"Se eu fosse outra pessoa, fazia-lhes, a todos, a vontade. Assim, como sou, tenham paciência! Vão para o diabo sem mim, Ou deixem-me ir sozinho para o diabo! Para que havemos de ir juntos?" (Pessoa - Álvaro de Campos)
segunda-feira, 31 de dezembro de 2007
Não se pode renunciar um direito por puro comodismo
A cidadania há de ser conquistada através da luta individual e através da luta coletiva. Há situações concretas onde o cidadão tem de travar uma luta individual para conquistar seus direitos.
Esta luta individual, solitária, que o cotidiano da vida às vezes exige, é sempre dura e difícil. Esta luta é mais penosa, mais longa, com possibilidade de êxito menor. Porém, se uma situação concreta reclama a luta individual, não devemos recuar diante dos obstáculos.
Podemos renunciar a um direito por generosidade, jamais por comodismo ou apatia. Dou o exemplo: posso rasgar um documento de crédito, de que sou titular, se o devedor encontra-se numa situação aflitiva, porque o homem não pode ser lobo de outro homem. Neste ponto discordamos de Rudolf von Ihering que, na sua obra clássica A luta pelo Direito, não admite a renúncia a direitos.
Sempre que for possível, devemos recorrer à luta coletiva. Imaginemos uma situação na qual várias pessoas têm um mesmo interesse a defender perante a Justiça. Ora, será muito mais prático que se juntem para uma ação em comum do que cada um lutar separadamente.
Pela Constituição de 1988, os sindicatos, as entidades de classe, as associações, os partidos políticos podem ingressar coletivamente em Juízo em favor de centenas ou milhares de pessoas.
Para a luta coletiva, em seus diversos níveis, a sociedade tem de aprender a organizar-se. Os pleitos que se formulam de maneira atabalhoada não são vitoriosos. O planejamento, a discussão, a partilha dos problemas, a montagem de uma estratégia de luta – este me parece ser o caminho para o bom encaminhamento das causas que envolvem muitos.
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Os melhores e piores de 2007 (and the Oscar goes to...)
Se você acha que 2007 passou voando, é porque não ficou atolado nos aeroportos ou na cratera do metrô de São Paulo, vendo boi com asas no Senado, o fantasma de Fidel pairando na TV e o Air Force 51 queimando combustível em três continentes, com seu dono aditivado de popularidade. O ano do Porco dos chineses foi pródigo na matéria-prima em que o bicho chafurda. Pelo menos em 2008 la "mierda" virá sem CPMF. Na última edição do ano, como sempre, veja a nossa premiação.
Prêmio Micomandante
Dividem o troféu o ministro Nélson "Sucuri" Jobim, o mandante da Venezuela Hugo Chávez, e Lula, pela "atuação" na CPMF. Achavam que mandavam, mas só pagaram mico.
Troféu Por qué no te callas?
Confeccionado na Espanha, o prêmio vai para Lula e o povo do Rio. O primeiro quer esquecer a estrondosa vaia. Os cariocas, repeti-la.
Prêmio Trapalhões
Caso consigam vôo, os ex-comandantes da Anac Milton Zuanazzi e Denise Abreu levam também passagem só de ida ao Paquistão. O ministro Tarso Genro ganha balsa cubana para trazer Cacciola do principado de Mônaco.
Troféu Playboy
Para os politicos infiéis, que trocaram de partido, perderam a amante e ficaram com a mulher.
Prêmio Duas Caras
Pelo roteiro, direção, melhor "montagem" e interpretação, ganha a novela do Senado sobre a absolvição de Renan Calheiros e a votação da CPMF
Troféu Tiradentes
Para Lula, "traído pelos controladores de vôo", mensaleiros com a corda no pescoço da Justiça, e ministros do Supremo, traídos por e-mails na internet.
Troféu Penico de Ouro
Pelo conjunto da obra na vida pública, porque a privada se desconhece, Hugo Chávez ganha, mas não leva, por falta de "malas" à prova de titica.
Top dos Tops
Para o aspone erótico para assuntos internacionais aleatorio, Marco Aurelio Garcia, que adoraria ter sido Simão Bolívar, mas não passaria de um sargento do herói do coronel Hugo Chávez. Sargento Garcia.
Estupra, mas não goza
Para todos os passageiros das linhas aéreas que ficaram horas ou dias nos aeroportos tentando relaxar e gozar.
Ouro no Tiro ao Alvo
Para o rei da Espanha, Juan Carlos I, que silenciou o falastrão da Venezuela com o insuperável "Por qué no te callas?".
Troféu Podia dormir sem esta
Para o semiditador Hugo Chavez, pelo besteirol hispano-cucaracho que provocou a bronca do rei da Espanha.
Papai Lula
Troféu dos bolivianos para o presidente do Brasil, por tudo que ele fez por eles e não fez por nós, neste ano que termina.
Prêmio Maurício de Souza
Para o senador Renan Calheiros, por ter folheado a Mônica, por quase levar um Cascão dos colegas e conseguir não chorar na hora de cortar Cebolinha.
Troféu Vingança
Para FHC, que quis lavar e enxagüar a biografia ao teleguiar o fim da CPMF e ainda tirou R$ 40 bilhões do maior adversário, que é também seu maior herdeiro e seguidor.
Prêmio Castigo Supremo
Para o Supremo Tribuna Federal, por mostrar aos mensaleiros do PT e aliados que a Justiça é cega, mas acerta tiro.
Prêmio Guiness
Para o senador Renan Calheiros, que fechou 2007 com o título de político mais absolvido do País, em todos os tempos...
Chávez de Ouro
Para a presidente Argentina, Cristina Kirchner, que foi eleita com a ajudinha dos recursos de amigos e vizinhos.
Prêmio Chave de cadeia
Vai para o clube das Luluzinhas Alopradas do Pará: a governadora Ana Júlia Carepa, a delegada e a juíza, que permitiram a tragédia com a garota presa com homens. De brinde, levam pares de algemas.
Prêmio Menino de Ouro
Um troféu para não perder a esperança: vai para o catarinense Riquelme dos Santos, 9, que vestido de Homem-Aranha salvou do incêndio o bebê do vizinho. Coragem, meninos, e feliz 2008!
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domingo, 30 de dezembro de 2007
sábado, 29 de dezembro de 2007
Retrospectiva 2007 em frases
“Eu duvido, desde o dia que o Brasil foi descoberto, que alguém em um governo tenha cuidado mais dos pobres do que eu.”
"Sexo é uma coisa que quase todo mundo gosta e é uma necessidade."
"Para fazer saneamento básico, tem que cavar um buraco, enfiar o tubo e tapar o buraco."
"É preciso melhorar a massa encefálica dentro do cérebro para as pessoas compreenderem que as mulheres devem ser respeitadas."
“O ministro [Waldir Pires] vai continuar no cargo. Ministro sou eu que ponho e eu que tiro. Eu que escolho. Se um dia eu tiver que tirá-lo, eu tirarei. Por enquanto, não é essa a questão.”
“Todo mundo sabe o que eu pensava em 2006, eu sempre fui contra a reeleição. Acontece que tem o instituto da reeleição e eu sou um presidente reeleito, portanto, eu não posso agora dar palpite.”
“Estou quase atingindo a perfeição e posso chegar lá.”
“Ninguém tem mais ética e moral do que o PT.”
“Eu sou a única alternância de poder em 500 anos de história do país. Se eu errar vão dizer que trabalhador não sabe governar.”
“Podem criticar o Chávez por qualquer outra coisa. Inventem alguma coisa para criticar o Chávez. Agora, por falta de democracia na Venezuela, não.”
“Na verdade, quem tem medo da CPMF é quem sonega imposto.”
E o que disseram outros, durante o ano:
"A luta armada não deu certo e eles agora pedem indenização? Então eles não estavam fazendo uma rebelião, mas um investimento." (Millôr Fernandes, em entrevista à revista Playboy, ao falar das indenizações que os desafetos da ditadura - incluindo o Lula - recebem)
“Coisa de meio ambiente, vamos falar a verdade, até pouco tempo atrás era coisa de veado.” (Presidente da Força Sindical, Paulo Pereira da Silva, o Paulinho)
"Antes gostávamos de dizer que a direita era estúpida, mas hoje em dia não conheço nada mais estúpido que a esquerda." (José Saramago, escritor português e Prêmio Nobel de Literatura, durante conferência na Espanha)
“Sou um estudioso do mundo e eu lhes digo que entre os países de renda média, o Brasil é o País onde há menos corrupção.” (Roberto Mangabeira Unger, secretário de Planejamento de Longo Prazo, aquele que em 2005 acusou o governo Lula de corrupto e pediu sua derrubada)
“Isso aqui é um caos. Não temos reconhecimento legislativo, não temos papel político e vivemos no noticiário da corrupção.” (Tião Viana, PT-AC, ao assumir, interinamente, a presidência do Senado)
“[Sou] contra o império assassino de Bush e contra quem, em nosso país, tenta combater o governo Lula.” (Oscar Niemeyer, um gauche caviar)
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quinta-feira, 27 de dezembro de 2007
O culto da mediocridade
- Os comentaristas se basearam numa empresa de segurança (virtual) que coleta "flaw reports" (relatórios de falha); Assim uma empresa menos transparente, como a Microsoft, aparenta ter menos falhas simplesmente porque não as relata. Aliás a Microsoft é tão opaca que acabou freada na Europa pela lei anti-truste.
- A definição de sistema operacional, para eles, é maleável: no caso da Apple, eles consideraram falhas em qualquer programa que interaja em Mac - incluindo Java e outros produtos de terceiros ("third-party vendors") -, e produtos para ambientes específicos.
As Harvey Lubin noted, it’s a case of Stockholm Syndrome. Microsoft has a nation of users brainwashed by nonstop propaganda that rivals the old Soviet Union, and is no less interested in keeping them locked inside its Iron Curtain.
Como disse Harvey Lubin, é um caso de Síndrome de Estocolmo. A Microsoft tem uma nação de usuários em que a propaganda intermitente fez lavagem cerebral e que compete com a União Soviética, e não está menos interessada em mantê-los trancados dentro de sua Cortina de Ferro.

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sexta-feira, 21 de dezembro de 2007
Perseguição não-religiosa
Discurso de John F. Kennedy (12 de Dezembro de 1960):
I believe in an America where the separation of church and state is absolute--where no Catholic prelate would tell the President (should he be Catholic) how to act, and no Protestant minister would tell his parishioners for whom to vote--where no church or church school is granted any public funds or political preference--and where no man is denied public office merely because his religion differs from the President who might appoint him or the people who might elect him.Carta de Thomas Jefferson aos Batistas (1o. de Janeiro de 1802):
Eu acredito em uma América onde a separação entre igreja e Estado é absoluta - onde nenhum clérigo católico diria ao presidente (sendo ele católico) como agir, e nenhum bispo protestante diria aos seus fiéis em quem votar - onde nenhuma igreja ou escola religiosa recebe financiamentos públicos ou preferência política - e onde a nenhuma pessoa é negado um cargo público porque sua religião difere da do presidente que o aponta ou das pessoas que o elegem.
Believing with you that religion is a matter which lies solely between man and his God, that he owes account to none other for his faith or his worship, that the legislative powers of government reach actions only, and not opinions, I contemplate with sovereign reverence that act of the whole American people which declared that their legislature should “make no law respecting an establishment of religion, or prohibiting the free exercise thereof,” thus building a wall of separation between church and State. Adhering to this expression of the supreme will of the nation in behalf of the rights of conscience, I shall see with sincere satisfaction the progress of those sentiments which tend to restore to man all his natural rights, convinced he has no natural right in opposition to his social duties.
concordando com você que religião é um assunto pertinente somente a um homem e seu Deus, que ele não deve satisfações a ninguém mais que sua fé ou crença, que os poderes legislativos do governo são sobre ações apenas, e não opiniões, eu contemplo com reverência soberana o ato de toda a população americana, que declarou que sua legislatura deveria "não fazer lei alguma respeitando o estabelecimento de uma religião ou proibindo o seu livre exercício", construindo então um muro de separação entre a igreja e o Estado. Aderindo a esta expressão da vontade suprema da nação para o proveito dos direitos da consciência, eu verei com sincera satisfação o progresso daqueles sentimentos que tendem a restaurar ao homem todos os seus direitos naturais, convencido de que ele não possui direito natural em oposição às suas obrigações sociais.
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sábado, 15 de dezembro de 2007
O paizão mesmo é o contribuinte

- Decidi que quero me tornar um milionário quando crescer.
- Bom, você vai ter que trabalhar duro para conseguir um milhão de dólares.
- Eu não. Você vai.
- Eu?
- Eu só quero a herança.
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sexta-feira, 14 de dezembro de 2007
Dualética (quando o céu da razão se ilumina)
Saiba o que é a “dualética”
Vocês sabem. Se a CPMF tivesse sido aprovada ontem, o governo teria logrado uma vitória espetacular. Como a contribuição foi rejeitada, então se trata de uma derrota do PSDB. É o que se pode ler por aí.Essa é a “dualética” esquerdopata. O que é “dualética”?São as migalhas que caem do banquete dialético do petismo graúdo, recolhidas pela, por assim dizer, ética petralha. Está definida a “DUALÉTICA”. Segundo essa ética dual, o PT ganha quando perde, e a oposição perde quando ganha.
A cabecinha oca de um dualético
Segundo o melô do jornalismo “dualético”, Lula tem o poder de definir responsabilidades e culpas. É promotor, jurado e juiz. Se Apedeutakoba decidir que todos os males da Saúde decorrem do fato de DEM e PSDB terem ajudado a derrubar a CPMF, então assim será. Às oposições, resta o silêncio.
Quem, de fato, acha que tudo o que há de mal no Brasil deriva da ação das oposições é o jornalista “dualético”. Na sua ética dual, o PT defender hoje o que rejeitava no passado é adesão à racionalidade; se a oposição faz o mesmo, então se trata de um crime. Afinal, por dual, trata-se de uma ética ambígua, de duas faces, de duas caras. Mas com um só patrão, louve-se...
O jornalista dualético é conseqüência de um poder também dualético, embalado pela “metaRmofose ambulanto” do Maluco Beleza. Na cabecinha oca de um dualético, a fase das disputas políticas terminou em 2002. A partir daquela data, instalou-se a racionalidade no poder — e, pois, opor-se ao governo corresponde a opor-se à razão. Como já disse Marxilena Oiapoque, quando Lula fala, o céu da razão se ilumina.
O jornalista dualético vê o referendo de Chávez
Na Venezuela, um jornalista dualético teria recomendado ao povo votar “sim” no referendo de Chávez porque, do contrário, aquele democrata poderia vir a culpar as oposições por tudo o que não desse certo no país. Sem contar o temor da reação, né?
Um jornalista dualético deve acreditar que, na Venezuela, a oposição teve uma vitória de “mierda”. Já a derrota do bufão foi “gloriosa”, fruto da “coraje”, da “valentía”.
O jornalismo dualético vê o pacto Molotov-Ribbentrop
O dualético analisou também o pacto Molotov-Ribbentrop e chegou à conclusão de que Stálin, o Guia Genial dos Povos, estava coberto de razão. Quando advertiram o despóta bigodudo que o déspota bigodinho não cumpriria o acordo, o dualético não acreditou. Quando lhe disseram que a Alemanha tinha acabado de romper a linha, atribuiu a informação aos serviços de espionagem anglo-americanos.
O jornalismo dualético vê os 300 de Esparta
Os 300 de Esparta, não sei se sabem, eram 301. Entre eles, havia um filósofo dualético. Leônidas lhe perguntou, à luz do “dualética”, se fazia sentido ou não resistir ao avanço persa. Ele, muito realista, disse o óbvio: “É claro que não, senhor. O negócio é a gente se render agora. Eles são bem mais fortes, e lutar contra um inimigo mais forte não é coragem, mas burrice”. Leônidas achou que valia a pena ser burro, mas não passar por covarde. Coisas da história. O dualético não lutou. Saiu correndo, todo mijadinho.
O jornalismo dualético vê o Pacto de Munique
Um jornalista dualético, ao analisar o Pacto de Munique, chegou à conclusão de que Chamberlain e Daladier fizeram muito bem em assinar o acordo com Hitler porque, afinal, é sempre preferível evitar a guerra. Estava entusiasmado quando Chamberlain chegou a Londres, saudado pelas massas, em nome da paz. O dualético ainda deu um pito num tal Churchill, do DEM, que proferiu a sentença sobre os dois líderes: “Entre a guerra e a desonra, preferiram a desonra, e terão a guerra”. Dualéticos não gostam de radicalismo.
O jornalista dualético vê a história dos Três Porquinhos
Um jornalista dualético também é muito pragmático. Razão por que a sua história dos Três Porquinhos só tem Lobo Mau. Eu explico. Quando o carnívoro apareceu, o dualético convenceu Prático, o porquinho mais inteligente, a entregar Cícero, o mais preguiçoso. O argumento racional era o seguinte: “A gente salva dois e entrega um. Melhor do que nada”. Mas o Lobo, vocês sabem, é um mau-caráter. Voltou e pediu Heitor. O dualético disse a Cícero: “Sejamos realistas”. E o Lobo papou também o outro. Acostumado à carne fácil, partiu pra cima de Cícero. “O que eu faço agora, Jornalista Dualético?” Ao que o outro respondeu: “Não sei. Não temos mais porquinhos para entregar”. E Cícero sífu, coitado...
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Você sabe pescar? Não? Ah, que bom...
No Estado do Rio, quase 490 mil famílias com renda mensal inferior a R$ 120 são beneficiárias do programa - que entrega R$ 50 fixos mais R$ 18 por filho. A contrapartida seria a obrigatoriedade de manter as crianças na escola. Mas aí está o maior problema: não há controle. É ínfima a porcentagem das instituições de ensino que informam ao governo a freqüência dos alunos. Se os filhos vão ao não às aulas, pouco importa. No fim do mês, os pais continuarão a receber a quantia.
No princípio, o programa visava estimular o jovem a estudar e, assim, subir na escala social. À época, a mãe raciocinava que só teria direito ao benefício se o filho tivesse bom desempenho na escola. Hoje, ela faz o que pode para se manter na pobreza porque teme, no caso de se empregar, perder o benefício. Prefere manter-se atrelada ao assistencialismo oficial.
Raros são os beneficiários que conseguem romper esta ciranda de miséria e pedir exclusão do programa. Ao contrário, cresce a cada ano a legião de assistidos - o que, para o governo, pode até ser positivo pelo lado eleitoral, mas é extremamente negativo para a nação.
Fiscalizar a contrapartida exigida por lei é fundamental para retomar o bem intencionado caminho proposto pelos autores do programa. Assegurar um ensino de qualidade é tão essencial quanto a primeira premissa. E a fim de resgatar os jovens das ruas ou os pais do mercado informal, cursos profissionalizantes e de requalificação de mão-de-obra são prioritários. Só assim se conseguirá, algum dia no futuro, liberar toda uma geração condenada ao assistencialismo.
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quinta-feira, 13 de dezembro de 2007
Governa muito bem, mas não sabe o que é um Estado de Direito
Num instante em que tenta evitar uma derrota no Senado, o governo padeceu um sério revés no plenário do STF. Por sete votos contra dois, os ministros do Supremo derrubaram na tarde desta quarta-feira uma das medidas provisórias que, a pretexto de acelerar a votação da CPMF na Câmara, Lula revogou e reeditou em seguida. A manobra foi considerada pelo tribunal como uma fraude ao texto da Constituição.
A medida provisória revogada pelo STF trata da prorrogação dos prazos para o registro de armas de fogo. A MP trancava a pauta da Câmara no momento em que o governo decidiu priorizar a votação da emenda que prorroga o imposto do cheque até 2011. Para desobstruir o caminho da CPMF, o governo revogou a medida, reeditando-a depois que os deputados aprovaram o tributo.
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sábado, 8 de dezembro de 2007
Sem CPMF Brasília acaba
O presidente Lula assume posição perigosa ao dizer que votar contra a CPMF é votar contra os pobres. E ruim para o ambiente político, especialmente quando pede que as pessoas “marquem” o nome dos senadores que votarem “a favor dos ricos”. Isso radicaliza, divide e impede um verdadeiro debate sobre o sistema tributário brasileiro e a distribuição dos gastos públicos. Ambos são ruins. Todas as pesquisas internacionais mostram que o sistema tributário brasileiro está entre os piores do mundo, por causa de sua burocracia e, especialmente, seu caráter regressivo - o que significa que os pobres pagam proporcionalmente mais que os ricos. Ou seja, os pobres comprometem maior parte de sua renda no pagamento de impostos que estão embutidos no preço das mercadorias serviços. Inclusive a CPMF.
E quanto aos gastos, mesmo ministros do atual governo dizem que há muita ineficiência. Mas o presidente cancela esse debate e diz que ele, Lula, representa o bem e os outros, a canalhice. E se ele, Lula, precisa da CPMF, os outros são desprezíveis aliados dos ricos.
Desnecessário lembrar, também, que Brasília possui ao mesmo tempo a maior renda per cápita e a maior desigualdade de renda do país. Ou seja, a diferença entre ricos e pobres é imensa e os ricos são realmente ricos. Quem seriam esses ricos, e como eles ficaram ricos?
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segunda-feira, 3 de dezembro de 2007
O homem vale por cem
Depois de votar durante a manhã, em São Bernardo do Campo, no processo de eleição interna de sua legenda (PED), o presidente comentou a pesquisa Datafolha publicada na edição deste domingo do jornal "Folha de S.Paulo", que entre outros dados aponta que 65% dos entrevistados são contra um terceiro mandato consecutivo para o presidente Lula e 63% não concordam com a possibilidade de mudar a lei para criar o terceiro mandato para nenhum presidente. "Se tivessem me entrevistado, não seriam 63%, seriam 64%."Cabe lembrar que a pesquisa foi feita com mais de 11 mil brasileiros. Quando critica a mudança, tenta alfinetar FHC. Ato contínuo, vem o Zé Dirceu e nos premia com essa pérola:
Ainda sobre o tema, Lula destacou que é "o primeiro a dizer que é um absurdo tentar mudar a Constituição, como já foi mudada para ter a reeleição (segundo mandato)". E frisou: "Acho que isso (resultado da pesquisa) é a sabedoria do povo brasileiro".
"Esse negócio de terceiro mandato é uma conversa pra boi dormir. Terceiro mandato é legal e constitucional. Ou a reeleição do Fernando Henrique não foi legal e constitucional?"e mais ainda:
"É que nós não queremos no Brasil um presidente reeleito três vezes. Não vai da nossa cultura, da nossa tradição."Qual é a conversa prá boi dormir? O terceiro mandato? Mas se ele afirma que é legal e tals... Ah, sim, não é da tradição "deles", mas qual tradição eles têm em presidência da República? Ainda se fosse a presidência do pan-sindicato-partido único "deles". E não é que eles não queiram, é que não vai dar certo, como aponta a pesquisa.
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domingo, 2 de dezembro de 2007
Como diria o cara da propaganda, "eu sou você amanhã"
“MARIA”, a teacher in Tver, near Moscow, felt ashamed when she told her 15-year-old pupils to join a rally in support of President Vladimir Putin before the parliamentary election on Sunday December 2nd. The order came from the local administration, staffed by members of the pro-Kremlin United Russia party. “I would not have lost my life or even my job if I had not followed the order. But I felt I could not refuse it, perhaps because I am not a free person. Ten years ago I would have told you my real name,” she sighs. Her pupils later learnt from television that they had joined in an “outburst of patriotic feeling”.O artigo menciona ainda que:
"Maria", uma professora em Tver, perto de Moscou, se sentiu envergonhada quando disse aos seus alunos de 15 anos para se unirem a um protesto em apoio ao presidente Vladimir Putin antes da eleição parlamentar no domingo, 2 de Dezembro. A ordem veio da administração local, composta por membros do partido pró-Kremlin Rússia Unida. "Eu não teria perdido minha vida, nem mesmo meu emprego se eu não tivesse seguido a ordem. Mas eu achei que eu não poderia recusar, talvez porque eu não seja uma pessoa livre. Há dez anos atrás eu lhe teria dito o meu nome verdadeiro", disse ela. Mais tarde seus alunos aprenderam com a televisão que eles haviam se juntado à uma "explosão de sentimento patriótico".
1) A eleição de fachada serve apenas para confirmar que o poder na Rússia está nas mãos de Putin, que presidiu uma bonanza movida pelo petróleo (qualquer coincidência com a Venezuela é mera semelhança).
2) O Kremlin ainda mudou as regras do jogo (de poder), impedindo partidos de formarem coalizões e definindo um percentual de assentos no parlamento para inscrição - na prática mantendo a oposição fora do Parlamento.
3) A TV russa dá cobertura completa ao partido da Rússia Unida e demoniza ("dish dirt on") a oposição.
4) O crescimento econômico da Rússia, iniciado com as privatizações na década de 90 e levado adiante pelo boom petrolífero elevaram o nível de vida e criaram uma sensação de estabilidade, fazendo o presidente Putin genuinamente popular.
5) Quando candidatos oposicionistas (que não puderam se inscrever à eleição devido às novas regras) protestaram em Moscou e São Petersburgo, apanharam da polícia e foram presos - incluindo jornalistas. A televisão russa não mostrou as cenas, nem os discursos da oposição, muito menos mencionou a ilegalidade da ação.
6) O maior medo dos governistas é a baixa participação popular (o voto é facultativo), e por isso Putin tem feito discursos inflamados, culpando os "liberais" que na década de 90 sucatearam a educação, cortaram gastos com defesa e levaram a população à pobreza.
7) Putin tenta a qualquer custo manter-se no poder - agora como primeiro-ministro - porque não pode se re-re-candidatar a presidente, e mesmo um curto espaço de tempo longe do poder pode lhe ser fatal. Agora ele goza de popularidade, mas caso um governante desalinhado com o Kremlin assuma a presidência ou o Parlamento a sujeira pode sair de debaixo do tapete.
Ainda bem que Deus é brasileiro e que nunca na história deste país tivemos vizinhos tão democráticos.
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