mentiu ao atribuir à CPI do Cartão a encomenda do levantamento.

Mentiu
ao insinuar que o dossiê possa ter sido montado por um espião do PSDB
infiltrado no Palácio do Planalto. E novamente mentiu ao tentar
alimentar a suspeita de que os computadores da Casa Civil possam ter
sido invadidos por alguém de fora.




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Quanta bobagem (ou "ele só pensa naquilo")


do blog do Duke

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quinta-feira, 3 de abril de 2008

Mais do mesmo: como repelir leitores (por Luis Nassif)

Eu já havia comentado sobre as escorregadas do Nassif, mas havia cometido um erro: eu sugeri que ele não tinha conteúdo próprio, dado que quase todos os posts eram apenas recortes de seus leitores. Pois descobri que ele até escreve algo, nos comentários. Não é o que eu chamaria de jornalismo - o que, creio, ele deve fazer em outros meios como a TV ou mídia impressa. Vão aqui alguns comentários de seus leitores onde Nassif (ou sua esposa, eu acho) responde:



Acreditar em boatos de leitores não é bom jornalismo, e atacá-los - inclusive de falsidade, como vemos no conselho final - não é boa estratégia. Se vetou os comentários, por que acreditou neles e partiu para o ataque ad hominem? E desconfiar de uma "opinião sincera" é, no mínimo, dissonância cognitiva.



Creio que é a mesma Liliane (quando o nosso "introdutor do jornalismo eletrônico" vai descobrir o openID?). Realmente, quando o próprio blogueiro se vale de ataques pessoais, faltam-lhe argumentos, moral e caráter.



Ranhildo (o pseudônimo do infeliz leitor é Raildo), seu ridículo!



Corta essa, meu, eu digo que é um factóide então fiat factóide! O que você queria, evidências? um mea culpa? Eu sou um jornalista sério.




Existem 10 tipos de pessoas: as binárias e as não binárias. Mas monolítico mesmo seria unário...

Ainda bem que o blog do Nassif não compactua nem permite ataques pessoais. Ele entende a natureza humana, é um sobrevivente.



E Nassif também paga o preço.


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terça-feira, 1 de abril de 2008

Propaganda eleitoral com o Air Force 51

Trecho de notícia publicada no Consultor Jurídico:
O DEM quer que o TSE proíba até o dia 26 de outubro deste ano, data do segundo turno das eleições municipais, a promoção de eventos fora de Brasília sobre o lançamento de programas de gestão federal e de gestão compartilhada entre o governo federal e os governos estaduais e municipais. O partido pede que o TSE proíba a utilização de qualquer evento oficial para a propagação de elogios ou críticas a partidos e personalidades políticas.

No caso dos cartões corporativos, o grande problema não é a qualidade da carne ou dos 400 quilos de camarão, ou a octanagem dos carros alugados (isso se resolve com licitação e auditoria externa). O problema é a origem do dinheiro - dinheiro público sendo usado para fins particulares. Mas agora, com a crescente vontade do Lulla de se afastar de Brasília e ouvir "a voz do Brasil" (sem Carlos Gomes), há um agravante: não apenas ele usa o dinheiro público (um passeio de aerolula não sai barato, sem contar a claque - ou cerejas, como se diz no Japão) como também usa a sua personalidade pública para apoiar e atacar candidatos. Aliás o que um governante faria em Brasília? Governar?

Ou seja, mesmo que ele comprasse passagens para si e sua comitiva do próprio bolso, ele não poderia discursar ao lado de possíveis candidatos (como a Mãe Dilmá) na condição de presidente - inaugurando obras. Quero dizer, inaugurando a vontade de realizar obras, que talvez nem saiam, e que fazem parte de qualquer governo que justifique os impostos arrecadados. Mesmo uma ditadura respeita a maioria, o que mede a democracia é o respeito às minorias.

Sairia mais barato e menos nocivo para a democracia coroá-lo.


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